Rural
Evolução do plantio mecanizado da cana conquista mercado nacional
Melhorias e adaptações no dia a dia dos produtores rurais alagoanos têm reduzido ainda mais os custos de produção, melhorando rendimento e dando mais eficiência ao processo
“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A frase do químico Lavoisier já tem mais de 230 anos, mas é a pura realidade nos dias atuais. É o que ocorre com o setor canavieiro através do plantio mecanizado. O Plantio de Baixa Densidade de Gemas já conquistou alagoanos e já é exportado para usinas do Centro-Sul e até para o mercado internacional. Mas tudo está em constante evolução.
Há mais de 20 anos os produtores rurais alagoanos estão ajudando e atuando em conjunto para melhorar no dia a dia do plantio nas propriedades, alinhando produtividade e redução de custos. O estado absorveu a tecnologia, o que é uma conquista dos alagoanos que entenderam que era preciso ferramentas incorporadas para aumentar a produção, velocidade de plantio e qualidade, mas reduzindo consideravelmente os custos.
O produtor rural e vice-presidente da Federação da Agricultura de Alagoas, Edilson Maia, foi o precursor do plantio mecanizado no estado, mas garante que as máquinas agora estão mais modernas e os sistemas de plantio estão cada vez mais diversificados. “É uma evolução que atende todo o produtor. O PDBG atende todo tipo de produtor de cana, contemplando do pequeno ao grande e até o super grande, como a usina São Martinho, que é a maior usina de cana do Brasil e já adquiriu o equipamento”, afirma Maia.
Não é à toa que toda a produção da concessionária Randon RODOAP do município de Messias não para. O PDBG está sendo melhorado em todos os seus compartimentos e ferramentas acopladas. De acordo com Carlos Eduardo, da RODOAP, há dois anos as melhorias em hidráulica, espaçamentos, sistemas de corte de muda estão sendo aplicados no maquinário.
Caso Nayane: laudo do IML não encontra sinais de violência, mas investigação continua
Gari de 31 anos é morto a tiros no Vergel do Lago, em Maceió
Acidente mata agente comunitária de saúde em Palmeira dos Índios
Soluções defensivas do CRB - 30/07/2026
Datas das quartas de finais da Série D definidas - 30/07/2026
“A evolução é conjunta com os clientes e agrônomos das propriedades. Eles pedem melhorias aqui e ali e em um ano e meio demos um passo importante para o melhoramento do equipamento. Hoje nós temos uma máquina muito maior, que está indo para o Centro-Sul. Ela que corta a muda e coloca no transbordo e é capaz de colocar três toneladas de mudas para plantio”, explica Carlos Eduardo.
Sistemas diversificados
Mas não é apenas a máquina que está em evolução e tendo a tecnologia exportada. Os produtores rurais estão implementando nas suas propriedades novos sistemas de plantio que consideram a mesma expertise da PBDG: reduzir ainda mais custo e garantir produtividade.
Em Penedo, na propriedade Itaporanga, o produtor rural e presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, apresentou um sistema de plantio 5 em 1 que, aliado à PBDG, dá garantias de eficiência no custo e na produção. O sistema é uma verdadeira junção de novas tecnologias empregadas no plantio da cana.
No processo é possível fazer o sulco, semear, pulverizar herbicida, adubar e, por fim, cobrir. Mas o chamado “pulo do gato” é a redução no tempo de corte da muda da cana, com o uso de um gabarito manual e os bags (bolsas) para carregamento.
“Nós percebemos o que dentro do sistema poderia melhorar e facilitar a eficiência do processo. Antes precisava encher caixa, transportar e esvaziar. Agora enchemos os bags e levamos para máquina. Ganhamos na redução de mão-de-obra e no tempo, ganhando eficiência do processo. A cada gargalo visto no processo fomos adaptando e simplificando. Tudo alinhado à produção”, atenta Klécio.
O sistema foi apresentado a produtores rurais que vieram da Bahia para levar a expertise do processo. O objetivo foi conhecer o sistema de plantio 5 em 1 e levar para a Unidade Serpasa, no município de Muquém do São Francisco, que deve começar a moagem em abril de 2021. “Gostamos muito do processo porque ele nos dá uma economia de mudas usadas no plantio. Diminui de 10 a 12 toneladas por hectare, dando um estande perfeito para a cana, com boa produtividade. Esse sistema é simples e não há nada complexo, por isso, queremos levar essa tecnologia para a Bahia”, adianta Felipe Paranhos.
“Todos esses sistemas de produção são pensados para levar para o setor algo para redução de custos e aumentar a qualidade. Com um plantio bom, com custo menor e mantando a qualidade. Os melhoramentos que tivemos é de surpreender o projeto como foi concebido. Toda a tecnologia aplicada ao conceito que pensamos. O Brasil já entendeu que é um caminho a ser seguido. O produtor aumentando sua rentabilidade”, finaliza Edilson Maia.
Processo de plantio
O sistema 5 em 1 facilita tanto pela redução de custo – sendo possível ser realizado com menos mão-de-obra – quanto pela redução no tempo de plantio. O primeiro procedimento é o de cortar a cana-de-açúcar em partes iguais que são, transportados para o bag. O gabarito é usado para deixar os tamanhos de semente corretos. Ele é montado com base de madeira com 1,7m de altura e 1,8m de largura. O corte é manual com a serra-elétrica, feito a cada 50 centímetros.
Após o corte, as sementes de cana são transportadas para o bag que é levado para máquina. O carregamento leva em torno de 5 a 10 minutos. Lá os trabalhadores podem ir colocando as sementes no PBDG. Cada bag é capaz de carregar ½ tonelada de cana. Com duas toneladas (4 bags) consegue fazer o plantio de meio hectare da área.
“Com esse tamanho de muda, a germinação é boa. Realizamos o primeiro plantio usando o sistema no plantio de inverno de 2019 numa área de 70 hectares. Conseguimos produzir 100 toneladas por hectare num ano de sequeiro. Esperamos que essa produção melhore ainda mais com as chuvas. Conseguimos uma redução de custo de R$ 5.500 um hectare para quase R$ 1.500, 00 por hectare”, explica o produtor rural João Paulo Santos.