Política
Doze ministros ocupam outros cargos para ganhar mais
Brasília, DF ? Ao largo de critérios técnicos, estatais e grandes bancos públicos abrigam nos seus conselhos fiscal e de administração ministros de Estado, assessores do segundo escalão, apadrinhados e aliados políticos do governo. A prática não é nova, mas está disseminada na atual administração. Funciona, em muitos casos, como uma forma de engordar os rendimentos mensais dos ministros e de um grupo de assessores mais próximos do poder. Levantamento feito pela reportagem mostra a presença de 12 ministros nos conselhos das maiores estatais e bancos federais, sendo que alguns sem qualquer qualificação técnica que justifique a ocupação dessas cadeiras. Os salários chegam a R$ 14 mil para participar de uma reunião por mês. A lista de conselheiros das estatais e bancos públicos ? montada a partir de respostas das empresas a um requerimento de informações do deputado Arnaldo Madeira ( PSDB-SP) ? traz informações que reforçam a ação entre amigos por trás dessas nomeações. Sindicalistas também fazem a festa Outros dois sindicalistas: João Felício, da CUT; e Cláudio Guimarães da Silva, o Janta, presidente da Força Sindical no Rio Grande do Sul, ocupavam cadeiras no Conselho de Administração do BNDES até poucos meses. Cláudio foi exonerado em 1º de abril, porque é candidato às eleições de outubro. ?Esse procedimento para favorecer apadrinhados e interesses pessoais é uma prática política das mais rasteiras. Mostra como continuamos com uma visão patrimonialista do papel do Estado?, observa o deputado Arnaldo Madeira, que inquiriu as empresas sobre a ocupação dos conselhos, com base em prerrogativa garantida pela Constituição. ?No setor privado, mesmo as empresas familiares têm conselhos de administração profissionalizados. Enquanto que nas estatais o patrimônio público é usufruído por alguns poucos?, destaca o parlamentar.