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Alagoas no Congresso: mantemos o tamanho, mas perdemos poder

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Imagem ilustrativa da imagem Alagoas no Congresso: mantemos o tamanho, mas perdemos poder
| Foto: Divulgação

Na política, nem sempre quem ganha uma eleição conquista poder. E nem sempre quem perde nas urnas deixa de exercê-lo. Essa talvez seja a principal lição da nova composição da bancada federal de Alagoas no Congresso Nacional. Continuaremos com nove deputados federais e três senadores. Numericamente, nada mudou. Politicamente, entretanto, a realidade é bem diferente e, sob determinados aspectos, preocupante.

A força de um estado em Brasília não se mede apenas pela quantidade de parlamentares, pelo número de votos recebidos ou pelo volume de emendas distribuídas. O verdadeiro poder está na influência sobre as decisões nacionais, no acesso aos centros de comando da República e na capacidade de transformar prestígio político em investimentos e resultados concretos. É justamente nesse terreno que Alagoas poderá perder espaço.

Sem dúvida, a derrota de Renan Calheiros representa a maior perda política do Estado. Pode-se gostar ou não de Renan, concordar ou discordar de suas posições, mas desconhecer sua dimensão nacional seria negar uma realidade construída ao longo de décadas. Presidente do Senado e do Congresso Nacional em diferentes períodos, ministro da Justiça e personagem central de decisões decisivas da República, Renan tornou-se um dos mais experientes e respeitados interlocutores da política brasileira.

Pouquíssimos alagoanos alcançaram tamanho destaque nacional. Sua presença em Brasília representava muito mais do que uma cadeira no Senado. Significava acesso, capacidade de negociação, prestígio e influência junto aos sucessivos governos. Ao longo de seus mandatos, destacou-se na articulação de recursos federais, investimentos e obras estruturantes que contribuíram para o desenvolvimento de Alagoas. Sua proximidade com o Palácio do Planalto e sua experiência nos bastidores do poder conferiram ao estado uma importância política superior ao seu peso econômico e populacional.

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Essa influência não se improvisa. É construída com tempo, conhecimento das instituições e relações consolidadas. Alagoas perde, portanto, não apenas um senador experiente, mas um valioso instrumento de articulação nacional. E essa ausência será sentida.

Contudo, enganou-se quem apostou que sua derrota equivaleria ao encerramento da carreira política. Renan permanece como liderança nacional do MDB, mantém relações históricas com o presidente Lula e conserva expressiva força política em Alagoas, especialmente no interior. Seu nome poderá voltar às articulações do novo governo, inclusive para ocupar funções relevantes na administração federal. Nada está definido, mas seu capital político permanece. Renan perdeu a eleição. Não perdeu, necessariamente, o poder.

Arthur Lira chega ao Senado respaldado pela maior votação entre os eleitos, resultado de uma poderosa estrutura política edificada durante anos. Presidiu a Câmara dos Deputados por dois mandatos consecutivos, tornou-se uma das principais lideranças do Centrão e exerceu enorme influência sobre o orçamento federal, especialmente por meio das bilionárias emendas parlamentares. É, reconhecidamente, um articulador habilidoso, capaz de firmar alianças e consolidar apoios.

Mas existe uma diferença fundamental entre presidir a Câmara dos Deputados e chegar ao Senado como apenas mais um entre seus 81 integrantes. Na Câmara, Lira comandava a pauta, negociava diretamente com o Executivo e exercia extraordinário poder institucional. No Senado, encontrará um ambiente diferente, ocupado por ex-governadores, ex-ministros, lideranças partidárias históricas e personagens com décadas de influência nacional.

Sua identificação com setores da oposição ao governo Lula também poderá dificultar o acesso aos centros de decisão. Ainda assim, conhecendo sua trajetória, marcada pelo pragmatismo e pela capacidade de adaptação às circunstâncias políticas, não seria surpresa uma reaproximação com o Planalto. Afinal, a flexibilidade de posições sempre foi uma característica de sua atuação. Uma coisa é conquistar votos em Alagoas. Outra, muito diferente, é conquistar poder em Brasília.

A eleição de Marina Candia, conhecida como Marina JHC, constitui outro fenômeno da política contemporânea: a força das redes sociais, da transferência de prestígio familiar e das estruturas eleitorais consolidadas. Sua vitória está diretamente relacionada à popularidade e à articulação do marido, JHC, eleito governador de Alagoas. Marina soube forjar uma imagem pública favorável e comunicar-se eficientemente com o eleitorado.

Porém, o Senado Federal não é um palco de popularidade, muito menos uma extensão das redes sociais. É uma instituição que exige preparo, conhecimento dos grandes problemas nacionais, domínio das questões legislativas e capacidade de enfrentar debates complexos. Marina chega sem experiência parlamentar, sem trajetória nacional e sem posições programáticas suficientemente conhecidas.

Nesse novo cenário, Renan Filho surge como o representante alagoano com melhores condições de exercer protagonismo nacional no Senado. Seu mandato prossegue até janeiro de 2031, e sua trajetória reúne atributos significativos: foi governador por dois mandatos, ministro dos Transportes e estabeleceu uma relação próxima com o presidente Lula e integrantes do governo federal.

Sua passagem pelo ministério ampliou sua visibilidade nacional e consolidou relações com os principais setores da administração pública. Tem experiência executiva, conhecimento técnico, capacidade de articulação e trânsito político. A derrota na disputa pelo governo estadual não elimina essas credenciais. Sua permanência no Senado poderá abrir uma nova fase de ascensão, com possibilidade de ocupar posições relevantes nas comissões e participar das grandes negociações legislativas.

Na Câmara dos Deputados, a situação também merece preocupação. A nova bancada reúne estreantes sem experiência parlamentar e políticos mais antigos cujas trajetórias não indicam, necessariamente, capacidade de protagonismo nacional. Renovação é necessária, mas renovar não significa transformar o Congresso em uma escola de aprendizagem política.

O mandato de deputado federal requer preparo, visão de Estado e compreensão dos grandes desafios nacionais. Não basta frequentar solenidades, divulgar fotografias nas redes sociais ou anunciar emendas para redutos eleitorais. É preciso participar das discussões estratégicas, conquistar posições relevantes nas comissões e defender projetos estruturantes. Quantos dos nossos nove deputados terão condições de exercer verdadeira liderança em Brasília? Quantos serão ouvidos nas decisões que realmente importam? Existe o risco de termos uma bancada numericamente completa, mas politicamente opaca, ressalvadas possíveis exceções que somente o tempo revelará.

E, nesse ambiente, Renan Calheiros e Renan Filho continuam reunindo condições privilegiadas de interlocução com o Palácio do Planalto. A proximidade com Lula, a presença nacional do MDB e as relações cultivadas ao longo dos anos configuram instrumentos valiosos na defesa dos interesses estaduais. Isso não significa que outros parlamentares não possam conquistar resultados, mas seria ingenuidade desconhecer os mecanismos reais de funcionamento do poder em Brasília.

O verdadeiro poder político não se mede apenas nas urnas. Mede-se pela capacidade de abrir portas, influenciar decisões, defender interesses estratégicos e garantir que um estado pequeno tenha voz nas grandes questões nacionais.

Alagoas manteve o número de representantes no Congresso. Mas perdeu uma parcela importante de sua influência em Brasília. E, na política, como na vida, existem perdas que os números não conseguem explicar.

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