Rural
Produtores rurais garantem abastecimento
Assegurar o fornecimento de alimentos é uma das inúmeras ações desencadeadas pelo setor agropecuário em todo o país; em Alagoas a união de forças dos mais variados segmentos do agronegócio, além de manter a produção no campo, traz esperança para o alagoano que se isola nas cidades por conta do avanço do novo coronavírus
A pandemia do novo coronavírus (Covid 19) avança a cada dia no mundo fazendo com que a população busque no isolamento e na adoção de medidas profiláticas meios de evitar o contágio. Apesar deste cenário de incertezas, produtores rurais e agricultores familiares mantêm suas atividades no campo, assegurando o fornecimento de alimentos no momento de crise.
Neste sentido, o agronegócio é o setor mais importante da economia brasileira e ajudou o país a atravessar crises, sendo, mais uma vez, a alavanca que ajudará o Brasil a enfrentar a pandemia do novo coronavírus e a levantar a economia nacional.
Em pronunciamento, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, declarou que a agropecuária brasileira segue produzindo com êxito e abastecendo o mercado. “O Brasil é um grande celeiro, produtor de alimentos, e não precisamos ter nenhuma expectativa negativa de que não teremos alimentos para nosso povo”, afirmou.
Para Álvaro Almeida, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária no Estado de Alagoas (Faeal), a falta de alimentos prejudicaria a saúde das pessoas e aprofundaria uma crise sem precedentes em todo o país.
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Segundo ele, a produção de alimentos precisa continuar acontecendo de forma protegida. “Mais uma vez o setor produtivo rural demonstrará a sua importância para a manutenção da estabilidade econômica e o seu compromisso com a saúde e a vida das pessoas, que também serão prejudicadas se houver falta de alimentos ou irregularidades no abastecimento. Seria o aprofundamento de uma crise sem precedentes”, observa Almeida.
Para ajudar no combate a pandemia, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA – doará R$ 5 milhões ao Ministério da Agricultura para serem usados em ações de saúde. “Os recursos são oriundos da contribuição sindical rural recolhida pelos produtores de todo Brasil, no exercício 2019. Este é o momento em que o Brasil precisa se unir em torno do combate ao Covid-19 e o nosso setor rural, sempre comprometido com o desenvolvimento do país e a vida dos brasileiros, jamais se furtaria a ajudar. Estamos fazendo a nossa parte”, comentou.
Almeida afirmou ainda que está mantendo diálogo com as prefeituras para que preservem a agroindústria funcionando. “Somente desta forma, garantiremos o alimento na mesa das famílias alagoanas e brasileiras e isso é indispensável no enfrentamento a esta pandemia em escala global. Mais uma vez, o agronegócio mostra s sua força e o compromisso com o povo brasileiro”, afirmou.
CAPTAÇÃO DE LEITE
O presidente da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), Aldemar Monteiro, informou que o processo de captação de leite junto aos cooperados está mantido. A medida impede que ocorre o desabastecimento do alimento junto aos beneficiados em meio a pandemia do novo coronavírus.
“O trabalho permanece, mas com as devidas medidas de prevenção. Estamos protegendo os produtores, leite, colaboradores e funcionários, orientando todos, a exemplo também dos laticínios, quanto aos cuidados necessários contra o coronavírus. Precisamos alimentar as pessoas e, para isso, precisamos captar o leite. Estamos nos esforçando para manter a produção, pois sabemos que produzimos alimentos que são essenciais para a nossa população”, declarou Monteiro.
Segundo o dirigente, que representa os agricultores familiares produtores de leite de Alagoas, se os criadores pararem de produzir e a cooperativa de fazer o trabalho de captação do leite, “a situação viraria um verdadeiro caos. Mas, os criadores engajados e fazendo o dever de casa”, destacou.
PREÇO
Apesar do aumento no consumo de álcool gel, usado na higienização das mãos no combate ao coronavírus, o presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, declarou que não vai aumentar o preço do produto. A usina da cooperativa é a única a produzir álcool gel no Estado.
“Caso o consumidor encontre nos supermercados o preço do produto fabricado pela cooperativa acima do valor que já era comercializado antes da pandemia do coronavírus, que acione o Procon”, afirmou Santos.
De acordo com ele, apesar do esforço da Pindorama em atender a demanda do mercado, há uma dificuldade em fabricar o álcool em gel já que uma das substâncias usadas na fabricação do produto está em falta no mercado brasileiro, afirmando que assim que o produto for adquirido a produção será retomada.
O presidente de Pindorama reforçou ainda que a cooperativa continua com a produção do álcool e do álcool 70 em líquido, que tem a mesma eficiência no combate ao coronavírus.
DOAÇÃO
No combate ao Covid 19, as indústrias associadas ao Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar-AL) doaram álcool ao sistema público para fabricação de desinfetantes de mãos (álcool gel) e solução de álcool 70.
Segundo o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, todo o setor sucroenergético do Estado, de imediato, se mobilizou diante da pandemia do coronavírus. “Esse engajamento se deu pela colaboração social por meio da doação de 80 mil litros de álcool ao Governo do Estado que dará a destinação final mais adequada. Essa foi a medida mais imediata que o setor teve no sentido de minimizar o sofrimento daqueles que estão precisando enfrentar o vírus”, afirmou.
Pedro Robério lembrou ainda que as empresas não estipularam qual o volume a ser doado. “Será o necessário para o enfrentamento da crise. Se for preciso as empresas poderão estudar uma nova doação”, apontou.
De acordo com ele, o setor está diuturnamente atento aos efeitos da pandemia na atividade econômica produtiva. “De um lado estamos engajados em todas as demandas nacionais capitaneadas pela Confederação Nacional da Indústria e com o Fórum Nacional Sucroenergético nas medidas para o setor no aspecto fiscal com a desoneração do PIS/Cofins para o etanol e financiamento também para o biocombustível”, destacou.
MERCADO
Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas – Asplana, Edgar Filho, o país passa por uma situação inimaginável que gera preocupações e incertezas. “As famílias estão em casa em quarentena preocupadas com a saúde e a economia muito afetada. O que acontece no mundo reflete na economia do Estado, principalmente no agronegócio, mais precisamente no setor sucroenergético. A queda do petróleo culminou na queda do preço do etanol. Recentemente, o preço do açúcar vem tendo uma queda no mercado internacional, que é a base do açúcar VHP de exportação do nosso Estado”, salientou.
Segundo Edgar Filho, a esperança é que até setembro já exista uma vacina contra o vírus, trazendo a normalidade de volta a sociedade. “Enquanto isso, o campo não pode parar. Produzimos alimentos para a população. Então, temos que continuar trabalhando com responsabilidade, utilizando EPI, obedecendo as recomendações de prevenção ao vírus. A agropecuária é de fundamental importância para a sobrevivência da humanidade. O Brasil vai sair da crise e vai se reerguer por meio do agronegócio. Temos preocupação, mas também temos otimismo que tudo isso vai passar”, declarou o presidente da Asplana.