Rural
Retrospectiva: Agronegócio enfrentou desafios da pandemia
Em um ano de desafios que nunca haviam sido imaginados, os avanços não deixaram de existir tanto na pecuária, com preços em alta e mercado aquecido; quanto na agricultura com safras recordes de grãos, aumento de produtividade da cana-de-açúcar, entre outras conquistas, a exemplo da ampliação da área cultiva de grãos no Estado
Em um ano atípico na história recente da humanidade, com o surgimento da covid – 19 nos primeiros meses de 2020, o mundo praticamente parou e diante do avanço do vírus mortal, milhares de vidas foram perdidas. Neste cenário, se manter isolado virou regra em todo o mundo e apenas o que era considerado realmente essencial foi mantido.
Mas, apesar das dificuldades impostas pelo novo coronavírus, o setor do agronegócio não parou e se manteve atuante, gerando emprego e renda, garantindo o sustento da população. Com isso, produtores rurais e agricultores familiares firmaram o compromisso com a sociedade de manter o abastecimento, levando alimentos as cidades e evitando o caos em um momento de crise.
Em março passado, com a publicação da portaria nº 116, todos os serviços, atividade e produtos do segmento agropecuário foram considerados essenciais pelo Ministério da Agricultura para o pleno funcionamento das cadeias produtivas de alimentos e bebidas.
Em um ano de desafios que nunca haviam sido imaginados, os avanços não deixaram de existir tanto na pecuária, com preços em alta e mercado consumidor aquecido, quanto na agricultura com safras recordes de grãos, aumento de produtividade da cana-de-açúcar, entre outras conquistas, a exemplo da ampliação da área cultivada de grãos no Estado.
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Cana
Apesar de 2020 ter iniciado com um cenário duvidoso para a cultura da cana por conta da estiagem, a safra 19/20 foi finalizada, em maio passado, com saldo positivo com mais de 16,9 milhões de toneladas de cana processadas, conquistando um crescimento de 3% ante ao ciclo anterior. O que renovou as esperanças do setor sucroenergético para o ciclo 20/21 que teve início em agosto com a expectativa de processar 18 milhões de toneladas de cana. Contudo, apesar dos preços em alta, a irregularidade climática ocorrida no último trimestre de 2020, levou o setor a rever as expectativas de moagem de crescimento que deverá ser possivelmente menor que o cogitado no início da safra 20/21.
Neste panorama de retomada do crescimento, o plantio mecanizado conquistou espaço em Alagoas com investimentos para ampliar a produtividade com a redução de custos. Além do plantio de baixa densidade, outra ferramenta que teve destaque em 2020, foi o uso da técnica do plantio noturno que máxima os resultados da produção.
Etanol
No começo do ano, em meio à crise entre os países produtores de petróleo e como reflexo do isolamento social provocado pela covid, o etanol teve a competitividade comprometida. Com isso, entidades ligadas ao setor canavieiro alagoano (Sindaçúcar-AL, Asplana e Faeal) iniciaram uma campanha de incentivo ao consumo do biocombustível em Alagoas, contribuindo para a recuperação da competitividade do etanol, além de destacar a importância do biocombustível no fortalecimento da economia do Estado.
Grãos
Para o segmento de grãos, o ano de 2020 foi também de conquistas. Com a chegada das chuvas, novos investimentos e preços em alta, Alagoas deu um salto na área plantada de grãos, alcançando cerca de 90 mil hectares, tendo o plantio tecnificado tendo sido ampliado para 11 mil hectares. A safra estimada pelo IBGE ultrapassa a marca das 105 mil toneladas de grãos secos, somados aos grãos verdes há um acréscimo de mais 16 mil toneladas.
Pecuária
Em 2020, novas técnicas – colocadas em prática pelos pecuaristas alagoanos – levaram a resultados positivos para o segmento, a exemplo do sistema silvipastoril, que aumenta o rendimento das propriedades rurais com maior ganho de peso do rebanho, somado aos desbastes dos eucaliptos realizados a cada quatro anos.
Na pecuária um outro ponto importante foi a implantação do programa Agronordeste. Em Alagoas, a região da bacia leiteira foi escolhida como um dos 19 territórios prioritários para a execução da ação desenvolvida pelo Ministério da Agricultura e parceiros.
O ano foi de preços positivos para o mercado do boi motivado pela cotação em alta do dólar e o aumento do consumo de carne bovina pela China, por conta do surto de peste suína africana que ocorreu no país. Diante deste panorama, preço da arroba do boi alcançou patamar histórico. No início de dezembro, arroba chegou a R$ 310 em Alagoas.
Perda
O ano de 2020, começou com uma grande perda para a pecuária alagoana com o falecimento, em março passado, de Zoraíde Beltrão. A empresária, referência no segmento de carne no Estado, foi a fundadora do primeiro frigorífico de Alagoas, deixando um legado de uma vida dedicada ao desenvolvimento da pecuária.
Expoagro
Atendendo todas as regras determinadas pelos protocolos sanitários de prevenção a covid, a 70ª edição da Expoagro Alagoas foi realizada em 2020, sendo a única exposição do calendário do agronegócio na região Nordeste. Por conta da pandemia, os leilões virtuais ganharam força e se firmaram como tendência entre os promotores de evento. A exposição, promovida pela Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), bateu recorde de negócios com R$ 15 milhões com a venda de 1,2 mil animais. O volume de negócios cresceu 41% em comparação a edição de 2019.
Programa do Leite
Ao chegar a maior idade em 2020, o Programa do Leite iniciou o ano com incertezas sobre sua continuidade, ameaçada pela falta de recursos. Em defesa da manutenção do programa, foi formada uma corrente para a ampliação da ação social que fornece leite para mais de 80 mil famílias alagoanas e beneficia mais de dois mil agricultores. No âmbito federal, o senador Fernando Collor solicitou, em abril passado, a ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos – Modalidade Leite aos ministérios da Agricultura e da Cidadania como forma de ajudar aos pequenos produtores a escoar a produção.
Em junho, novos recursos para a continuidade do programa, no valor de R$ 19,5 milhões, foram disponibilizados pelo Governo Federal, que foram somados aos mais de R$ 5,2 milhões de contrapartida do Governo do Estado. Programa do Leite chegou a ser suspenso para que pudesse passar por um processo de repaginação, sendo retomado de forma gradativa e em uma plataforma mais moderna e dinâmica com os atrasados quitados e os pagamentos efetuados dentro do prazo.