Eleições 2026
União Progressista realiza convenção neste domingo de olho em aliança com JHC
Evento que vai confirmar Arthur Lira para o Senado expõe incertezas sobre composição majoritária
A Federação União Progressista (PP/União Brasil) promove neste domingo (2) uma convenção decisiva para o tabuleiro eleitoral de Alagoas, com a oficialização da candidatura do deputado federal Arthur Lira ao Senado e a montagem de chapas proporcionais robustas. O encontro deve funcionar como demonstração de força política e instrumento de pressão nas negociações ainda abertas para a disputa pelo governo do estado.
Com expectativa de grande mobilização, o evento reunirá lideranças de diversas regiões, incluindo prefeitos, vereadores e representantes de diferentes setores sociais. A estratégia é evidenciar capilaridade eleitoral e consolidar uma base municipal ampla — fator considerado essencial para sustentar candidaturas majoritárias e impulsionar o desempenho nas urnas.
A candidatura de Lira ao Senado surge como eixo central da convenção, servindo de ponto de convergência interna da federação. Nos bastidores, no entanto, o evento também carrega um componente estratégico: pressionar o PSDB, partido do ex-prefeito de Maceió, JHC, com quem a federação tenta costurar uma aliança.
A ausência de definição mantém o cenário em aberto e reforça o uso do evento como vitrine de força política própria. A mensagem é clara: há estrutura para compor, mas também para competir.
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Arthur Lira tem reiterado essa posição. Ao comentar o cenário, afirmou esperar que o PSDB lidere a chapa ao governo, mas não descartou um plano alternativo. Segundo ele, caso não haja definição, o grupo poderá lançar um nome próprio para disputar o Executivo estadual, mantendo-se no campo de oposição com discurso voltado ao desenvolvimento de Alagoas.
Apesar dessa sinalização, a construção de uma candidatura alternativa dentro da centro-direita enfrenta dificuldades. A avaliação entre aliados é de que faltam nomes com densidade eleitoral e capilaridade suficientes, o que faz crescer a percepção de que uma “terceira via” está cada vez mais distante de se viabilizar.
Paralelamente à disputa majoritária, a federação concentra esforços na formação de chapas competitivas para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. A expectativa é lançar cerca de dez candidatos a deputado federal e 25 a estadual, com nomes que combinam experiência política, herança eleitoral e vínculos com bases regionais.
Entre os cotados para a Câmara estão figuras como Álvaro Lira (filho de Arthur Lira), Delegado Fábio Costa, Marx Beltrão, Daniel Barbosa e Nivaldo Albuquerque, além de novos nomes com inserção política e familiar, como Gunnar Nunes, Olivia Tenório e Mosabelle Ribeiro.
Esse movimento indica que, independentemente do desfecho da disputa pelo governo, a federação busca garantir protagonismo político por meio do Legislativo. A ampliação das bancadas é vista como elemento-chave para influenciar decisões futuras e consolidar espaço no cenário estadual.
Outro ponto central da convenção será o discurso de unidade e amplitude. A narrativa adotada pela federação tenta atrair diferentes segmentos e se posicionar como uma força agregadora dentro do campo de centro-direita, em contraste com a polarização já estabelecida no estado.
O fator tempo também pesa na estratégia. Com o prazo das convenções se aproximando do limite legal, a federação mantém margem para negociações até os últimos dias, ajustando decisões conforme os movimentos de adversários e aliados.
O impacto da convenção no cenário eleitoral dependerá, sobretudo, do desfecho das tratativas com o PSDB. Uma aliança com JHC tende a reforçar a polarização já existente, enquanto uma candidatura própria ao governo poderia alterar o equilíbrio da disputa — embora, neste momento, essa alternativa encontre obstáculos para ganhar consistência.
Ao mesmo tempo, Lira demonstra confiança no desempenho eleitoral. Ele afirma liderar tendências de crescimento nas pesquisas e aposta na capilaridade política construída ao longo dos anos, com apoio de prefeitos, vereadores e setores organizados da sociedade.