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Política

O partido que chegou ao poder

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Três décadas atrás, a ditadura militar estava em seu estágio terminal. Depois de 16 anos de batalhas contra as forças de resistência, o regime agonizaria por mais cinco anos apenas. Em 1974, o governo já admitira a abertura política ?lenta, gradual e segura?. Meia década mais tarde, em 1979, o Brasil libertaria seus presos políticos e abriria os braços para os filhos exilados. Eram os primeiros sinais do renascimento da democracia brasileira. A economia, que viveria os piores anos com inflação descontrolada, já cambaleava em 1980, enquanto operários se inquietavam por melhores condições de trabalho. Um ano antes, a reforma política estreou o pluripartidarismo no País. Unidos, estudantes, assalariados, intelectuais e católicos desprendiam aos poucos os gritos silenciados. Era o Partido dos Trabalhadores (PT) mostrando pela primeira vez a sua cara. O partido que ?nascia das massas?. No dia 10 de fevereiro de 1980, num domingo, pouco antes do carnaval, invocando o ?socialismo democrático?, num colégio de freiras em São Paulo, 1.200 petistas aprovaram o manifesto de lançamento da nova sigla de esquerda. O documento sinalizava uma militância de recusa ao socialismo soviético e chinês. O debate foi acirrado naquele ano, que também marcaria as famosas greves do ABC, lideradas pelo então torneiro mecânico de São Bernardo dos Campos, Luiz Inácio Lula da Silva. ### Delegado organiza festa em bar Apesar dos percalços, os 30 anos do PT não passaram em branco em Maceió. Na quarta-feira passada, a festa foi para poucos, no bar Rapa Nui, na Ponta Verde. Uma nova estrela do PT alagoano brilhou mais do que todo mundo. De paletó e gravata vermelha, o delegado da Polícia Federal José Pinto de Luna, que se filiou ao PT no dia 11 de setembro de 2009, anunciou desde lá a intenção de disputar o Senado este ano. Ele idealizou a festa, para também lançar seu site pessoal aos cerca de 150 convidados. Mas que PT é este que apaga velinhas 30 anos depois de sua criação? Nas páginas a seguir, a Gazeta traz personagens da história do partido em Alagoas, figuras que participaram das primeiras atividades do PT no Estado. Alguns, como o compadre de casamento do presidente Lula, Adelmo dos Santos, oriundo do Sindicato dos Radialistas e hoje assessor parlamentar do deputado estadual Paulão, continua apaixonado pela legenda, apesar da tristeza que ainda sente quando ouve falar de ?mensalão?. ### Compadre do presidente Lula Em 1976, Adelmo dos Santos estava assumindo o Sindicato dos Radialistas em Alagoas. Era um jovem de 26 anos, que havia deixado Palmeira dos Índios, em 1969, para batalhar dias melhores na capital. Militava durante a ditadura, no tolhido movimento sindical da época. Mas em 1978, começara a ouvir falar do rebuliço que inquietava a região do ABC paulista. Colocou na cabeça que tinha que trazer para Maceió aquele torneiro mecânico que tanto barulho fazia rebatendo os ditames patronais. Ele queria reunir os sindicalistas e revigorar a força dos trabalhadores naquela reta final do regime militar. Atenta, a polícia não vacilou. ?O plano vazou e por isso fui chamado umas oito vezes na Polícia Federal. Os empresários pediram a minha cabeça no sindicato. Fui denunciado na Delegacia do Trabalho como quem queria subverter a ordem em Alagoas?. Mesmo assim, Adelmo não desistiu. Marcou a visita de Luiz Inácio da Silva para o dia 21 de setembro de 1978. ### De uma paixão à desilusão Porto de Pedras ? Aposentado do serviço público, ele trocou a agitação dos piquetes, os discursos e debates acalorados pela tranquilidade da pequena Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas, onde passa horas fazendo o que mais gosta: pescando. Pedro Luiz da Silva, 72 anos, fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) no Estado, em 1981, deixou a legenda, mas não a política. Inquieto, preside a Colônia de Pescadores Z-25 e tenta uma vaga na Câmara de Vereadores. Mesmo desiludido com o PT, o homem que defendeu a filiação do advogado Mendes de Barros à legenda, disse que vai apoiar e fazer campanha para a candidata a presidente Dilma Rousseff. E rasgou elogios ao maior expoente do partido, o presidente Lula, um ?Luiz da Silva?, assim como Pedro. ### Recusado da legenda por ser burguês Luiz de Gonzaga Mendes de Barros, procurador aposentado da Assembleia Legislativa de Alagoas, não esqueceu os flertes com a criação do PT no Estado. ?Eu sempre fui contra a ditadura militar?, conta ele, no alto do 10º andar do prédio onde fica seu escritório de advocacia, em Mangabeiras. ?E com o advento da democracia e a formação de um partido de esquerda, que se propunha a defender a ética e implantar os bons costumes na política brasileira, eu me interessei pelo PT?, confessa o homem que mais tarde ficaria conhecido no Brasil como ?o marajá das Alagoas?. Foi ainda no fim da década de 1970 e começo de 1980 que Mendes de Barros, aos 45 anos de idade, interagiu com os futuros petistas. ### Alianças políticas desagradam Professora do curso de pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Alice Anabuki diz que não há o que comemorar após 30 anos da criação do PT. Ela não reconhece as origens do partido no PT de hoje. Fundadora da sigla no Estado, desde 1992 abandonou o barco. Foram as alianças eleitoreiras a partir das campanhas presidenciais do Lula que desiludiram Alice, natural de São Paulo, radicada em Maceió há 32 anos. ?A trajetória do PT não tem a continuidade que nos autorize a falar em termos de memória. Claro, a vida partidária não é estática, é dinâmica, mas a gente sempre apostou no dinamismo que fortalecesse os programas originários do partido, que não é mais o PT de hoje. Acho que houve um recuou estrondoso. Esta descontinuidade deformou o PT?, sentencia a professora. ### Avanço limitado em Alagoas A festa de aniversário do PT, na quarta-feira passada, reuniu na Ponta Verde novatos como o delegado Pinto de Luna e figuras antigas nos quadros do partido no Estado, como a sindicalista Lenilda Lima e o deputado Paulão. Para os petistas de carteirinha, os 30 anos do PT não poderiam passar em branco. Eles reconhecem a dificuldade de expansão em Alagoas e justificam os poucos cargos que ocupam no Estado falando da influência social e política das ?elites conservadoras?. ?O PT, quando completa 30 anos, comemora a contribuição que está dando ao povo brasileiro?, afirma Lenilda Lima, ao defender o partido da repercussão negativa que ainda o atinge, após o escândalo do mensalão, em Brasília. ?O PT sofreu, obviamente, por conta de toda a sua história. Mas o PT enfrentou com muita dignidade aquele processo, tanto internamente, como também mostrando para a população que isso não abalaria a trajetória do partido. O que aconteceu não trouxe retrocesso. As instituições republicanas continuaram a funcionar normalmente?, ressalta. ///

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