Eleições 2026
Às vésperas do 2º turno, direita e esquerda disputam apoios e força nas ruas de AL
Atos e reuniões para costura de alianças entram na estratégia final das campanhas presidenciais no Estado
A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo dia 25, a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mobiliza as principais forças políticas de Alagoas. Com a polarização nacional ainda sem um desfecho previsível, os dois grupos intensificam as articulações para ampliar apoios, consolidar alianças municipais e levar militantes às ruas, numa tentativa de converter influência política em votos.
A movimentação ocorre em diferentes frentes. De um lado, o Governador Paulo Dantas (MDB) assumiu a coordenação da campanha de Lula em Alagoas e passou a concentrar esforços na mobilização da base governista. Licenciado do cargo, Dantas convocou a população para participar da caminhada Bora Lula, marcada para domingo, a partir das 9h, no corredor Vera Arruda, na orla de Maceió.
Do outro, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, e o senador eleito Arthur Lira (PP) trabalham para ampliar a adesão de prefeitos, vereadores e lideranças do interior.
Na segunda-feira (19) Gaspar terá atos de campanha em Penedo, Porto Real do Colégio e Girau do Ponciano. No próximo sábado (24), ele estará em Arapiraca e Maceió.
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O deputado estadual eleito Leonardo Dias (PL) também convocou apoiadores da direita alagoana para o Bloco do 22, marcado para o próximo dia 22 de outubro, em Maceió, com a presença do senador eleito por Santa Catarina Carlos Bolsonaro. A mobilização terá concentração às 18h22, na Praça Vera Arruda, e seguirá em caminhada até o Marco dos Corais.
ARTICULAÇÃO
Os movimentos dão dimensão estadual a uma disputa que, embora tenha como protagonistas dois candidatos à Presidência, depende também da capacidade de articulação dos grupos políticos locais. Em Alagoas, onde as alianças municipais têm peso na organização das campanhas, a declaração pública de apoio de um prefeito ou vereador funciona como sinalização política e instrumento de mobilização de eleitores.
Na direita, a estratégia tem como um de seus eixos centrais a expansão da rede de apoios municipais. Alfredo Gaspar e Arthur Lira reuniram prefeitos alagoanos em Maceió no dia 9 de outubro para fortalecer a campanha de Flávio Bolsonaro. O encontro foi apresentado como uma forma de ampliar o grupo de gestores municipais alinhados ao candidato do PL, com a meta de alcançar pelo menos 30 prefeitos.
A iniciativa tem relevância porque envolve lideranças de várias legendas, inclusive prefeitos do MDB que estiveram no campo político de Renan Filho durante a eleição estadual.
A atuação de Arthur Lira acrescenta peso à investida. Eleito senador, o ex-presidente da Câmara dos Deputados mantém relações políticas construídas ao longo de sua trajetória em Brasília e em Alagoas. Sua participação nas tratativas pode ajudar a aproximar a campanha de Flávio de gestores municipais e lideranças que não integram formalmente o PL.
ESQUERDA
A decisão de Paulo Dantas de se licenciar do governo para coordenar a campanha de Lula é um dos principais movimentos da reta final em Alagoas. O afastamento foi anunciado nesta semana e abriu espaço para que o governador se dedique à articulação eleitoral até o fim do mês.
A entrada direta de Dantas confere à campanha petista um articulador com interlocução institucional e partidária em diversas regiões do Estado.
Nesse contexto, os senadores Renan Calheiros e Renan Filho, ambos do MDB, também representam peças importantes. Com experiência eleitoral e presença em distintos segmentos da política alagoana, os dois podem contribuir para a articulação de lideranças e para a defesa da candidatura petista junto a prefeitos, vereadores e outros aliados.
A capacidade de reunir esse grupo em torno de Lula será um dos fatores observados nos próximos dias. Mais do que somar declarações de apoio, o desafio da campanha é manter a base mobilizada e ampliar a participação de eleitores em um estado onde o presidente conta com uma estrutura política consolidada, mas enfrenta concorrência da direita em áreas estratégicas.
Maceió é um dos maiores redutos eleitorais da direita no Estado e esteve entre os municípios em que Flávio Bolsonaro superou Lula no primeiro turno. O resultado contrasta com o desempenho do petista no conjunto de Alagoas, onde terminou à frente do adversário.
O cenário também tem um componente particular: o governador eleito JHC (PSDB) ainda não definiu publicamente seu posicionamento no segundo turno presidencial. O PSDB nacional deixou seus integrantes livres para decidir sobre o apoio. Uma eventual manifestação de JHC, portanto, pode ter repercussão política, sobretudo pelo resultado expressivo obtido por ele na eleição estadual e pela influência de seu grupo em Maceió.