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Demanda aquece mercado do boi gordo

Diante de uma demanda de alta, não há boi sobrando no país, levando ao aumento do preço e até a diminuição do consumo. Em Alagoas, preços variam de acordo com Estados exportadores que passaram a vender mais animais para o exterior

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Com a arroba do boi gordo comercializada entre R$ 290 (frigoríficos) e R$ 310 (criadores), o mercado alagoano e nacional vive um dos períodos mais positivos do segmento da carne. Neste cenário de euforia, até o fim do ano, a expectativa é que ocorram novos reajustes, aquecendo ainda mais a cadeia produtiva.

De acordo com o presidente da Comissão da Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária no Estado de Alagoas (Faeal), Antônio Brandão, diante de uma demanda de alta, não há boi sobrando no país, levando ao aumento do preço e até a diminuição do consumo.

“Quem tem animal, começa a segurar na espera de um novo aumento da arroba no mercado. Quando o preço sobe, a população começa a buscar alternativas para suprir a proteína bovina, consumido mais carne de frango, por exemplo”, afirmou o criador.

Para Brandão, o ano de 2021 ainda é uma incógnita no que se refere ao boi gordo. “Afinal, não sabemos o que esperar. A gente teve sorte que, este ano, o governo federal adotou medidas que foram capazes de promover a recuperação da economia. O auxilio emergencial foi uma delas e fez aumentar o consumo da população, ampliando as vendas em praticamente todos os setores. Mas, para o próximo ano, ninguém sabe como o comércio vai se comportar”, prevê.

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Preço da arroba do boi aquece mercado e anima criadores, apesar dos reflexos com o aumento nos custos de produção
Preço da arroba do boi aquece mercado e anima criadores, apesar dos reflexos com o aumento nos custos de produção | Foto: Divulgação

Segundo ele, apesar de ser um cenário de dúvidas, uma certeza existe, “não devemos ter grandes baixas de preços. Já que falta uma oferta de boi em todo o território nacional. Neste caso, podemos ter pequenas variações que podem levar a uma redução no valor da arroba de até 10%, lembrando que devemos ter aumento de preço até o fim do ano”, destacou.

De acordo com ele, o desequilíbrio que provou a explosão no mercado do boi não foi uma consequência da pandemia da covid – 19, mas a demanda do consumo de proteína na China. “Com o problema que eles tiveram com a peste suína, a oferta deles caiu e tiverem que comprar carne suína em outros países, partindo em seguida para a carne bovina”, esclareceu.

Com isso, Brandão afirmou que grandes regiões produtoras do Brasil começaram a vender para o exterior. “Desta forma, não vem mais carne de outros Estados importadores como Alagoas, levando ao aumento do preço da arroba que aqui é determinado por estes mercados produtores, somado o frete mais impostos. Não somos nós que determinamos o valor da arroba no Estado”, informou ele, acrescentando que os Estados produtores que mais mandavam bois para Alagoas seria Minas Gerais, Pará, Tocantins e Maranhão.

“Mas, neste cenário de preço em alta, não é apenas a receita que aumenta. Os custos de produção também dispararam, a exemplo do sal mineral, arame farpado, entre outros. Para o produtor rural que trabalha com recria e que precisa comprar bezerros para engorda, a arroba esta caríssima”, declarou Antônio Brandão.

Antônio Brandão afirma que novos aumentos de preço podem ocorrer até o fim do ano
Antônio Brandão afirma que novos aumentos de preço podem ocorrer até o fim do ano | Foto: Divulgação
Domício Silva afirma que cenário positivo deve perdurar também em 2021
Domício Silva afirma que cenário positivo deve perdurar também em 2021 | Foto: Divulgação

Para o presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), o segmento “vive sim um bom momento com o mercado aquecido. Este cenário, é um reflexo da exportação com o aumento dos preços dos insumos e valor do dólar, aliado a um ciclo da pecuária onde a gente teve muito a bate de matrizes. Com isso, faltou matrizes para reposição, levando a um aumento geral de preços”, declarou.

Segundo ele, a tendência é que este cenário se mantenha em alta até o próximo ano. “Diante das perspectivas de preço do dólar e mercado de exportação a tendência é que esse ciclo deve demorar mais um pouco até que se tenha mais matrizes para se ter uma produção maior de bezerros, consequentemente, mais animais para abate. Com isso, esperamos para 2021 ter um bom ano para a pecuária de corte”, destacou.

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