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Perseguição a trabalhadores por voto provoca confronto de ideias na ALE

Ronaldo Medeiros denuncia retaliação a trabalhadores; Cabo Bebeto defende liberdade de escolha

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Ronaldo Medeiros denuncia perseguição a trabalhadores; Cabo Bebeto defende liberdade de escolha
Ronaldo Medeiros denuncia perseguição a trabalhadores; Cabo Bebeto defende liberdade de escolha | Foto: ALE

A perseguição a trabalhadores por voto provocou confronto de ideias entre deputados de campos antagônicos em Alagoas. Ronaldo Medeiros (PT) e Cabo Bebeto (PL) apresentaram posicionamentos distintos sobre a relação entre as convicções políticas de trabalhadores e empregadores.

O tema também motivou manifestações de representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que anunciou prioridade para a apuração de denúncias de ameaças de demissão e outras formas de pressão relacionadas à escolha eleitoral dos funcionários.

Durante o pronunciamento na Assembleia, Ronaldo Medeiros criticou relatos de empresários que estariam demitindo trabalhadores ou incentivando o desligamento de pessoas por terem votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar também mencionou iniciativas de fiscalização das redes sociais e das relações pessoais de funcionários em razão de suas posições políticas.

“Num país democrático que nós vivemos, o voto à vontade do trabalhador não pode ficar submisso à vontade do empregador”, afirmou o deputado.

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Para Ronaldo Medeiros, a pressão política no ambiente profissional representa uma ameaça à liberdade individual e ao direito de escolha nas urnas. Ele defendeu a atuação de órgãos como o Ministério do Trabalho e a Polícia Federal para coibir eventuais práticas ilegais.

Em contraponto, o deputado Cabo Bebeto apresentou uma visão diferente sobre a relação entre patrões e empregados. Para ele, tanto o empregador quanto o trabalhador têm o direito de escolher com quem desejam manter uma relação profissional.

“É um direito do patrão selecionar os seus funcionários e é um direito também de funcionário selecionar seu patrão”, declarou o parlamentar, ao defender que trabalhadores insatisfeitos com a relação profissional procurem empregadores com quem tenham maior afinidade, inclusive ideológica.

O superintendente regional do Trabalho e Emprego em Alagoas, Cícero Filho, afirmou que demitir um trabalhador por ter votado em determinado candidato ou por divergir politicamente do empregador não constitui um direito patronal.

“Demitiu um trabalhador porque votou em Lula, Flávio ou qualquer candidato, porque é direita ou esquerda, ou porque pensa politicamente diferente do empregador, não é um direito patronal. Pelo contrário, é crime, é assédio eleitoral e discriminação política”, declarou.

Cícero ressaltou que o voto é livre e secreto e que a liberdade de escolha política é assegurada pela Constituição Federal. Ele também citou a Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias para efeitos admissionais ou de permanência da relação de trabalho, e a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da discriminação em matéria de emprego e profissão.

O superintendente afirmou que as denúncias recebidas serão apuradas.

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