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A política que destrói e a Alagoas que precisa continuar

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A campanha eleitoral em Alagoas ultrapassou a fronteira do debate político e ingressou num território perigoso: o da destruição de reputações. Divergir já não basta. É preciso desqualificar o adversário, atingir sua história, sua família e até relações pessoais. Nesse ambiente tóxico, propostas desaparecem e dão lugar à agressão.

É um desperdício. Alagoas tem questões muito maiores a discutir.

A pergunta que deveria orientar esta eleição é objetiva: qual Alagoas Renan Filho encontrou quando assumiu o governo, em 2015, e qual deixou ao encerrar seu ciclo administrativo?

Existem números para responder.

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Quando assumiu, Renan encontrou um Estado historicamente limitado pela fragilidade fiscal e pela reduzida capacidade de investimento. O ajuste das contas públicas mudou esse quadro. Segundo a Secretaria da Fazenda, entre 2015 e 2021, Alagoas realizou mais de R$ 8,6 bilhões em investimentos. Apenas em 2021 foram R$ 3,6 bilhões, equivalentes a 30,8% da Receita Corrente Líquida. A renegociação da dívida também abriu espaço para novos investimentos.

A expressão “ajuste fiscal” costuma assustar porque frequentemente significa apenas cortar despesas. Em Alagoas, entretanto, o equilíbrio financeiro permitiu ao Estado recuperar sua capacidade de realizar obras e ampliar serviços.

Essa talvez seja uma das maiores heranças daquela administração: Alagoas voltou a poder investir.

O Hospital Metropolitano tornou-se referência de média e alta complexidade para pacientes encaminhados dos 102 municípios. As UPAs também passaram a ocupar papel importante na assistência de urgência, ampliando a capacidade de atendimento e desafogando hospitais.

Hospital não é monumento. UPA não é peça de propaganda. São médicos, enfermeiros, exames, cirurgias e milhares de pessoas procurando atendimento todos os dias.

Na segurança pública ocorreu outra mudança importante. Alagoas carregou durante muitos anos a imagem de um dos Estados mais violentos do País. Dados do Atlas da Violência registram queda expressiva dos homicídios ao longo da década passada. Isso não significa que a violência tenha sido vencida — seria irresponsável afirmar isso —, mas indica que houve alteração importante numa realidade que parecia condenada à permanência.

Na educação, políticas iniciadas naquele período, entre elas o Escola 10 e mecanismos de cooperação com os municípios, continuaram posteriormente. Os resultados mais recentes precisam ser compartilhados com as administrações que vieram depois, professores, diretores e municípios. Ainda assim, fazem parte de uma trajetória que começou antes. Em 2025, segundo o Inep, Alagoas alcançou os maiores resultados de sua série histórica do Ideb: 6,4 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,3 no ensino médio.

Esse é justamente o sentido saudável da continuidade administrativa: um governo começa, outro aperfeiçoa e o cidadão recebe o benefício.

A PONTE COM BRASÍLIA

Existe ainda uma dimensão fundamental para qualquer governo alagoano: Brasília.

Alagoas precisa de uma relação institucional eficiente com a Presidência da República, ministérios, Câmara, Senado e órgãos federais. Nenhum governador pode prescindir dessa articulação.

É aí que entram Arthur Lira e Renan Calheiros.

Lira consolidou influência nacional e direcionou recursos federais para Alagoas e seus municípios. Os registros oficiais da Câmara mostram emendas para áreas como saúde, infraestrutura, esporte e desenvolvimento local. Somente em emendas individuais de 2026 disponíveis no portal da Câmara aparecem dezenas de milhões de reais destinados à atenção primária e à assistência hospitalar e ambulatorial no Estado.

Renan Calheiros, por sua vez, acumula décadas de presença no Senado e trânsito institucional em Brasília. Sua atuação também esteve relacionada a questões decisivas para as finanças estaduais. Quando apresentou o balanço fiscal de seu governo, Renan Filho reconheceu a participação do senador na articulação que possibilitou a renegociação da dívida de Alagoas com a União.

Lira e Calheiros possuem diferenças políticas conhecidas. O que interessa ao cidadão é saber se influência política, experiência e acesso aos centros de decisão serão convertidos em recursos, obras e oportunidades para Alagoas.

É nesse contexto que uma eventual articulação entre Renan Filho, Arthur Lira e Renan Calheiros deve ser examinada: não como simples fotografia eleitoral, mas pela capacidade concreta de defender os interesses alagoanos perante o governo federal e o Congresso.

RELAÇÃO INSTITUCIONAL

A relação com o presidente Lula também entrou no centro da campanha. Existem acusações de traição, oportunismo e rompimentos. São afirmações políticas que precisam ser tratadas como tais, e não como fatos objetivos sobre os sentimentos pessoais do presidente.

Não é possível afirmar como fato que Lula guarde “mágoas profundas” de determinado candidato ou que recusaria cooperação institucional com um eventual governador. Aliados de JHC contestam essa interpretação e sustentam que seu campo também pode apoiar Lula. O debate eleitoral sobre lealdade existe, mas deve ser separado daquilo que pode ser comprovado.

Há, entretanto, uma questão legítima por trás dessa discussão: confiança política importa.

Governadores precisam conversar com presidentes, ministros e parlamentares. Precisam construir pontes, apresentar projetos e disputar recursos. Alagoas não pode se dar ao luxo de viver permanentemente em conflito com Brasília.

E Renan Filho possui uma relação política conhecida com Lula e com o governo federal. Como ministro dos Transportes, passou a ocupar justamente uma posição de articulação entre projetos nacionais e investimentos nos Estados.

Isso também será colocado na balança pelo eleitor.

O QUE REALMENTE DEVERIA ESTAR EM JULGAMENTO

É por tudo isso que considero lamentável assistir à transformação da campanha numa guerra de reputações.

Destruir uma reputação leva minutos. Construir um hospital leva anos.

Uma acusação circula nas redes sociais numa tarde. Recuperar as finanças de um Estado exige disciplina durante muito tempo.

Um vídeo ofensivo pode viralizar instantaneamente. Melhorar educação, segurança e saúde exige planejamento, dinheiro, servidores públicos e continuidade.

A campanha deveria discutir outra coisa. Que Alagoas cada candidato pretende entregar daqui a quatro anos? Quanto pretende investir? Quais hospitais ampliará? Como financiará as UPAs? Como pretende melhorar o ensino médio? Como continuará enfrentando a violência? Que obras levará ao Sertão, Agreste, Zona da Mata, Baixo São Francisco e Litoral? E, principalmente, como transformará influência política em Brasília em benefícios para os alagoanos?

Renan Filho apresenta uma administração passada que pode ser julgada pelas realizações e também pelas insuficiências.

Arthur Lira apresenta sua capacidade de articulação política e obtenção de recursos.

Renan Calheiros apresenta longa trajetória no Senado e influência institucional. O eleitor avaliará cada trajetória.

Alagoas não precisa voltar ao tempo em que pobreza, violência e incapacidade de investimento pareciam destino. Tampouco precisa aceitar que uma eleição seja transformada num campeonato de insultos, fake news e assassinatos de reputação.

Os alagoanos têm memória. Conhecem o Estado de ontem e convivem com o Estado de hoje. Podem comparar.

A política passa. A campanha termina. Adversários muitas vezes voltam a conversar no dia seguinte à eleição.

Mas hospitais permanecem. UPAs permanecem. Estradas permanecem. Escolas permanecem. Equilíbrio fiscal permanece. Recursos conquistados permanecem.

E reputações injustamente destruídas deixam cicatrizes.

Por isso, em vez de escolher quem consegue produzir a agressão mais violenta, esta campanha deveria oferecer aos alagoanos elementos para responder à pergunta que realmente interessa: quem apresenta projeto, experiência e capacidade de articulação para conduzir Alagoas nos próximos quatro anos?

A resposta pertence exclusivamente ao eleitor.

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