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Eleições 2026

Candidatos evangélicos têm desempenho limitado nas urnas em AL

Deputado estadual do PP, Mesaque Padilha foi o único postulante do segmento com êxito na votação

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Gunnar e Mesaque tiveram os melhores desempenhos entre os evangélicos
Gunnar e Mesaque tiveram os melhores desempenhos entre os evangélicos | Foto: — Divulgação

A presença de candidatos evangélicos nas eleições de 2026 em Alagoas não se traduziu em uma bancada numerosa no Legislativo. Entre os nomes que declararam à Justiça Eleitoral pertencer ao segmento e utilizaram a pauta cristã como parte da campanha, apenas o deputado estadual Mesaque Padilha (PP) conquistou uma vaga, garantindo a reeleição com 35.521 votos. Os demais candidatos relacionados neste levantamento ficaram como suplentes ou não conseguiram se eleger.

O resultado chama a atenção porque alguns dos concorrentes tiveram votações expressivas. Na corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados, Gunnar Nunes (PP) recebeu 39.568 votos, superando individualmente o total de Mesaque, mas terminou como suplente da Federação União Progressista. Filho do pastor-presidente da Assembleia de Deus em Alagoas, José Orisvaldo Nunes de Lima, Gunnar disputou uma eleição pela primeira vez, após atuar como chefe de gabinete de Mesaque.

Integrante da Assembleia de Deus em Alagoas, Mesaque apostou na defesa dos valores cristãos e da família, bem como no legado de seu primeiro mandato.

No pleito estadual, Oliveira Lima (PSDB), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e ex-vereador de Maceió, recebeu 8.685 votos e ficou como suplente. Pastor João Luiz (PSDB), líder da Igreja do Evangelho Quadrangular e também ex-vereador da capital, teve 4.846 votos. Irmã Nazaré somou 525 votos, enquanto Irmão Alberto obteve 55.

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Na eleição para deputado federal, além de Gunnar, Rute Nezinho (PSD), vice-prefeita de Arapiraca, foi um dos destaques do grupo, com 28.875 votos. Declaradamente evangélica, ela reuniu centenas de lideranças religiosas durante a campanha, mas também ficou na suplência.

Para a Câmara Federal, a esposa do pastor Jacques Balbino, líder da AD Brás Alagoas, a Pra. Claudia Balbino (MDB) obteve 4.939 votos, e Pastor Allan Jefferson (PSDB), 3.887. Pastor Wellington do Pinheiro (PT), conhecido pela atuação em defesa dos moradores dos bairros afetados pelo afundamento do solo em Maceió, recebeu 4.863 votos. Bispo Filho (PL) teve 95 votos.

O quadro evidencia que a identificação religiosa e a mobilização de comunidades de fé não são suficientes, isoladamente, para assegurar uma vaga. Nas eleições proporcionais, o resultado depende também do desempenho dos partidos e das federações, responsáveis pela distribuição das cadeiras.

MUDANÇAS NO VOTO EVANGÉLICO NO PAÍS

O desempenho em Alagoas também pode ser analisado à luz de um movimento nacional. Candidatos tradicionalmente ligados a igrejas evangélicas enfrentaram perdas de votos e derrotas em diferentes disputas pelo país. Em contrapartida, políticos que se declaram evangélicos e possuem forte identificação com o bolsonarismo, mas não representam oficialmente uma denominação religiosa, obtiveram grandes votações.

Entre os exemplos nacionais estão Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que alcançaram votações recordes. O contraste sugere que a identidade evangélica pode ter maior alcance eleitoral quando combinada com posicionamentos políticos mais amplos, presença nas redes sociais e pautas conservadoras, em vez de depender exclusivamente do vínculo institucional com uma igreja.

Essa tendência ajuda a compreender o resultado alagoano. A campanha de candidatos como Mesaque Padilha e Gunnar Nunes procurou mobilizar eleitores em torno de valores cristãos e da representação política do segmento. No entanto, o desempenho dos demais nomes mostra que essa estratégia não produz efeitos uniformes.

A votação de Gunnar, por exemplo, indica capacidade de mobilização, mas não foi suficiente para garantir uma cadeira na Câmara. Já Mesaque conseguiu converter sua atuação parlamentar e sua base eleitoral em mais um mandato.

O resultado não significa, necessariamente, um enfraquecimento da influência evangélica na política alagoana. Os dados considerados se restringem aos candidatos relacionados nesta apuração, e a identidade religiosa não é o único fator que orienta o voto de quem frequenta igrejas. O cenário aponta, sobretudo, que a pauta cristã continua presente na disputa eleitoral, mas não assegura, por si só, a eleição de seus representantes.

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