Política
Lula v� transforma��o para nordestinos
Ao realizar visitas oficiais em cinco estados nordestinos ? Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Bahia ? na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância com que o governo federal estaria tratando a região que foi palco da realidade dramática da família do retirante nordestino que se tornou presidente. Em seus discursos em Alagoas, Lula se referiu às dificuldades que teve de enfrentar, desde menino, e falou do desejo de estancar a migração dos nordestinos para o Sul e Sudeste do Brasil, e principalmente para São Paulo, em busca de melhores condições de vida, ou da sobrevivência em si. Às vésperas da realização de mais um censo demográfico pelo IBGE, e com certa mágoa da imprensa com relação às críticas ao principal programa social de seu governo ? o Bolsa Família ?, o presidente reafirmou a crença no crescimento do consumo no Nordeste, como ferramenta para impulsionar a ascensão social das camadas mais pobres e, consequentemente, fazer com que São Paulo deixe de ser o rumo mais fácil para garantir melhores condições de trabalho para a população da região. Alagoanos ainda partem rumo ao Sudeste O Censo de 2000 revelou ainda que os alagoanos representavam 4,6% dos que moravam em São Paulo, vindos de outros lugares do Brasil e do mundo. E enquanto o Estado paulista, entre os censos de 1940 e o de 2000, viu sua população saltar de 17,5% dos habitantes do Brasil, para 22%, Alagoas diminuía de 2,5% para 2% a proporcionalidade de alagoano no universo de brasileiros. Mas o presidente Lula demonstrou acreditar na transformação de São Paulo em destino turístico para o nordestino, que deve passar a enxergar o antigo sonho de ?fazer a vida em São Paulo? apenas como um dado histórico que fez parte da grande maioria das famílias do Nordeste. Em seu segundo compromisso em Alagoas, na última quarta-feira (9), Lula discursou para a plateia do 82º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), e demonstrou para o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) que o carinho que tem pelo Nordeste ? de onde saiu com a família na década de 1950 ? teria feito com que direcionasse políticas públicas para que o nordestino passasse a ser visto de outra maneira. E manifestou confiança de que os novos números que o IBGE deve revelar ao final do Censo deste ano colocarão o nordestino em uma outra ?categoria?, diferente da imagem do ?pedreiro que ia para São Paulo construir pontes?. ?Queria trabalhar. Fui só com Deus? Em São Miguel dos Campos, na última semana, Lula disse que o Nordeste brasileiro não quer ser mais tratado como ?primo pobre? deste País, ao ressaltar querer ver o nordestino ser reconhecido como o cidadão brasileiro que expulsou holandeses, franceses, e não como se só prestasse para trabalhar de pedreiro. O homem que venceu as dificuldades desde o ventre da mãe, a sertaneja de Caetés-PE, dona Lindu, disse querer ver o nordestino se tornar engenheiro, médico, pesquisador, doutor ? quiçá presidente. Mas para Cícero Antônio da Silva, um entre os muitos ?primos pobres? da família que arriscaram a vida fora, ter se tornado vigilante e conseguido retornar para Alagoas foi uma vitória que somente alcançou deixando o Estado em direção a São Paulo, em 1971. O relato da trajetória do trabalhador alagoano conhecido como Bidé traduz a parte do discurso de Lula, em que ele justifica ter sido o desejo do nordestino de vencer na vida ?um dos motivos pelo qual o Nordeste é a parte do Brasil que mais cresce?.DS