Depoimento
Dono do Banco Master afirma ter sofrido ameaças e diz que delataria diretor da PF
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou, em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 27 de agosto, ter sofrido ameaças durante a prisão. Segundo ele, sua mãe e sua irmã também foram ameaçadas. Vorcaro afirmou ainda que, caso conseguisse fechar um acordo de delação premiada, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, estaria entre os nomes citados.
Durante a oitiva, o banqueiro também disse ter informações sobre integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva que pretendia apresentar em uma eventual colaboração. Segundo Vorcaro, sua relação com autoridades e os fatos que poderia revelar estariam entre os motivos pelos quais as tentativas anteriores de delação não avançaram.
Vorcaro relatou ainda supostas intimidações e maus-tratos por agentes da PF durante transferências entre presídios. A audiência ocorreu sem a presença de policiais, a pedido da defesa.
O gabinete de Mendonça afirmou que a ausência da PF seguiu normas destinadas a preservar a integridade física e psicológica do depoente. A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, pediu o arquivamento do caso, argumentando que o relato não apresentou elementos materiais que justificassem a abertura de investigação.
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PROPINA
Em sua proposta de delação, rejeitada anteriormente pela PF e pela PGR, Vorcaro apresentou outra acusação de grande repercussão. Ele afirmou que os R$ 5 milhões doados oficialmente em 2022 às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas tiveram origem em uma suposta negociação de propina articulada com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo o banqueiro, foram destinados R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio. Os recursos foram repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.
Na versão apresentada pelo banqueiro, os valores seriam contrapartidas pela manutenção do Credcesta, operação de crédito consignado ligada ao Banco Master, no governo de São Paulo. A proposta de delação também mencionaria outros R$ 10 milhões que teriam sido destinados, em caixa dois, ao PSD. As acusações, contudo, foram negadas por Kassab e Tarcísio, que classificaram os relatos como fantasiosos e sem base factual.
PROTEÇÃO
O banqueiro afirmou ainda que passou a buscar aproximação com autoridades políticas e do Banco Central depois de mudanças regulatórias, entre 2022 e 2023, que, segundo sua avaliação, prejudicaram o Banco Master. Ele disse que procurava proteção diante das pressões que enfrentava e reconheceu ter cometido erros nesse processo.
O depoimento a Mendonça ocorreu em meio a um ambiente de tensão entre o ministro e a cúpula da PF. Vorcaro afirmou que mantinha uma relação cordial com Andrei Rodrigues e citou participação em eventos e convites relacionados ao banco.