Oriente Médio
Irã e Omã avançam em acordo que pode reabrir Ormuz
Os dois países estão em negociação há cerca de dois meses sobre gestão do estreito
Cerca de dois meses após o início das negociações, Irã e Omã chegaram a uma rota para a navegação no Estreito de Ormuz, que agora deve ser gerida pelos dois países. A informação foi divulgada nessa quarta-feira (5) pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei.
De acordo com o governo iraniano, uma declaração conjunta entre Teerã e Mascate deve ser divulgada em breve, caso nenhum país interfira nas negociações.
“As coordenadas geográficas da rota pretendida foram acordadas e, desde que algumas partes terceiras não interfiram neste processo, a declaração conjunta dos dois países, que inclui considerações e pontos principais acordados, está na fase de revisão e redação final”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Os termos do acordo ainda não são públicos. A expectativa, contudo, é de que o Irã controle a entrada de embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto Omã administre a saída de navios. Não está claro se o sistema de pedágio, implementado recentemente pelo governo iraniano, continuará em vigor.
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Horas antes dos avanços nas conversas entre Teerã e Mascate, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a via marítima seria reaberta “em breve”. Caso contrário, acrescentou o republicano, o Irã poderia sofrer “consequências”.
Apesar de o líder norte-americano alegar que negociadores dos EUA participavam das conversas, o Irã sempre rejeitou as afirmações. Segundo o governo iraniano, as discussões sempre aconteceram de forma bilateral, com Omã.
Desde o início da guerra entre EUA e Irã, o Estreito de Ormuz se tornou um importante centro de disputa entre os dois países — e uma arma no conflito. Em retaliação aos ataques norte-americanos, forças iranianas bloquearam a via marítima, por onde cerca de 20% do petróleo mundial é transportado.
Durante um período de cessar-fogo, o estreito chegou a ser reaberto, apesar de algumas restrições. Ormuz voltou a ser bloqueado no início de julho, quando EUA e Irã retomaram as hostilidades.
TAXA DE SERVIÇO
O possível acordo resultante das negociações entre o Irã e Omã prevê que os navios entrem no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e saiam por uma rota controlada por Omã, disseram dois funcionários regionais à Associated Press. Seriam cobradas taxas de serviço para garantir a segurança e preservar o meio ambiente marítimo, afirmaram os funcionários.
Os funcionários falaram sob condição de anonimato para discutir as negociações delicadas.
O governo Trump já havia descartado qualquer acordo que desse ao Irã o controle do estreito, que era uma via navegável internacional aberta antes do ataque dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro . Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo passava pelo estreito, mas o tráfego marítimo por essa via foi reduzido a um mínimo, na melhor das hipóteses, devido aos ataques iranianos desde o início da guerra.
Em uma conversa com repórteres na segunda-feira, o presidente dos EUA reiterou sua oposição pública à cobrança.