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Presos em AL se preparam para votar

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Pela primeira vez na história de Alagoas, os presos que ainda não foram condenados vão ter direito ao voto, como, desde 1988, assegura a Constituição Federal do Brasil. Os chamados ?presos provisórios? continuam com os direitos políticos em vigor, mesmo estando na cadeia. Porém, o País tem tradição em ignorar este fato. Só no ano de 2002, os presos que aguardavam julgamento começaram a ser reconhecidos como eleitores. Quatro Estados realizaram eleições dentro de penitenciárias naquele ano. Em 2008, o número chegou a onze. E como a experiência indicava ainda demorar a se estender a todo território brasileiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou resolução para estimular a iniciativa este ano. Em Alagoas, os preparativos já começaram. ?Quem sabe a gente não é ouvido? O comunicado sobre a possibilidade de votar nas eleições de outubro circulou entre as celas do sistema penitenciário de Alagoas. Carlos*, preso por tentativa de homicídio; Henrique*, por assalto; e Gustavo*, por porte ilegal de arma, resolveram aproveitar. Como estão presos, eles poderiam justificar mais tarde, quando saíssem da cadeia, a ausência nas eleições, caso quisessem. Diferente do voto dos eleitores em liberdade, o voto dos presos provisórios não é obrigatório. Carlos, 22 anos, é o mais falante entre os três. Sentado entre Henrique e Gustavo, mostrou-se descrente com a classe política, mas revelou já ter um candidato em mente. Ele mora no Vergel e disse que um dos pré-candidatos à Câmara Federal costuma trabalhar por seu bairro. ?Por uma parte, é bom a gente votar; a gente está cumprindo o nosso dever, né? Mas por outra, eu acho que não vai adiantar é nada. Eu já votei outras vezes e não vi nada melhorar?, disse Carlos, que está no Cyridião Durval há dois meses. Votação nos presídios preocupa MP Eleitoral Também à frente dos preparativos para a realização das eleições nas penitenciárias da capital, a promotora da 54ª Zona Eleitoral de Maceió, Ana Quintela, não esconde as preocupações com a lisura do pleito atrás das grades. Ela não tem dúvida sobre o avanço no campo da reinserção social dos detentos que a inclusão dos presos no processo eleitoral pode significar. Mas o ineditismo da experiência e a possibilidade de influência na hora do eleitor encarcerado escolher o candidato para votar cobram ainda mais a sua atenção. Intendência não vê problemas Representante da Intendência Penitenciária de Alagoas nos preparativos para a realização do pleito eleitoral nos presídios de Alagoas, o major Marcos Lima informou que os mesários das seções do sistema prisional no Estado serão agentes penitenciários ou funcionários da própria instituição. ?Serão quatro mesários para Maceió e mais quatro para a Arapiraca. Eles serão indicados pelo Intendente [coronel Dário César]?, explicou o major Lima, dizendo que na próxima terça-feira vai se reunir com o juiz da 54ª Zona Eleitoral, Jesus Wilson, para discutir mais detalhes sobre a eleição nos presídios da capital.

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