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Reta final

Disputa acirrada pelo Senado deixa eleição imprevisível em Alagoas

Com quatro nomes competitivos para duas vagas, cenário abre espaço para combinações de votos

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Marina Candia, Renan Calheiros, Arthur Lira e Davi Davino Filho aparecem próximos nas pesquisas
Marina Candia, Renan Calheiros, Arthur Lira e Davi Davino Filho aparecem próximos nas pesquisas | Foto: Divulgação

A disputa pelas duas vagas de Alagoas no Senado chega à reta final marcada pelo equilíbrio entre os principais candidatos e por uma combinação de votos difícil de ser captada pelas pesquisas. Renan Calheiros (MDB), Marina JHC (PSDB), Arthur Lira (PP) e Davi Davino Filho (Republicanos) aparecem próximos nos levantamentos mais recentes, deixando em aberto a composição da bancada que representará o Estado em Brasília a partir de 2027.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada na sexta-feira (25) mostra Marina JHC com 23% das intenções de voto, Renan Calheiros com 22% e Arthur Lira com 20%. Davi Davino Filho aparece com 17%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, Marina, Renan e Lira estão tecnicamente empatados, enquanto Davi também se encontra em situação de empate técnico com Lira.

O cenário não é muito diferente do observado no levantamento anterior do mesmo instituto, divulgado em 15 de setembro. Naquela pesquisa, Renan tinha 22%, Marina 21%, Lira 19% e Davi 17%. Ou seja, os quatro principais nomes permaneciam separados por apenas cinco pontos percentuais.

Também na sexta-feira, pesquisa feita pela Quaest apontou Marina JHC e Arthur Lira empatados com 20% das intenções de voto, seguidos por Renan, com 17%, Davi Davino Filho com 10% e Dr. Wanderley com 7%.

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Outro levantamento recente reforça a existência de uma disputa sem um nome isolado. Pesquisa Paraná Pesquisas, entre 18 e 20 de setembro, apontou Arthur Lira com 41,2%, Marina JHC com 37,8%, Renan Calheiros com 34,6% e Davi Davino Filho com 25,7%. Como cada eleitor escolhe dois candidatos, os percentuais representam o conjunto das intenções de voto para as duas vagas.

Para a cientista política Luciana Santana, parte da explicação para o equilíbrio está na própria configuração da eleição deste ano. Segundo ela, a ausência de uma candidatura ao governo estadual que concentre de maneira mais clara as forças políticas acaba repercutindo também na disputa pelo Senado.

Na análise da especialista, o quadro permite que qualquer um dos três nomes mais próximos nas pesquisas possa terminar entre os dois eleitos. Ao mesmo tempo, Davi Davino Filho aparece como uma candidatura competitiva, embora, na avaliação dela, com menor potencial de crescimento na reta final do que Marina JHC.

SEGUNDO VOTO

Um dos fatores que tornam a disputa particularmente complexa é a necessidade de o eleitor escolher dois candidatos. Diferentemente de uma eleição para uma única cadeira, o voto para o Senado em 2026 permite combinações entre nomes de grupos políticos diferentes.

Luciana Santana chama atenção para esse comportamento e afirma que o eleitor pode formar dobradinhas que não necessariamente obedecem às alianças estabelecidas pelas campanhas.

No interior, segundo ela, podem surgir combinações como Renan Calheiros e Arthur Lira. Outros eleitores podem optar por Arthur Lira e Marina JHC ou por Davi Davino Filho e Marina. Essa multiplicidade de combinações dificulta a leitura do cenário e a identificação antecipada de quais candidatos conseguirão transformar a preferência individual em votos suficientes para ocupar uma das duas cadeiras.

A especialista também destaca a necessidade de o eleitor compreender que possui dois votos diferentes. Uma eventual tentativa de repetir o mesmo nome nas duas escolhas não acrescenta votos ao candidato e pode resultar na perda de uma das opções disponíveis.

INTERIOR

Nesse cenário, o comportamento do eleitorado do interior ganha importância especial. Para Luciana, o peso dos municípios fora da capital pode ser um dos elementos capazes de alterar a configuração observada nas pesquisas.

A disputa também está diretamente relacionada às eleições para o governo. As alianças construídas entre os candidatos ao Executivo e os postulantes ao Senado podem produzir transferência de votos, mas não necessariamente de forma automática.

A analista avalia que um desempenho mais forte de Renan Filho na disputa pelo governo pode beneficiar a candidatura de Renan Calheiros ao Senado. Da mesma maneira, um crescimento de JHC poderia favorecer Marina JHC. “Se Renan Filho for muito bem-sucedido ali, conseguir se descolar, por exemplo, de JHC, ele pode beneficiar o Renan Calheiros. E a mesma coisa, o inverso, se JHC se distanciar de Renan Filho, ele pode também beneficiar a candidatura, por exemplo, de Marina”, afirma.

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