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Caso Master

Mendonça leva ao plenário do STF caso envolvendo Moraes e Vorcaro

Relatório da PF detalha mensagens entre ministro e ex-banqueiro e contratos com escritório da mulher

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Ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação que envolve Moraes e Daniel Vorcaro
Ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação que envolve Moraes e Daniel Vorcaro | Foto: STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu levar ao plenário da Corte a análise dos novos elementos da investigação da Polícia Federal que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mendonça também retirou o sigilo do material e defendeu que a discussão ocorra em sessão presencial, de forma pública e transparente. A decisão sobre a inclusão do caso na pauta cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.

O material foi produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo operações de crédito do banco.

Os documentos revelam contatos frequentes entre Vorcaro e Moraes, além de negociações entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. As mensagens também registram pedidos feitos pelo banqueiro a Moraes relacionados às investigações da Polícia Federal e contatos de Vorcaro com pessoas próximas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Um dos principais pontos do relatório é a contratação do escritório Barci de Moraes pelo Banco Master. A negociação começou em janeiro de 2024 e resultou em um contrato com duração de 36 meses e pagamentos mensais de R$ 3 milhões, valor que poderia chegar a cerca de R$ 131 milhões com tributos e demais encargos.

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Os documentos também apontam que Alexandre de Moraes teve participação na análise de uma minuta do contrato. O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro analisou o contrato.

A investigação também identificou a participação do ex-ministro Fábio Faria na aproximação entre Moraes e Vorcaro. Segundo a PF, Faria enviou a Vorcaro, em dezembro de 2023, o contato telefônico identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

“ACHA QUE SEGUNDA JÁ TENHO QUE ESTAR FORA?”

As mensagens mais sensíveis aparecem nos meses que antecederam a primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Segundo a PF, o banqueiro procurou Moraes para tratar do avanço das investigações e pediu que o ministro tentasse influenciar autoridades como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em 16 de novembro, um dia antes de sua prisão, Vorcaro perguntou a Moraes se Andrei Rodrigues poderia adiar o cumprimento de medidas cautelares. Em outra conversa, dois dias antes da prisão, perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

A investigação também registrou uma mensagem enviada por Vorcaro após um encontro com Moraes, na qual o banqueiro afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro e agradeceu por “tudo”.

GONET

O relatório registra ainda contatos indiretos entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. As mensagens indicam que Gonet teria sido convidado para um fórum jurídico em Londres organizado pelo Banco Master, cuja segunda edição acabou sendo cancelada. Segundo a PF, despesas de Gonet e do advogado Ciro Soares estavam entre os gastos previstos pelo banco.

SEGUNDO CONTRATO

A perícia identificou ainda uma forma incomum de comunicação entre Vorcaro e o contato atribuído a Moraes. Segundo a PF, o banqueiro escrevia mensagens no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e as enviava pelo WhatsApp como imagens de visualização única. Moraes teria utilizado procedimento semelhante. Com isso, o conteúdo integral das conversas não foi recuperado.

DISCUSSÃO

A divulgação do relatório provocou tensão dentro do STF. Segundo relatos publicados nesta terça-feira, Moraes procurou Mendonça para conversar sobre a investigação e o encontro teria sido marcado por forte divergência. A informação de que a discussão quase chegou a agressões físicas foi divulgada por colunistas e não foi confirmada oficialmente.

O conflito envolve também a determinação de Mendonça para que a PF identificasse o interlocutor de Vorcaro em mensagens nas quais apareciam os nomes de Gonet e Andrei Rodrigues. A investigação identificou Moraes como o interlocutor.

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