loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Rural

Rural

Setor sucroenergético apresenta pacote anticrise

Redução do valor do PIS/Cofins incidente sobre a comercialização do etanol; adoção da Cide sobre a gasolina e uma linha de financiamento para a estocagem de etanol foram as principais propostas pleiteadas junto ao governo

Ouvir
Compartilhar

Diante de um cenário, que coloca em risco a produção nacional de etanol, entidades que representam o setor sucroenergético brasileiro apresentaram ao Governo Federal um pacote de medidas com o propósito de minimizar os impactos gerados pela queda do preço do petróleo – em meio à crise entre a Arábia Saudita e a Rússia – e pelo avanço da Codiv 19 no país, com a redução do consumo do biocombustível.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL) e do Conselho Administrativo da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), Pedro Robério Nogueira, as medidas econômicas anunciadas anteriormente pelo governo federal para o segmento do agronegócio, foram consideradas insuficientes para atender as particularidades do setor sucroenergético, por não terem o alcance necessário.

As principais demandas apresentadas foram: redução do valor do PIS/Cofins incidente sobre a comercialização do etanol com a finalidade de melhorar a competitividade do biocombustível em relação a gasolina, frente a redução significativa de demanda gerada com a redução do preço do combustível fóssil, além da adoção da?Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide)?sobre a gasolina. “Com isso, seria amortecida a queda do etanol com uma acelerada no preço da gasolina. Diante disso, poderá se manter a competitividade do biocombustível, evitando sérios transtornos em toda a cadeia produtiva”, reforçou Nogueira.

Outra proposta apresentada foi o financiamento para a estocagem de etanol que não venha a ser comercializado. “Afinal, com as medidas de isolamento social a demanda final por combustíveis de uma maneira geral está caindo em até 50% em relação à média histórica. As empresas não terão a mesma velocidade na comercialização da produção do etanol, havendo sérios reflexos no fluxo de caixa. A medida evita a redução drástica e tenta compatibilizar a oferta com a demanda decadente”, afirmou.

Shorts Youtube
Play
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe

Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe

Play
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais

Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais

Play
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca

Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca

Play
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió

Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió

Play
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"

Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"

Pedro Robério esclareceu ainda que, em Alagoas, a pandemia se instalou no momento no início da entressafra. “Contudo, é necessário a retomada progressiva da atividade econômica para que as empresas possam realizar, a partir dos meses de maio e junho, fazer os seus trabalhos de apontamento industrial com vistas a próxima safra”, afirmou.

Safra segue em Alagoas entrando no oitavo mês de moagem
Safra segue em Alagoas entrando no oitavo mês de moagem | Foto: Divulgação

ANÁLISE

Em matéria divulgada na imprensa, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina teria informado que a retirada da cobrança do PIS/Cofins sobre o etanol já é um consenso entre o Ministério da Agricultura e o Ministério de Minas e Energia (MME). A ministra teria informado ainda que, em virtude da importância do setor, está sendo analisado um aumento na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para gasolina.

Quanto a linha de crédito, que também foi sugerida pelas entidades, Tereza Cristina comunicou que está tentando tornar viável o financiamento que seria destinado a estocagem do etanol, dando uma maior tranquilidade aos produtores. Segundo a ministra, o financiamento seria direcionado para estocagem pelo período de apenas um ano.

Para a ministra, reverter a produção de etanol para açúcar não seria considerada uma exatamente uma solução para o problema, lembrando que o setor sucroenergético está entre as prioridades do governo federal.

CONSUMO

Dados divulgados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) apontam que, nos dois primeiros meses deste ano, o consumo de etanol em Alagoas foi de 35.425.986 de litros do biocombustível.

Deste total, segundo a entidade, 15.455.571 de litros foram do etanol hidratado e 19.970.415 de litros do anidro. No mesmo período do ano passado, o consumo foi de 18.470.160 de litros do biocombustível da cana.

De acordo com o levantamento, elaborado com base nas informações colhidas junto a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP e a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegas), o consumo foi menor em comparação ao mesmo período de 2019, quando o acumulado foi de 35.878.368 de litros.

Diante do avanço da pandemia do novo coronavírus pelo mundo, a competitividade do biocombustível no mercado consumidor começa ser prejudicada com a queda do preço do petróleo e, consequentemente, da gasolina. Com isso, o setor sucroenergético já trabalha para que a próxima safra em Alagoas seja, mais uma vez, voltada para a produção de açúcar.

Medidas ajudariam unidades produtoras do setor a enfrentar as dificuldades provocadas pela pandemia da Covid-19
Medidas ajudariam unidades produtoras do setor a enfrentar as dificuldades provocadas pela pandemia da Covid-19 | Foto: Divulgação

MOAGEM

Com mais de 16,5 milhões de toneladas de cana beneficiadas, o boletim quinzenal nº 14 – divulgado pelo departamento Técnico do Sindaçúcar-AL – informou que as usinas alagoanas já ultrapassaram a quantidade de cana processada na safra passada, que foi de 16,4 milhões de toneladas.

Em comparação ao mesmo período da moagem passada, quando a posição acumulada era de quase 16,2 milhões de toneladas de cana, houve uma variação positiva de 2,4%.

Os dados são referentes a moagem finalizada de 13 unidades industriais e de duas (Sumaúma e Coruripe) que até o 31 de março, ainda estavam em operação. O boletim aponta ainda que sete unidades, que já enceraram a moagem, tiveram variações negativas em relação ao ciclo passado, oscilando entre - 1,3% até 12,2%.

O levantamento aponta ainda que foram produzidos 1,3 milhão de toneladas de açúcar o que corresponde a uma variação de 11,6% ante ao mesmo período do ciclo 18/19, quando o acumulado era de 1,1 milhão de toneladas.

Entre as usinas que já finalizaram o ciclo, apenas duas tiveram uma produção de açúcar menor que a ocorrida no ciclo passado que foram de 1,2% e 11,6%.

Já a produção de etanol (anidro e hidratado) praticamente se manteve a mesma na comparação as duas safras. Ate março passado foram mais de 491 milhões de litros do biocombustível.

Pedro Robério afirma que pacote de medidas amenizaria os reflexos da crise na produção de etanol
Pedro Robério afirma que pacote de medidas amenizaria os reflexos da crise na produção de etanol | Foto: Divulgação
Ministra Tereza Cristina teria acenado de forma positiva para a análise das propostas das entidades
Ministra Tereza Cristina teria acenado de forma positiva para a análise das propostas das entidades | Foto: Divulgação

SAFRA 20/21

Com apenas duas unidades industriais, que ainda não finalizaram a safra 19/20 em Alagoas, o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, afirmou que, apesar das adversidades impostas com a Covid 19, as expectativas para o próximo da cana em Alagoas ainda poderão ser positivas.

“Apesar dos transtornos que poderão surgir como consequência da Covid-19 e a paralisação abrupta na atividade econômica e produtiva, o setor deverá ter uma moagem um pouco melhor em relação ao ciclo 19/20, que está sendo encerrado”, informou Nogueira.

Segundo ele, um cenário esperanço depende das chuvas. “É prematuro afirmar o que teremos pela frente já que precisamos de um pouco mais de chuva no inverno e, sobretudo, nas chuvas de verão que são determinantes para safra em Alagoas no Nordeste. Mas, tivemos a interrupção naquela estiagem grande que se instalou a partir de novembro do ano passado”, avaliou Nogueira.

De acordo com Nogueira, esse cenário climático causa uma certa tranquilidade com relação ao desenvolvimento da cana a ser colhida na próxima safra. “E mantém de pé o fundamento principal da nossa atividade que a safra de cana. Neste momento, estamos confiantes que esse fundamento - pela vertente do clima – será mantido. Com isso, nós possamos sair da crise da pandemia do Covid 19, esmagando uma safra melhor no próximo ciclo 20/21 que se inicia a partir de setembro. Mantendo a nossa retomada em busca da recuperação das safras históricas de Alagoas. ?Vamos avaliar o resto do comportamento climático e os efeitos danosos que poderão vir dessa paralisação”, finalizou.

Relacionadas