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Rural

União em defesa do Programa do Leite

Autoridades pedem a ampliação do Programa do Leite, além de ações para ajudar agricultores familiares que estão sofrendo com os efeitos da pandemia do novo coronavírus e dos atrasos nos pagamentos das parcelas atrasadas do programa

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O Programa do Leite, apesar das dificuldades enfrentadas com atrasos no pagamento das parcelas, recebeu, esta semana, duas notícias importantes: o pedido para o aumento imediato do número de famílias atendidas pelo convênio em Alagoas feito deputado estadual Paulo Dantas e a solicitação para a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos – Modalidade Leite pelo senador Fernando Collor.

Em ofício encaminhado ao governador Renan Filho, Paulo Dantas, solicitou a revisão do convênio Secretaria de Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Social nº 007/2013. No documento, o parlamentar pleiteia o aumento em pelo menos 50% a quantidade de famílias atendidas pelo Programa do Leite.

Atualmente, o programa atende 80 mil famílias, mas, segundo o parlamentar, possui capacidade para atender mais que o dobro deste número. “Esse montante de beneficiados não representa nem 20% do total de famílias em situação de vulnerabilidade no Estado de Alagoas, que segundo levantamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, ultrapassa 413 mil famílias. É também de conhecimento público que vivemos a maior pandemia já registrada na história recente do mundo. É de fundamental importância, não só proteger e assistir as famílias que se encontram em estado de vulnerabilidade alimentar e social, como também, fomentar a cadeia produtiva para frear a grave recessão que enfrentaremos no nosso Estado”, afirmou o deputado no ofício.

Paulo Dantas reforçou ainda que o Programa do Leite atua em duas frentes distintas: o combate a fome e a vulnerabilidade alimentar e social, bem como ao fomento da agricultura familiar e aumento da renda para famílias no campo.

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De acordo com Paulo Dantas, a atual capacidade produtiva da bacia leiteira de Alagoas é suficiente e capaz de atender mais que o dobro do atual volume de leite destinado ao programa, sendo que este volume deriva, em sua totalidade, de agricultores familiares.

“Fortalecer a economia na sua base é de fundamental importância, dando fôlego aos agricultores familiares e gerando o aumento de renda para as famílias da área rural de Alagoas, mas acima de tudo, o aumento do volume de leite destinado as famílias alagoanas é um ato humanitário. Essas famílias precisam e dependem da intervenção do Estado neste momento e não podemos nos furtar a isso. É correto dizer, portanto, que o povo de Alagoas aguarda ansiosamente por essa decisão de caráter vital e emergencial”, destacou Dantas.

Mais de três mil produtores estão passando por dificuldades sem receber o dinheiro pelo leite fornecido ao programa
Mais de três mil produtores estão passando por dificuldades sem receber o dinheiro pelo leite fornecido ao programa | Foto: Divulgação
Propostas possibilitarão mais famílias carentes receber o leite doado pelo governo
Propostas possibilitarão mais famílias carentes receber o leite doado pelo governo | Foto: Divulgação

FEDERAL

Também na defesa do Programa do Leite, o senador Fernando Collor acionou o Governo Federal para ajudar os produtores da Bacia Leiteira de Alagoas, solicitando a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e ao ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos – Modalidade Leite. A medida adotada tem a finalidade de ajudar os pequenos produtores a escoar a produção.

Na oportunidade, o senador também anunciou que solicitou a disponibilização de recursos da ordem de R$ 20 milhões para a formação de estoque regulador de produtos derivados do leite, a exemplo de leite em pó e queijo mussarela. “Temos verificado desemprego no campo devido à acentuada queda no consumo de leite e seus derivados”, afirmou o senador em uma rede social.

“Agradecemos o apoio e o empenho do senador Fernando Collor que acionou os ministérios em Brasília em defesa do Programa do Leite e também pela medida para a formação de estoque regulador via Conab”, destacou o presidente da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), Aldemar Monteiro.

Senador Fernando Collor anunciou mobilização em Brasília para ampliação do programa
Senador Fernando Collor anunciou mobilização em Brasília para ampliação do programa | Foto: Divulgação
Deputado Paulo Dantas afirmou em ofício que programa pode atender um número maior de beneficiados
Deputado Paulo Dantas afirmou em ofício que programa pode atender um número maior de beneficiados | Foto: Divulgação

PROGRAMA

No convênio celebrado entre o Governo Federal e o Estado de Alagoas, por intermédio da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura – SEAGRI, são repassados R$ 2,20 por litro de leite fornecido ao produtor. Deste valor, 80% é repassado pelo Governo Federal - via Ministério da Cidadania - e 20% representa a contrapartida do Estado de Alagoas, por meio do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (FECOEP).

Atualmente, a distribuição diária de leite chega a 52 mil litros e para o ano de 2020 serão necessários recursos garantidos na ordem de R$ 41 milhões para a execução do programa em Alagoas.

As cooperativas que fornecem o leite para o programa em Alagoas são: Pindorama, Cafisa, AAGRA e Coopaz, além da CPLA, captando mais de 52 mil litros de leite por dia, fornecido por mais de três mil agricultores familiares e que beneficia 80 mil famílias nos 102 municípios alagoanos com quatro litros de leite por dia.

Aldemar Monteiro afirmou que agricultores passam por dificuldades com os atrasos nos pagamentos das parcelas
Aldemar Monteiro afirmou que agricultores passam por dificuldades com os atrasos nos pagamentos das parcelas | Foto: Divulgação
Thiago Melo alertou que preço do leite teve queda após o início da pandemia
Thiago Melo alertou que preço do leite teve queda após o início da pandemia | Foto: Divulgação

ATRASOS

Com o início do mês de abril os agricultores familiares que fazem parte do Programa do Leite em Alagoas completam quase três meses sem receber as parcelas pelo leite que é distribuído, gratuitamente, para famílias em situação de risco social. Sem receber pelo leite entregue, os agricultores estão sem condições de comprar alimentos e até a ração dos animais.

“Desde a segunda quinzena de janeiro passado que os agricultores não recebem as parcelas. Eles entregaram o leite e precisam receber pelo trabalho. O Programa do Leite precisa ter os pagamentos das parcelas em dia para que possa executar seu papel social, gerando emprego e renda para a agricultura familiar, além de promover o combate à fome e a desnutrição de famílias carentes”, declarou o presidente da Aldemar Monteiro.

De acordo com o presidente da Coopaz, Thiago Melo, os produtores passam por dificuldades no campo sem receber as parcelas atrasadas. “Tínhamos 300 agricultores associados. Mas, com os atrasados muitos desistiram e temos cerca de 200 que ainda fornecem o leite diariamente. São cinco mil e duzentos litros por dia. Apesar do não pagamento, não deixamos de fazer a nossa parte”, afirmou o dirigente.

Segundo ele, com os estoques em alta nos laticínios, por conta da pandemia do coronavírus, o preço do leite teve queda chegando a ser comercializado a R$ 0,80. “Precisamos deste recursos. Na Coopaz, ainda temos mais de R$ 90 mil a receber de janeiro e fevereiro do ano passado, além destas parcelas em atraso deste ano”, desabafou Melo.

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