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Fetag-AL: falta de apoio do Estado é uma realidade

Federação, que representa os agricultores familiares alagoanos, destacou prejuízos sofridos pela falta de apoio do governo, mas afirmou que em 2019 intensificou a luta em defesa dos pequenos produtores rurais alagoanos

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Sem incentivos esperados para o desenvolvimento do segmento, a agricultura familiar alagoana passou por um ano difícil e de muitas lutas travadas. De acordo com o presidente da a Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Alagoas (Fetag/AL), Givaldo Teles, o Estado fechou os olhos para os rurais em 2019, uma classe dependem de recursos para o desenvolvimento das plantações e para o sustento de suas famílias.

“O Programa de Aquisição de Sementes, por exemplo, não aconteceu. O Estado de Alagoas, pela primeira vez nos últimos 30 anos, deixou de comprar sementes para o plantio agrícola, causando fome e miséria nas terras produtivas da agricultura familiar do agreste ao alto sertão”, pontuou Teles.

Segundo ele, outra dificuldade enfrentada pelos agricultores foi a não designação do valor referente ao PAA Estadual prometido pelo Governo do Estado.

Agricultores familiares foram penalizados por falta de investimentos do governo
Agricultores familiares foram penalizados por falta de investimentos do governo | Foto: Divulgação

“Há dois anos estamos esperando a aplicação dos R$ 15 milhões prometidos para o Programa de Aquisição de Alimentos. Se já tivemos problemas com os vários cortes por meio do Governo Federal, essa crise é prolongada sem esse apoio do Estado. A falta de investimentos nas políticas públicas para a nossa categoria, afeta hoje em torno de, no mínimo, 80 mil agricultores familiares”, assegurou o presidente.

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Diante de um cenário de abandono, a solução encontrada pela Fetag/AL para superar os entraves está sendo a criação de projetos que proporcionem a movimentação dos agricultores e que possibilite o escoamento de suas produções.

Givaldo Teles afirmou que agricultores não receberam apoio do governo do Estado
Givaldo Teles afirmou que agricultores não receberam apoio do governo do Estado | Foto: Divulgação

“Hoje, a saída desses agricultores é a comercialização de seus produtos. A partir disso, criamos a Feira da Agricultura Familiar, onde colocamos mensalmente em nossa sede trinta famílias de agricultores para realizar a venda de seus alimentos, sendo o meio mais viável de geração de renda. Também contamos ainda com o apoio de alguns prefeitos que estão implantando o PAA em seus municípios para fazer a compra de produtos da agricultura familiar para as merendas de suas escolas”, reforçou Givaldo Teles.

Fetag-AL traçou metas para a defesa do segmento no ano de 2020 com ações que proporcionem ainda mais visibilidade
Fetag-AL traçou metas para a defesa do segmento no ano de 2020 com ações que proporcionem ainda mais visibilidade | Foto: Divulgação
Feira da agricultura familiar serve de espaço para que as famílias possam negociar seus produtos
Feira da agricultura familiar serve de espaço para que as famílias possam negociar seus produtos | Foto: Divulgação

NACIONAL

Para o dirigente sindical, 2019 foi um ano de luta política em prol da agricultura familiar alagoana, sendo travadas grandes batalhas no Congresso Nacional para garantir a permanência dos direitos dos agricultores familiares, que foram ameaçados em 2019.

Os planejamentos da Fetag/AL definidos em 2018, que seriam a base das atividades para este ano, foram interrompidos por duas pautas que, em caráter de urgência, mobilizaram o cenário das federações de trabalhadores da agricultura familiar do Brasil: A PEC da Reforma da Previdência e a MP 871/2019, que hoje é a Lei 13.846.

“Parece que em 2019, os corredores do Congresso Nacional eram o caminho do dia-a-dia das federações de agricultura familiar no Brasil e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura. O debate inicial surgiu com a publicação da Medida Provisória 871/2019, que teria como assunto a revisão dos benefícios previdenciários com índice de irregularidades. Quando analisamos a ementa, descobrimos que o intuito da MP seria uma perseguição aos sindicatos de agricultores familiares, tirando direitos dessas associações, inclusive de registrar os agricultores como trabalhadores agrícolas, passando a demanda para o governo e isso começou a preocupar o setor”, pontuou Givaldo Teles, presidente da Fetag/AL.

Essas modificações foram enxergadas como uma reforma inicial, antecipando a Reforma da Previdência, que foi um dos principais focos de debate no Congresso Nacional durante 2019. De acordo com o presidente, a partir dessas indicações, foram criadas mobilizações para apresentar o risco que a agricultura familiar estava sendo exposta com as decisões do governo.

“Fizemos várias audiências públicas nos municípios para mostrar aos parlamentas que se a MP passasse pelo Congresso da forma que estava estabelecida, a fome e a miséria iriam imperar nas cidades alagoanas. Já contabilizamos, até outubro, um total de 2.100 benefícios rurais suspensos em Alagoas e não podemos permitir que esse número aumente, já que isso impacta diretamente na vida dos trabalhadores que tiram seus sustentos através desses incentivos”, explicou o presidente.

Ainda para Givaldo Teles, a visualização da situação rural com a aprovação dessa medida provisória poderia se caracterizar como um desastre social. “O impacto causado seria imensurável, podendo até permitir a recorrência do êxodo rural de várias famílias que sobrevivem da agricultura”, ressaltou.

Contudo, por meio das discussões e da representação das federações em busca de soluções positivas, o diálogo foi benéfico para o setor da agricultura familiar. “Nos debates, visitamos os gabinetes de deputados e senadores de todo o Brasil e através da união das federações e da CONTAG, conseguimos dialogar com Câmara e com o Senado Federal. Por meio desse esforço, conquistamos a quebra de 70% das propostas expressas no Projeto de Lei 13.846, possibilitando que a categoria possa continuar com o crescimento de seus trabalhos”, assegurou Teles.

Outra resposta ao diálogo a favor dos agricultores familiares sucedeu na permanência dos direitos desses trabalhadores perante a previdência social. Ao término da aprovação da PEC 6/2019, pertinente a Reforma da Previdência, os rurais ficaram de fora da pauta, permanecendo com as mesmas garantias iniciais.

“O homem agricultor se aposenta aos 60 anos e a mulher agricultora aos 55 anos, precisando apenas comprovar 15 anos de atividade rural. Foi preciso um grande esforço para termos essa vitória. Alguns parlamentares menosprezam os agricultores e não podemos ser penalizados pelos rombos que as grandes empresas e os bancos privados causam na previdência social. Somos hoje os responsáveis por colocar 70% de alimentos nas mesas dos brasileiros e isso revela a importância no nosso papel economicamente e socialmente no país”, explicou Teles.

Por fim, a espera da Fetag/AL para 2020 é que os planejamentos e ações sejam visando sempre o crescimento da agricultura familiar em Alagoas. “Neste ano, almejamos o que queríamos. Fomos mostrar a força do nosso setor em Brasília, junto com aqueles que acreditam na importância do povo rural para o país. O objetivo da federação é continuar nesse caminho para dar a visibilidade necessária aos agricultores e agricultoras alagoanos”, finalizou o presidente.

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