Sem definição
Impasse sobre vice trava anúncio de chapa e expõe racha na oposição
Disputa entre PDT e PL e condições políticas divergentes ampliam tensão interna e deixam decisão nas mãos de JHC
A definição do candidato a vice-governador na chapa de oposição ao Governo de Alagoas tornou-se o principal entrave para a formalização do grupo político que pretende disputar o Palácio República dos Palmares em 2026. O impasse, registrado em atas de convenções partidárias e confirmado por fontes ouvidas pela Gazeta de Alagoas, evidencia divergências internas e atrasou tanto a divulgação da chapa quanto a consolidação da aliança.
Os documentos partidários revelam entendimentos distintos e até conflitantes entre as siglas que integram o bloco. Enquanto há acordos que apontam para a indicação do vice pelo PDT, outros registros atribuem essa prerrogativa ao PL, criando um cenário de sobreposição de reivindicações e ausência de consenso.
Na Federação PSDB/Cidadania, responsável pela condução do projeto majoritário, a convenção aprovou a formação de chapa própria ao governo e vice, mas sem definição de nomes. A decisão final foi delegada ao presidente da federação em Alagoas, JHC, que recebeu poderes para indicar e registrar os candidatos até o prazo final junto à Justiça Eleitoral.
Já o PDT formalizou em ata um entendimento segundo o qual teria a responsabilidade de indicar o vice na chapa encabeçada por JHC. Com base nesse acordo, o partido aprovou por aclamação o nome do atual vice-governador Ronaldo Lessa para o posto. No documento, Lessa ainda reforça o alinhamento do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa nacional, ao mesmo tempo em que declara apoio a JHC no plano estadual.
Homem é encontrado morto enrolado em fios em São Brás
Avô é preso 5 anos após estuprar neta durante ceia de Natal
Vendiam perfumes furtados no Centro de Arapiraca e acabaram presos
Suspeito de matar duas pessoas durante o réveillon no Pilar é preso
Jovem de 19 anos é morto na parte alta de Maceió
Em direção oposta, a Federação União Progressista (formada por União Brasil e Progressistas) deliberou que a vaga de vice-governador caberia ao Partido Liberal. A ata da federação estabelece, inclusive, que a adesão ao bloco — denominado "Alagoas Forte" — está condicionada à candidatura de JHC ao governo, mas fixa como ponto inegociável que o vice seja indicado pelo PL.
O próprio Partido Liberal também registrou em ata que a indicação do vice é condição para integrar a coligação majoritária. Internamente, segundo relatos obtidos pela reportagem, há intenção da sigla de indicar um nome ligado ao deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, podendo ser um familiar direto, como a esposa ou o filho.
A tensão é agravada por divergências ideológicas e exigências políticas colocadas ao longo da pré-campanha. Integrantes do PL têm reiterado que a participação do partido na coligação depende da ausência de nomes alinhados à esquerda na chapa — condição que entra em choque com a posição do PDT, que mantém apoio declarado ao Presidente Lula.
Outro fator que intensificou o ambiente de disputa foi a declaração recente de Alfredo Gaspar. Ao desembarcar em Maceió na quinta-feira (6), após ser anunciado como candidato a vice-presidente da República na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado afirmou que só apoiará, em Alagoas, candidatos alinhados politicamente ao seu grupo nacional, adicionando mais um elemento de pressão sobre a composição local.
Fontes ouvidas pela Gazeta confirmam que o clima dentro do bloco é de forte tensão. Uma delas avaliou que a omissão, por parte do PSDB/Cidadania, dos nomes da chapa majoritária na ata da convenção foi uma estratégia para evitar o acirramento público das divergências. A mesma fonte reconheceu que há um embate direto entre as principais lideranças — JHC, Arthur Lira e Alfredo Gaspar — em torno da definição do vice.
Diante desse cenário, a decisão final sobre a composição da chapa deve ficar concentrada nas mãos de JHC, que terá a missão de arbitrar o conflito entre os partidos aliados e construir uma solução de consenso — ou assumir o risco de rupturas no grupo.
O prazo para registro das candidaturas termina no próximo dia 15, quando partidos e federações devem formalizar os nomes junto à Justiça Eleitoral.