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Canal do Sertão: a nova bancada precisa entregar resultados

O futuro senador Arthur Lira tem a obrigação de liderar essa pauta

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Petrolina e Juazeiro mostram que o semiárido pode produzir riqueza, gerar empregos e conquistar mercados. A seca impõe dificuldades, mas não determina uma sentença de pobreza. Com água, conhecimento, investimento e organização, a terra responde. A pergunta que Alagoas precisa fazer, com firmeza e sem aceitar respostas de palanque, é por que o Canal do Sertão ainda não provocou uma transformação produtiva à altura da esperança e dos recursos públicos depositados nessa obra.

Não seria correto afirmar que a irrigação alagoana não produz resultado algum. Existem agricultores trabalhando, experiências bem-sucedidas e perímetros produtivos no Estado. Esses empreendimentos, porém, estão no Baixo São Francisco e não devem ser confundidos com a promessa de desenvolvimento vinculada ao Canal do Sertão. Reconhecer o que existe dá mais consistência à cobrança pelo que ainda falta.

A comparação com Petrolina e Juazeiro tem de respeitar diferenças de escala, solo, culturas e tempo de implantação. Mas essas distinções não podem servir de esconderijo para a acomodação. Naquela região, consolidaram-se estruturas de irrigação, pesquisa, gestão, serviços e comercialização. O Projeto Nilo Coelho começou a operar em 1984. Seu exemplo mostra o valor da continuidade: uma política de desenvolvimento precisa sobreviver aos mandatos e amadurecer com os produtores.

Em Alagoas, os documentos revelam quanto ainda havia por estruturar. Uma licitação da Codevasf, em 2023, previa estudos de viabilidade, anteprojeto e modelagem de concessão para irrigação na área de influência do canal, em São José da Tapera e Senador Rui Palmeira. É legítimo perguntar o que avançou desde então, quais obstáculos permanecem e quem responde por cada providência pendente.

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É nesse ponto que entra a responsabilidade da bancada alagoana em Brasília. Deputados e senadores não executam diretamente os projetos, mas aprovam o orçamento, fiscalizam o governo e dispõem de instrumentos de articulação política. Devem utilizá-los para reunir os responsáveis, destravar decisões e acompanhar resultados. Os novos deputados e senadores precisam assumir essa questão como compromisso coletivo. O primeiro passo deve ser um diagnóstico público, com informações verificáveis. Sem essas respostas, o debate continuará preso à propaganda.

Depois do diagnóstico, é necessário um plano integrado, com responsáveis, orçamento e prazos. O governo estadual, o Ministério da Integração, a Codevasf, as instituições de pesquisa, os municípios e os produtores têm de trabalhar com obrigações definidas. À bancada cabe acompanhar esse roteiro, cobrar explicações pelos atrasos e tornar público o cumprimento de cada etapa.

Também é fundamental planejar a venda antes de estimular a expansão do plantio. O agricultor precisa conhecer os custos, escolher culturas adequadas e encontrar compradores. Necessita de orientação permanente, condições de financiamento e estrutura para conservar e transportar a produção. Água na propriedade abre uma possibilidade; a renda depende de todo o caminho até o mercado.

A medida do sucesso deve aparecer na vida das pessoas: produção sustentável, renda, emprego e capacidade de permanecer no campo com dignidade. Quilômetros de canal são importantes, mas não encerram a tarefa pública.

A nova bancada tem a oportunidade de estabelecer outro padrão de atuação. Pode fazer do Canal do Sertão uma prioridade acompanhada durante todo o mandato, com prestação de contas e metas que o cidadão consiga conferir. Para isso, será preciso substituir a disputa pela autoria dos anúncios pela corresponsabilidade nas entregas.

Alagoas não precisa de mais uma promessa grandiosa sem calendário. Necessita saber o que será feito, por quem, com quais recursos e até quando. A água já alimentou esperança demais. Os parlamentares recém-eleitos devem concentrar esforços para que ela alimente, cada vez mais, a produção e a dignidade dos sertanejos.

Nesse debate, Arthur Lira merece uma cobrança direta. Hoje, senador eleito, depois de presidir a Câmara dos Deputados e acumular expressiva capacidade de articulação em Brasília, poderia, na minha avaliação, ter feito mais pelo aproveitamento produtivo do Canal do Sertão. Sua influência política na Codevasf, com aliados em posições de comando, amplia o dever de apresentar resultados nessa área. Quem detém tamanho poder de negociação precisa ser cobrado na proporção desse poder.

Não se trata de ignorar os recursos que ajudou a encaminhar nem de atribuir a um parlamentar todas as dificuldades do empreendimento. A questão é de prioridade e continuidade: quanto de sua força política foi mobilizado para transformar a água do canal em irrigação, produção e renda? Que entraves ajudou a superar? Quais projetos efetivamente saíram do papel?

Arthur Lira tem agora a oportunidade de assumir essa agenda como compromisso central de seu futuro mandato no Senado, reunindo a bancada e cobrando dos órgãos responsáveis um plano com orçamento, metas e prazos. Seu peso político pode ajudar Alagoas a avançar. É justamente por reconhecer essa capacidade que cobro mais: o sertanejo tem de sentir na própria vida os resultados do poder que seus representantes exercem em Brasília. Lira foi o campeão de votos e precisa devolver esse legado em trabalho efetivo para o desenvolvimento do estado. Alagoas vai cobrar essa dívida.

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