Política
Candidatos ao governo exp�em planos de governo
Além de fatores ligados à simpatia e à boa oratória dos candidatos, o investimento pesado na exposição de promessas de campanha já elegeu muito político astuto, inteligente e também honesto. Mas também provocou decepção de eleitores que acreditaram em uma parcela significativa dos gestores públicos que, depois de eleitos, por incompetência ou falta de reais condições de realizar o prometido, ignoram o que chamam de propostas de governo, jogadas ao vento pelo falatório comum à grande parte dos comícios e propagandas eleitorais gratuitas. Mas o acesso a essas propostas agora não depende mais da capacidade da memória dos eleitores, graças à nova exigência da Justiça Eleitoral que começou a ser cumprida este ano pelos candidatos, por meio da disponibilização de suas propostas de governo no portal eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como estímulo para cidadãos fazerem o processo político eleitoral ultrapassar a divulgação dos resultados e ingressar no cotidiano de comunidades que precisam exercer a cidadania de cobrar pela efetividade e o avanço das políticas públicas. Propostas têm prioridades em comum Com maior ou menor detalhamento, as propostas apresentadas por cinco dos seis candidatos a governador de Alagoas, por exigência da nova legislação eleitoral, têm em comum as preocupações com a qualidade dos gastos e dos serviços públicos e com a melhoria da qualidade de vida de cidadãos e de servidores públicos estaduais. Ocupando uma página, as propostas do candidato Mário Agra (PSOL) vão direto ao objetivo das ações, sem dar muitos detalhes sobre os procedimentos que devem ser adotados para alcançá-los. Mas concentra as explicações na defesa da melhoria dos gastos públicos, por meio da proposta da renegociação da dívida pública de cerca de R$ 7 bilhões do Estado com a União, complementada pela proposta de combate à sonegação de impostos, à corrupção e revisão de contratos. E estabelece ainda o objetivo de agilizar negociações salariais e de dívidas do Estado com seus servidores. Enchentes no Estado devem provocar mudança de planos Seja pelo natural recebimento de novas contribuições; pela surpresa advinda do desconhecimento da exigência da nova legislação eleitoral; ou pela recente destruição em municípios devido às enchentes do último mês, a maioria dos coordenadores dos programas de governo dos candidatos admitiu à Gazeta que as propostas entregues à Justiça Eleitoral devem sofrer modificações em seu conteúdo. Coordenador do grupo de técnicos que elaboraram as propostas de Fernando Collor, Carlos Mendonça disse que não somente a nova legislação chama as candidaturas à responsabilidade, mas a tragédia recente fará o projeto mudar, colocando a reconstrução dos municípios como o maior objetivo a ser alcançado, sem alterar os projetos de desenvolvimento do Estado.