Letras financeiras
PF investiga aplicações de R$ 97 mi feitas pelo Iprev no Banco Master
Mandados foram cumpridos contra seis investigados e nas sedes do instituto e de uma consultoria
A Polícia Federal realizou, na manhã de ontem, uma ação na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), em meio às denúncias sobre R$ 97 milhões aplicados no Banco Master durante a gestão do ex-prefeito JHC (PSDB). A natureza da diligência ainda não foi detalhada oficialmente, e a PF não confirmou se a presença dos agentes está diretamente relacionada aos investimentos.
O caso envolve aplicações feitas pelo Iprev em letras financeiras do Banco Master. O instituto aprovou um primeiro investimento de R$ 80 milhões em dezembro de 2023 e realizou uma nova aquisição em maio de 2024, no valor de R$ 17 milhões. Os títulos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025, citando grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Com a liquidação, o Iprev passou a buscar a recuperação dos recursos como credor da instituição. As operações já haviam sido levadas à Polícia Federal.
Em junho, o Sindprev, o Movimento Unificado dos Servidores de Maceió e a CUT/AL entregaram uma denúncia que questiona também outros R$ 51,5 milhões aplicados no fundo imobiliário Nest Eagle. As entidades pediram a investigação das decisões tomadas na gestão dos recursos previdenciários.
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A consultoria Crédito e Mercado, que assessorava o Iprev, também está na mira da PF por sua atuação em aplicações realizadas por institutos previdenciários de municípios paulistas. O presidente da empresa participou de uma reunião do comitê do Iprev em 29 de novembro de 2023, quando o Master foi apresentado como oportunidade de investimento. Dois dias depois, o aporte de R$ 80 milhões foi aprovado.
Três valores diferentes aparecem nas denúncias e nas investigações envolvendo os recursos do Iprev de Maceió: R$ 97 milhões, R$ 117 milhões e R$ 168 milhões. Os R$ 97 milhões correspondem ao valor nominal aplicado em letras financeiras. Já os R$ 117 milhões aparecem em denúncias, manifestações políticas e ações judiciais como estimativa do prejuízo relacionado ao banco.
ALVOS
A operação da PF no Iprev de Maceió teve como alvos seis investigados, além das sedes do instituto e da consultoria Crédito & Mercado. Os mandados alcançaram Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do Iprev; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, então coordenador-geral de Investimentos; Renan Foglia Calamia, dirigente da Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante do núcleo de governança; Marcelo Brasileiro Santos, participante do Comitê de Investimentos; e João Felipe Alves Borges, integrante do Conselho de Administração à época das aplicações e atual secretário municipal de Fazenda.
Segundo a decisão, Ronnie assinou as autorizações relacionadas aos aportes, enquanto Gustavo ocupava uma função central na análise das propostas e dos riscos.