Política
Voc� sabe com quem est� falando?
O episódio da ?carteirada? nos cinemas Centerplex virou notícia nacional. Na segunda-feira passada, Dia Internacional da Mulher, a gerente das cinco novas salas inauguradas na semana anterior, no Shopping Pátio Maceió, foi presa por impedir a entrada de dois policiais civis. Eles queriam entrar de graça a todo custo. Não conseguiram. Chamaram reforço e uma dezena de fardados armados apareceu e levou a funcionária para a delegacia. A justificativa foi que a gerente teria bloqueado o acesso dos policiais, que seriam do setor de inteligência da Polícia Civil e estariam investigando o tráfico de drogas dentro do cinema. Porém, ninguém comprovou a legalidade da operação. Não fosse a coragem da gerente do cinema em barrar os policiais, esta seria só mais uma vez em que a carteirada atropelaria as regras e privilegiaria autoridades. A prática é comum não só em Alagoas, mas no Brasil inteiro. E de acordo com o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o hábito tem explicação no tipo de política que originou o País. ### Confusão no Centerplex acabou gerando crise entre autoridades Inauguradas na sexta-feira, dia 5, as cinco salas do cinema Centerplex abriram as portas na segunda-feira, dia 8, normalmente. Por volta das 16 horas, a gerente do complexo, Andrea Marques, foi surpreendida com a chegada de policiais da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) da Polícia Civil. Eles queriam entrar sem pagar ingresso, alegando estar no curso de uma operação de combate ao tráfico de drogas. Sem acordo, a gerente foi presa. No dia seguinte, terça-feira, 9, o secretário de Defesa Social do Estado, Paulo Rubim, convocou uma entrevista coletiva e afirmou que a operação policial no Centerplex era legal e contava com autorização do Grupo Estadual de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gecoc). Na mesma terça-feira, a Polícia Civil divulgou uma nota oficial afirmando que a gerente teria praticado crime de desobediência e atacando a Gazeta pela cobertura do caso. ///