Política
Indicadores sociais desafiam governo
?Tempo de semear e colher?. Na capa azul da revista de 86 páginas, o título vem em branco abaixo da foto de uma criança sorridente, diante de um prato de comida bem servido no recreio da escola. A publicação foi espalhada por Alagoas na última semana, desde a segunda-feira, 25, quando o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) resolveu dividir um café da manhã com jornalistas em Maceió. Foi com a mesa servida que profissionais da imprensa folhearam os três anos de governo. A revista foi o jeito que o governador encontrou de prestar contas no ano de disputa eleitoral. ?Mesmo enfrentando dificuldades locais e conjunturais, o Estado avançou, cresceu e se fortaleceu?, escreveu o governador, no texto de abertura. Nele, Vilela resume sua gestão dando ênfase ao combate à mortalidade infantil, à instalação de um estaleiro, à continuidade da construção do quase lendário Canal do Sertão, ao planejamento da Educação com o projeto Geração Saber, aos avanços no turismo, à credibilidade fiscal e à agricultura cuja produção, segundo ele, bateu recordes em 2009. ### Grande maioria em AL vive na pobreza Vale a comparação: ?A pobreza e a esperança são mãe e filha. Ao se entreter com a filha, esquece-se da mãe?, escreveu certo dia o filósofo francês Jean-Paul Sartre. Na realidade alagoana, seria correto afirmar que este ?esquecimento? já dura décadas. A pobreza em Alagoas atinge dois terços da sua população. Em 1995, os pobres somavam 68,2% no Estado. Passados 15 anos, o índice está em 60,42%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao ano de 2007. A melhora é considerada pequena pelos especialistas no assunto. Para o economista Cícero Péricles, o fato é que falta compromisso político para dizimar a pobreza em Alagoas. ?O combate a esse fenômeno passa pela articulação entre políticas públicas de caráter urgente, como os programas de transferência de renda; com políticas universais de médio e longo prazo, como educação e saúde, aliadas aos investimentos produtivos, a exemplo dos microcréditos, mas que cheguem à maioria da população, que, no caso do nosso Estado, é pobre ou indigente?, disse ele. ### Título de campeão em mortalidade envergonha Estado Entre os anos 2000 e 2007, morreram 13.193 crianças em Alagoas antes de um ano de idade. No período, em média, 1.885 bebês por ano foram enterrados no Estado. Esta é outra ?medalha? que os alagoanos não gostariam de carregar: a de campeão em mortalidade infantil. Em 1990, o Estado já era o primeiro em mortes de crianças com até 12 meses de nascidas. No universo de mil, 102,2 acabaram falecendo (Veja tabela abaixo). No Nordeste, o segundo pior Estado era a Paraíba, com taxa de 81,9. Ao longo de décadas, o número de mortes vem diminuindo no Brasil inteiro. A redução é constante, desde 1979, pelo menos. De acordo com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), gerido pelo Ministério da Saúde, naquele ano, 6.637 alagoanos não sobreviveram. Morreram antes do primeiro aniversário. Em 1985, o Estado registrou uma redução significativa: saiu da marca dos 6.786 bebês mortos para 4.936. Dez anos depois, em 1995, o número de óbitos estava em 2.308. ### Ações para reduzir número de mortes O pacto pela redução da mortalidade infantil contempla os Estados do Norte e do Nordeste. Em Alagoas, 14 municípios foram priorizados. São cidades que centralizam os hospitais, registrando, desta forma, os maiores números de ocorrências. Porém, em 5 deles ? Maceió, Coruripe, Joaquim Gomes, Marechal Deodoro e União dos Palmares ? o número de óbitos registrou aumento entre 2006 e 2008, segundo o Ministério da Saúde. Em outros 32 municípios ? entre eles, 5 prioritários ?, as taxas de mortalidade de 2008, calculadas pela própria Secretaria Estadual de Saúde, são consideradas de risco alto (acima de 50 óbitos para cada mil nascidos vivos) e risco médio (acima de 20). ### Primeiro lugar no País em analfabetismo Em número de analfabetos, Alagoas também é primeiro lugar no Brasil. Como na mortalidade infantil e na pobreza, o Estado ostenta a pior colocação ao longo de anos seguidos. Entre 2001 e 2007, de acordo com números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Alagoas segue com a pior taxa de analfabetismo do Nordeste, região onde há o maior percentual de pessoas com 15 anos ou mais incapazes de ler e escrever. Apesar de haver uma redução contínua nos índices do Brasil inteiro, o Estado não consegue se livrar da última posição. Na tabela ao lado, é possível observar que em 2001, Alagoas contava com 30,59% da sua população, com idade igual ou superior a 15 anos, composta por analfabetos. O segundo pior Estado naquela época era a Paraíba, com 27,19%. Em 2007, todos os Estados melhoraram. Mas Alagoas continuou com a maior proporção de analfabetos do país, somando 25,14% de analfabetos em sua população, contra 23,14% da Paraíba, que continuou na segunda colocação. ///