Política
Crime volta � tona 24 anos depois
?Estou cansada. Acho que não vale mais a pena. Tenho medo da ?rebordosa?, sabe? Não tenho mais estrutura para isso não?. Essas palavras encerraram uma tentativa de entrevista com a viúva do servidor da Assembleia Legislativa e presidente estadual do PSC, Luiz Artur Vieira de Oliveira e Souza, assassinado há quase 24 anos, com o comerciante José Araújo Barros, em sua mercearia, no bairro da Pitanguinha. Tanto tempo depois da espera por respostas da Justiça de Alagoas sobre o julgamento de quatro autoridades indiciadas pela Polícia Civil pela morte de seu marido, que era suplente de vereador por Marechal Deodoro, Maria José dos Santos Oliveira e Souza não permitiu sequer que sua imagem voltasse às páginas da Gazeta, e talvez reproduzisse a expressão angustiante que ainda estampa as envelhecidas páginas do jornal que ela disse continuar preservando em seu poder. ### Ex-prefeito nega autoria de crime Sorridente e desferindo ataques a adversários políticos, o ex-prefeito de Marechal Deodoro, por quatro vezes, atendeu a reportagem em sua loja de materiais de construção, no trevo de acesso à Praia do Francês. Sem se negar a conversar sobre a acusação de ter sido o mandante do duplo homicídio, Danilo Dâmaso afirma que todas as acusações seriam resultado de perseguição política. ?É uma denúncia sem fundamento. O rapaz não morava aqui, morava em Maceió e era assessor do deputado estadual Mendonça Neto. E o rapaz arrumou mil e uma encrencas. Comigo não. Eu não conhecia nem ele. Sou inocente. E a prova maior é que a Justiça arquivou o processo. Esse processo estava desativado no Fórum de Maceió, trouxeram um juiz, fui depor e o processo não foi à frente. Fui ouvido aqui em Marechal, em Maceió. Agora, em julgamento, não chegou ainda não. E nem em prisão. ### Na lista de marcados para morrer Ao afirmar que, com o então vice-prefeito de Marechal Deodoro, José Carlos Gusmão, e mais cerca de dez adversários políticos de Danilo Dâmaso, estaria em uma lista de pessoas marcadas para morrer, o então presidente da Câmara e atual secretário de Infraestrutura do município, Fernando Cavalcante, lembrou à Gazeta, na última quinta-feira (25), do mandato que teve de cumprir sob escolta policial. ?Nunca aceitei. Agora, eu tenho que viver. Nasci e me criei aqui e fui vereador durante dez anos. O Danilo sempre quis ser a vedete da cidade. Acha que a cidade é dele. Eu era perseguido, andava com quatro policiais militares, em dois carros. Tive um apoio muito grande do governo do Estado, que cedeu a escolta durante meu mandato inteiro. Ele passou 12 anos fora da prefeitura, depois voltou à política, em 2000 e foi eleito para dois mandatos. Fez de novo tudo que quis fazer. Só não sei dessa parte da violência. Os tempos são outros, mas as sequelas do passado ficaram. Hoje, ainda o cumprimento. Mas ele continua sendo meu eterno adversário político?, afirmou Cavalcante. ### Processo se perde no meio do caminho Supostamente desaparecido, o ?ressurgimento? do inquérito que investigou o duplo assassinato do então presidente do PSC em Alagoas, Luiz Artur Vieira de Oliveira e Souza, e do comerciante José Araújo Barros, foi provocado pela inexistência de informações oficiais sobre a ação criminal que chegou a tramitar no âmbito da 11ª Vara Criminal da Capital, após a denúncia apresentada com o pedido de prisão dos quatro acusados, feito pelo promotor de Justiça Edwaldo Farias de Menezes, em menos de dois meses após o crime. Apesar dos vastos registros históricos da tramitação da ação judicial em jornais da época, a desinformação das autoridades foi tamanha, que uma reclamação por providências chegou a ser encaminhada ao Conselho Estadual de Segurança Pública pelo próprio Ministério Público do Estado (MP), em fevereiro de 2008, por meio do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc). ### Troca de advogado e intervenção O então advogado dos quatro denunciados era o procurador aposentado da Assembleia Legislativa, Mendes de Barros. Por telefone, ele lembrou na última sexta-feira (26) que após a saída de Auberino Correia Barbosa da 11ª Vara Criminal, o juiz Oduvaldo Perciano decretou a prisão preventiva de todos os acusados. E também falou de uma suposta ?orientação? que alguns desembargadores teriam feito para os denunciados. ?Somente o Danilo Dâmaso não foi preso, porque eu não deixei. O recolhi, pedi o habeas-corpus, e depois de relaxada a prisão, ele se apresentou?, disse Mendes de Barros, ao lembrar que o ex-prefeito passou 11 dias foragido. ///