Política
O cotidiano de crian�as atr�s das grades
Brasília, DF ? Elas não cometeram infração alguma e estão longe de atingir maioridade penal, mas vivem em cadeias brasileiras junto com adultos criminosos. No Brasil, pelo menos 289 crianças com até 6 anos de idade dividem celas com as mães e outras mulheres. São submetidas às normas estritas da vida atrás das grades: hora para banho de sol, disciplina, comida sem sabor e dia certo para receber visitas de fora. Quando aprendem a andar, passam a reproduzir o gestual da prisão. Há casos em que a criança, na presença de agentes penitenciários, vira-se de costas, abaixa a cabeça e põe as mãos para trás ? como as detentas. Pesquisa da assistente social Rosangela Santa Rita, funcionária do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), relata os detalhes do cotidiano das crianças-detentas. A maior parte delas chegou às prisões no ventre da mãe e não foi apresentada à vida do lado de fora. Dos meninos e meninas que vivem assim, 58 ficam em celas comuns. Outras 107 ficam em creches e 124, em berçários ? espaços improvisados dentro dos presídios para abrigar crianças com as mães. Segundo o estudo, 165 têm até 6 meses de idade e 102, entre 6 meses e 3 anos. Há ainda 22 crianças entre 3 e 6 anos.