Política
PT lan�a ofensiva para fidelizar votos
Brasília, DF ? O comando da campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, decidiu fazer uma ofensiva para fidelizar o voto das 24 milhões de pessoas que ascenderam das classes D e E para a classe C durante o governo Lula. A ofensiva será deflagrada para tentar neutralizar a estratégia da campanha tucana, já que o candidato do PSDB, José Serra, prometeu duplicar os investimentos no Bolsa Família para conquistar uma fatia deste eleitorado. Os estrategistas de Serra devem anunciar, antes do início da campanha na TV, propostas para conquistar grupos de eleitores que se beneficiam dos programas sociais do governo. Serra diz que sua meta de campanha é a erradicação da pobreza ?de todas as famílias que estão abaixo da linha da pobreza?. O Bolsa Família beneficia hoje cerca de 12,6 milhões de famílias e, com a promessa de Serra, chegaria a 27,6 milhões. Para cientista político, Serra leva vantagem em discurso Mas, no quesito discurso de campanha, o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), avalia que Serra sai na frente, já que o ?slogan? ?O Brasil pode mais? mostra que ele quer manter as conquistas e oferecer algo mais que os benefícios. ?Essa parcela do eleitorado emergente, que era pobre e virou classe média baixa, adquiriu também uma cabeça mais independente. A classe média é tradicionalmente conservadora e rejeita propostas como casamento gay e aborto?, avalia Fleischer, completando: ?Se eu fosse marqueteiro do Serra ou da Dilma, perguntaria a esse eleitor: o que você quer mais? Além de não cair para trás, ele vai dizer o que mais o fará feliz. O voto de cabresto é repudiado pelo emergente. Esse que chegou na classe média tem informação, emprego, e agora se agarra ao crédito consignado?. Presidenciáveis invertem discursos | CAROLINA BENEVIDES - MAIÁ MENEZES / Agência O Globo Rio de Janeiro, RJ ? Uma análise de entrevistas e discursos dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) desde o início oficial da campanha mostra um troca-troca de bandeiras. Na cartilha dos dois, a estratégia de neutralizar o discurso adversário, segundo especialistas. O Bolsa Família, um dos temas prediletos do tucano nas duas últimas semanas, foi abordado duas vezes mais por Serra do que pela candidata petista. Já Dilma tratou de economia e da desoneração tributária três vezes mais do que o tucano. A saúde foi o assunto mais abordado pelos dois candidatos. ?Há uma inversão de papéis. Dilma repete que o candidato oposicionista vai acabar com programas sociais. Serra, então, tem um contradiscurso para insistir na defesa desses programas. Dilma, por sua vez, tem um discurso mais voltado para empresários, classe média e agricultores, afetados pela alta tributação. Essa inversão aquece a campanha, já que um entra no terreno do outro?, diz o historiador Marco Antônio Villa. Promessas de candidatos são vagas, segundo especialistas As promessas, repetidas em frases pelos candidatos nas entrevistas nos primeiros dez dias de campanha e expostas nos programas de governo apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram, na avaliação de especialistas, falta de profundidade e de preocupação em esclarecer o modo como serão cumpridas. O que não surpreende, segundo o historiador Marco Antônio Villa. ?Candidatos falam de temas clássicos, como saúde, educação, transporte e segurança. O eleitor não cobra como as coisas serão feitas, o Brasil não tem tradição de querer saber como vai ser feito. Quer ouvir a proposta. Então, o candidato bate na tecla de uma ideia. Discutir orçamento não é preocupação nem do Congresso?. Na avaliação do cientista político Eurico Figueiredo, da UFF, existe, de fato, convergência entre os discursos de Dilma e Serra. As diferenças entre os dois, segundo ele, não ficam evidentes nos discursos. Discurso da ética deve ficar ?apagado? | JAILTON DE CARVALHO - Agência O Globo Brasília, DF ? A bandeira da ética, uma das armas mais temidas em eleições passadas, poderá até aparecer neste ano na campanha para a Presidência, mas sem a contundência de outros tempos. Ouvidos pelo GLOBO, estrategistas das campanhas do ex-governador José Serra (PSDB) e das ex-ministras Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) disseram que não vão brandir denúncias de corrupção contra os adversários na propaganda eleitoral gratuita. Também vão fazer vista grossa para as contradições entre eventuais discursos sobre moralidade no serviço público e a formação de alianças com candidatos fisgados na rede da lei da Ficha Limpa. O diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, diz que os candidatos tentam se manter afastados de discussões sobre corrupção porque não querem abrir o flanco para ataques dos adversários. No xadrez político atual, com alianças baseadas apenas em conveniências políticas momentâneas, qualquer ofensiva pode redundar em contra-ataque. Ele sustenta que o tema, além de não atrair votos, é pouco compreendido. Eleitores vão às urnas em 6 cidades | FÁBIO FABRINI - Agência O Globo Brasília, DF ? Enquanto o País discute mecanismos para impedir a eleição de políticos fichas-sujas e acelerar o julgamento de irregularidades cometidas em campanhas, 131,6 mil eleitores de seis municípios vão neste domingo às urnas escolher novos prefeitos. Os eleitos em 2008 tiveram problemas com a Justiça, mas os processos de cassação se arrastaram tanto que o pleito se mistura à corrida presidencial. Fruto da corrupção e da morosidade na análise dos casos, 101 eleições suplementares já foram marcadas no país desde 2008, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Exceto em Araras (SP), com 88 mil eleitores, onde o ex-prefeito Pedro Eliseu Filho (DEM) perdeu o cargo por usar um jornal para difamar adversários, em outros municípios, como São Francisco do Maranhão (MA), Riachão do Dantas (SE), Isaías Coelho (PI), Nossa Senhora dos Remédios (PI) e Apiacá (ES), todos municípios com menos de 16 mil eleitores, as cassações foram por compra de votos.