Política
Acusados em assassinato saem impunes
Tão oculto e surpreendente quanto a tocaia dos assassinos do então vereador de Marechal Deodoro, Luiz Artur Vieira de Oliveira e Silva, e do comerciante José Araújo Barros, em um mercadinho do bairro da Pitanguinha, na Maceió de 1986, o inquérito que concluiu pelo indiciamento de quatro autoridades alagoanas pelo crime de motivação fútil e política reapareceu ontem na pauta do Conselho Estadual de Segurança Pública e voltou ? agora formalmente ? para a gaveta. Apesar de o delegado Antônio Teixeira Cavalcante Filho ter concluído suas investigações em exatos 30 dias após o crime, o inquérito policial jamais teria tramitado no Poder Judiciário de Alagoas, nem os indiciados teriam sido alvos de denúncia do Ministério Público Estadual (MP). Depois de quase 24 anos, a ?absolvição? está definitivamente garantida para os militares José Marcel Maceno de Brito e José de Barros Veloso, indiciados como autores materiais do duplo assassinato, e para o então delegado de Marechal Deodoro, sargento Amaro Porfírio da Rocha, e o então prefeito de Marechal Deodoro, José Danilo Dâmaso de Almeida, apontados pela Polícia Civil como mentores do crime que chocou a população alagoana. ### Crime gerou repercussão à época Era uma sexta-feira, 18 de abril de 1986, às 19 horas. Depois de fazer várias denúncias contra Danilo Dâmaso e dois dias depois de discutir com o delegado Amaro Porfírio da Rocha ? que também atuaria como segurança do prefeito ?, o vereador e assessor parlamentar Luiz Artur Vieira de Oliveira e Souza foi seguido pelos pistoleiros, da Assembleia Legislativa até a Mercearia Padre Cícero, na Pitanguinha, onde compraria cigarros. Luiz Artur foi surpreendido com dois tiros fatais na cabeça. Agressão repetida pelo comparsa contra o dono da mercearia, José Araújo Barros, que levou um tiro na testa, chegou a ser socorrido, mas não resistiu. A história do duplo homicídio não é diferente de outros casos de pistolagem envolvendo motivações políticas. A repercussão na imprensa também foi a mesma, com direito a apelos do então governador Divaldo Suruagy por uma apuração célere do crime. ///