Política
Incra negocia compra de voto, acusam os sem-terra
Trabalhadores rurais sem-terra acusam a direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas de usar a estrutura do órgão como barganha para extorquir apoio na campanha eleitoral. As denúncias apontam na direção do ex-superintendente do Incra e candidato a deputado federal pelo PT, Gilberto Coutinho, e do gestor que o substitui no cargo, Estevão de Oliveira, considerado um ferrenho cabo eleitoral de Coutinho. Entidades que atuam com os sem-terra repudiam a prática dos representantes do Incra, mas o Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) é mais contundente nas críticas. Assentados e lideranças do MLST afirmam que o Incra está sendo usado como um escritório político, onde ocorrem negociatas com ofertas de vantagens e trocas de favores por votos para o ex-superintendente e outros candidatos apoiados por ele. Denúncia também trata de desvio de verba Agricultores do assentamento Agro Loango, em Cajueiro, garantem sofrer na pele pela decisão de não se alinhar com a associação comunitária que apoia a gestão do Incra e o ex-superintendente. A denúncia aponta não só para o favorecimento de quem apoia o projeto eleitoral, como também acusa os responsáveis pela entidade local de desvio de recursos e superfaturamento de material para construção de casas financiadas. A coordenadora do MLST, Terezinha Vital, informa que o governo federal destina R$ 15 mil para a construção de cada uma das 77 residências com área de 9,40 por 6 metros. O dinheiro é repassado do Incra para a associação providenciar a compra do material. Acontece que os agricultores afirmam que estão recebendo bem menos material do que a verba daria para comprar. Pastoral da Terra quer afastar diretores A Comissão Pastoral da Terra (CPT) também rompeu com os dirigentes do Incra e concentra as críticas a Estevão de Oliveira, atual superintendente do órgão, reivindicando a destituição dele do cargo. A discórdia chegou a tal ponto que Estevão é acusado de atacar um antigo missionário da igreja católica, padre Alex Cauchi, com ofensas, calúnias e palavrões, numa reunião realizada no último dia 28, dentro do Incra. Estevão teria partido para o confronto físico com o padre e com o coordenador da CPT em Alagoas, Carlos Lima. Incra e PT negam manobra eleitoral Esta semana, o MLST entregou a pauta de reivindicações para o PT e para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), numa insinuação de que as decisões do Incra são tomadas nestas duas esferas políticas. Para a Gazeta, o presidente do PT, Joaquim Brito, confirmou ter se reunido com o MLST, afirmando que sempre deu toda atenção para a entidade, assim como para todos os movimentos sociais. No entanto, Brito negou que os integrantes do MLST tenham lhe apresentado denúncia de uso eleitoral do órgão para beneficiar a candidatura de Gilberto Coutinho ou de qualquer outro integrante do PT.