Críticas
Trump chama eleição brasileira de ‘desgraça’ e promete falar com Lula
Republicano volta a questionar o pleito e evita responder sobre a legitimidade da vitória do petista
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar as eleições brasileiras ontem, classificando como uma “grande vergonha” e “uma desgraça” o pleito que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O republicano afirmou que pretende conversar com o petista e disse ter atendido a um pedido de Lula para não apoiar nenhum candidato durante a campanha.
“Eu assisti à eleição e não tomei partido. O atual presidente me pediu para não tomar partido. [...] Mas, quando assisti ao que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça”, declarou Trump, sem apresentar provas de irregularidades.
Na terça-feira (27), durante um comício no Texas, o norte-americano já havia sugerido que a eleição brasileira poderia ter sido fraudada. Até o momento, a Casa Branca não se manifestou oficialmente sobre a vitória de Lula. Segundo o portal Metrópoles, também não havia previsão de uma conversa entre os dois presidentes.
Lula e Trump poderão se encontrar em dezembro, durante a Cúpula de Líderes do G20, nos Estados Unidos. Os dois já haviam conversado sobre o processo eleitoral em agosto, quando o brasileiro afirmou que a votação transcorria normalmente e destacou a segurança do sistema eleitoral.
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FLÁVIO BOLSONARO
Enquanto Trump questiona o resultado eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula, esteve nos Estados Unidos e foi recebido pelo presidente norte-americano neste ano. Após chegar a Miami na quarta-feira (28), o senador publicou uma carta com críticas ao sistema eleitoral brasileiro, na qual se intitulava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Horas depois, substituiu a expressão por “líder do Brasil”.
Questionado sobre quem considera o legítimo presidente do Brasil, Trump evitou responder. A viagem de Flávio também gerou questionamentos, diante de uma decisão judicial que o impedia de deixar o país, segundo informações divulgadas pela imprensa.
A aproximação entre o grupo político de Flávio e o governo norte-americano ocorre após o tarifaço imposto por Washington a produtos brasileiros. Na campanha de Lula, auxiliares do presidente avaliavam que um eventual apoio de Trump à oposição poderia ser prejudicial ao adversário, em razão do desgaste provocado pelas medidas comerciais.