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VLT deixa Arapiraca com ares de cidade grande e vira vitrine na campanha eleitoral
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Arapiraca começa a viver um daqueles momentos que marcam a história de uma cidade. O Veículo Leve sobre Trilhos, o sonhado VLT, não representa apenas a chegada de um novo meio de transporte: significa mudança de conceito urbano, melhoria da mobilidade, reorganização da cidade e, sobretudo, uma sensação coletiva de avanço. Para a maior cidade do interior de Alagoas, é também um símbolo de crescimento e modernização. E, em pleno período eleitoral, seria impossível imaginar que uma obra dessa dimensão permaneceria fora da disputa pelo governo do Estado. O VLT de Arapiraca já entrou na campanha e certamente será usado como uma das vitrines mais importantes deste processo eleitoral.
A comparação com Maceió surge de forma inevitável. Há anos a capital alagoana procura uma solução estruturante para seu trânsito, especialmente na região da Avenida Fernandes Lima, onde milhares de pessoas enfrentam diariamente congestionamentos, demora e transporte coletivo deficiente. Um sistema de VLT poderia ajudar a modificar essa realidade, mas uma obra desse porte exige muito dinheiro e, principalmente, entendimento entre Prefeitura, governo do Estado e governo federal. O antagonismo político entre esses grupos tem dificultado avanços concretos. No fim das contas, quem paga o preço é o maceioense, vítima de uma disputa que nada contribui para melhorar sua qualidade de vida. Mobilidade urbana deveria estar acima de partidos, projetos pessoais e eleições.
Arapiraca seguiu caminho diferente. O VLT resulta de uma articulação entre a Prefeitura, o governo do Estado e o governo federal, com participação de órgãos ligados à estrutura ferroviária. O projeto ganhou força durante a gestão de Renan Filho no Ministério dos Transportes e avançou até entrar em fase de implantação. É um exemplo de como grandes obras públicas dependem menos de discursos e mais de capacidade de articulação institucional.
Os números mostram a importância do empreendimento. O sistema terá cerca de 13 quilômetros de extensão, aproveitando nove quilômetros de uma malha ferroviária já existente e incorporando mais quatro quilômetros em direção ao campus da Universidade Federal de Alagoas, no bairro Bom Sucesso. Estão previstas sete estações, interligando áreas residenciais, comerciais, administrativas e educacionais. O projeto contará com três composições, cada uma com capacidade para transportar aproximadamente 400 passageiros por viagem, e envolve investimento estimado em R$ 200 milhões.
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A dimensão social é ainda mais expressiva. Arapiraca possui população superior a 240 mil habitantes e exerce influência econômica e comercial sobre dezenas de municípios do Agreste. Todos os dias, milhares de pessoas se deslocam até a cidade para trabalhar, estudar, comprar, buscar atendimento médico ou resolver questões administrativas. Melhorar a mobilidade de Arapiraca significa beneficiar uma região inteira.
O planejamento prevê integração do VLT com ônibus urbanos, ciclovias, táxis e mototáxis. A ideia é criar um sistema em que os ônibus funcionem como alimentadores das estações, permitindo ao passageiro combinar diferentes meios de transporte. A integração com a Ciclovia do Trabalhador reforça essa proposta de modernização urbana. Há, naturalmente, desafios importantes, principalmente em relação à segurança nos cruzamentos com ruas e avenidas. O projeto prevê semáforos inteligentes, alertas sonoros, cancelas e campanhas educativas. Também será fundamental definir uma tarifa acessível, para que o sistema não se transforme apenas em uma bela obra, mas cumpra efetivamente sua função social.
Mas, além de tudo isso, existe uma dimensão política impossível de ignorar: o prefeito Luciano Barbosa surge como um dos grandes beneficiários da realização. Liderança consolidada no Agreste, participa diretamente da implantação do projeto e poderá transformar essa obra em importante ativo eleitoral. Prefeito não transfere votos automaticamente, mas obra concreta, administração bem avaliada e sentimento de avanço criam ambiente favorável para os candidatos apoiados pelo gestor.
Renan Filho também possui ligação direta com o empreendimento. O projeto avançou quando ele comandava o Ministério dos Transportes, e isso oferece à sua candidatura ao governo algo que toda campanha deseja: uma realização visível. Promessas podem ser contestadas, discursos podem ser esquecidos, mas uma obra concreta possui enorme poder simbólico.
O eleitor pode desconfiar da propaganda. Pode questionar uma promessa, mas é difícil convencê-lo de que o trem diante de seus olhos não existe.
É justamente por isso que o VLT entrou com tanta força na campanha eleitoral. A oposição sabe que uma obra dessa dimensão favorece seus adversários e, naturalmente, tentará questionar prazos, custos, eficiência e conclusão. Esse é um papel legítimo de qualquer oposição. Grandes investimentos públicos precisam ser fiscalizados. O que não parece politicamente inteligente é apostar no fracasso de uma obra desejada pela população. Existe diferença entre fiscalizar e torcer para não dar certo.
JHC sabe do peso eleitoral de Arapiraca e do Agreste. Sabe também que a imagem de um VLT circulando pela cidade favorece diretamente o grupo adversário. Por isso, a obra inevitavelmente se transforma em tema da batalha eleitoral. De um lado, estará o discurso da integração entre Prefeitura, Estado e União. Do outro, os questionamentos da oposição.
Nesse cenário, Luciano Barbosa poderá exercer papel decisivo. Sua força política em Arapiraca e sua influência sobre o Agreste podem beneficiar Renan Filho na disputa pelo governo e também os candidatos ao Senado ligados ao grupo político local. Renan Calheiros, candidato à reeleição, e Arthur Lira, candidato ao Senado, entram nessa equação. É precipitado afirmar antecipadamente qual será a votação de cada um, mas existem condições para que esse conjunto de lideranças obtenha desempenho expressivo em Arapiraca e em boa parte da região.
O simbolismo talvez seja ainda maior do que a própria obra.
Enquanto Maceió continua discutindo soluções para um trânsito cada vez mais complicado, Arapiraca coloca um VLT sobre os trilhos.
São cidades diferentes, problemas diferentes e desafios técnicos incomparáveis. Ainda assim, política também é feita de imagens e símbolos. E poucas imagens são tão fortes quanto um trem moderno cruzando uma cidade do interior em pleno ano eleitoral.
Arapiraca deixou há muito tempo de ser apenas uma cidade grande do interior. Tornou-se polo comercial, universitário, médico e empresarial. O VLT chega justamente como resposta a esse processo. Cresceu, expandiu sua influência e passou a enfrentar problemas típicos de grandes centros urbanos.
Mas antes mesmo de transportar passageiros, o VLT já transporta uma enorme carga política. Carrega a marca da administração de Luciano Barbosa, a participação do governo federal e a articulação iniciada durante a passagem de Renan Filho pelo Ministério dos Transportes. Em uma eleição, sentimento conta. Obra conta. Resultado conta. E o VLT de Arapiraca, antes mesmo de iniciar plenamente sua operação, já entrou definitivamente na campanha de 2026.
Este texto usou como base de informação técnica um artigo do engenheiro Rui Guerra, publicado no site Resumo Brasil.