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Caixa � acusada de extorquir clientes

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O superintendente da Caixa Econômica Federal (CEF) em Alagoas, Gilberto Occhi, é acusado de comandar um esquema de extorsão contra empresários, donos de lotéricas e outros clientes do banco em Alagoas. Uma das denúncias aponta para a participação da esposa dele, a gerente-geral da agência do Espaço 20, Cristina Piedade, num caso de apropriação indébita, resgatando mais de R$ 100 mil de uma conta sem autorização do seu titular. Empresários da construção civil, do setor hoteleiro e outras fontes revelaram com exclusividade para a Gazeta de Alagoas que a concessão de empréstimos e de linhas de financiamento estaria vinculada à venda de produtos agregados, como seguros, previdência privada, cartões corporativos, títulos de capitalização, cartões de crédito ou investimentos. Desde que chegou ao Estado, há pouco mais de um ano, Occhi orienta os gerentes da Caixa a implantar uma política mais agressiva de vendas para obter resultados e cumprir metas. Empresário teve R$ 100 mil resgatados sem autorização ?Sinto-me extorquido, estou muito chateado e resolvi retirar minhas contas e dos meus funcionários da Caixa, nunca mais quero trabalhar lá?. O desabafo do diretor e ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Márcio Coelho, aponta que o desfecho das negociações com o superintendente e com a esposa dele, a gerente Cristina Piedade, foi o pior possível. Segundo Márcio, a extorsão começou algum tempo depois de ter pedido dois empréstimos, cada um no valor de R$ 2 milhões. O primeiro tinha verbas específicas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para investimentos no setor turístico; o outro seria um financiamento imobiliário para pessoa física pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). ?Como o banco tem uma meta para recursos do FAT, este financiamento saiu logo, mas a liberação para pessoa física se arrastou por mais de sete meses?. O empresário afirma que se surpreendeu quando o próprio superintendente resolveu visitá-lo para tratar do assunto. Durante a reunião, Gilberto Occhi reforçou o ?trabalho? de vendas da gerente Cristina e de dois gerentes que estavam presentes. ?Neste encontro, eles disseram que eu tinha que ter um seguro para os funcionários, no valor de R$ 1.500 por mês, e eu consenti. Passadas 48 horas, recebi um telefonema do gerente Rodrigo Omena (subordinado a Cristina), falando o seguinte: ?a Caixa precisa que você faça a previdência privada de R$ 100 mil para resgatar daqui a dez anos??. Contratos fechados são atrelados à ?venda casada? Empresários do setor da construção civil garantem que todos os contratos de financiamento da Caixa em Alagoas, na gestão do atual superintendente, só foram fechados após a venda casada de produtos do banco. ?Não existe um caso sequer de construtora que não tenha comprado estas coisas, seja previdência, títulos de capitalização, seguros ou sei lá o quê?, afirma uma fonte. Outro dono de construtora revela que basta conferir as datas de assinatura das documentações dos empréstimos com o das adesões aos serviços bancários. ?Eles forçam a gente a oficializar a compra dos produtos na mesma data da liberação do financiamento?, explica este empresário, que ainda depende de recursos da Caixa e teme ser identificado. ?Se souberem quem eu sou, nunca mais vou conseguir financiamento?. Lotéricos ficam em beco sem saída Os donos de casas lotéricas passam por problemas semelhantes aos construtores e empresários do setor turístico. Eles afirmam que, após a chegada do novo superintendente, foi criada uma comissão para autorizar qualquer solicitação, seja uma transferência de endereço ou mudança de dono. Para oficializar esta mudança, os lotéricos sempre precisaram de uma anuência (autorização) da Caixa, mas agora este procedimento só acontece com o aval desta comissão e assinatura do próprio superintendente. Com isso, os lotéricos afirmam que são forçados a comprar produtos da Caixa para obter a anuência. ?Para assinar qualquer mudança, o superintendente impõe a venda dos produtos, que variam de consórcios e cartões a seguros de vida e capitalização. Teve o caso de um lotérico que só conseguiu mudar de endereço após uma reunião com o próprio superintendente?, revela uma fonte da Gazeta. Superintendente rebate acusações O superintendente Gilberto Occhi rebate as acusações uma por uma, alega que denúncias anônimas são perigosas e lamenta o fato de nenhuma delas ter chegado à ouvidoria ou à própria superintendência. Segundo o chefe da Caixa em Alagoas, o empresário Márcio Coelho autorizou verbalmente o débito na conta para aderir à previdência privada, e a demora na liberação do financiamento só aconteceu porque o dono do Hotel Ritz não esclareceu se o empréstimo seria usado para fins comerciais ou residenciais. Apesar de não ser comum a presença direta do superintendente nessas negociações, Occhi afirma que foi ao hotel porque se tratava de duas operações grandes, que não são normais no mercado imobiliário. ?Nessa oportunidade, oferecemos cartões corporativos, seguros e a proposta para a previdência. De maneira verbal, ele aceitou todas as operações, ele chamou o gerente e disse: ?Vamos fazer as operações?. Como desistiu, estamos recompondo os recursos?, explica o superintendente.

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