Política
PT usa carros oficiais em campanha de candidato
São Paulo - Pelo menos 16 carros do poder público foram utilizados terça-feira para levar assessores e correligionários políticos ao lançamento do programa de governo de José Genoíno, candidato pelo PT ao governo de São Paulo. A partir das 15h, quando estava previsto o início do evento, até as 17h, um promotor, que pediu para não ser identificado, montou guarda à paisana em frente ao Club Homs e anotou as placas de todos os veículos públicos que chegaram para o evento petista. Segundo ele, a Promotoria foi acionada por meio de um telefonema anônimo. Pesou o fato, disse ele, de o Club Homs estar localizado em frente a um dos prédios do Tribunal de Justiça de São Paulo, na Avenida Paulista, o que transformou o uso irregular dos carros em uma ?afronta? ao Poder Judiciário. A reportagem registrou a entrada de dois carros de administrações regionais, um da Vila Prudente e outro do Ipiranga. Veículos de representação, com chapa preta, também foram utilizados mas, segundo a Promotoria, isso não constitui ilegalidade, pois os mesmos estão a serviço da autoridade responsável. É o caso, por exemplo, de um carro com o logotipo da Câmara Municipal de Santo André, sob responsabilidade do vereador Raulino Lima (PT), usado para levar duas assessoras. ?Estamos a trabalho?, disse uma das mulheres, sem se identificar. O promotor afirmou que irá representar, hoje, ao Tribunal Eleitoral contra os responsáveis pelos carros. A prática burla o artigo 73, da lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, que diz ser proibido fazer ou permitir o uso promocional de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração pública em favor de candidato, partido político ou coligação. Mas antes, segundo a Justiça Eleitoral, é preciso constatar se os carros realmente foram utilizados com finalidade eleitoral, de maneira irregular, ou se foram usados para transportar alguma autoridade. Se confirmado o uso irregular, as punições previstas pela legislação eleitoral vão desde uma multa de cerca de R$ 110 mil à cassação da candidatura.