Rural
BIODIGESTORES PRODUZEM GÁS E GERAM ECONOMIA NO CAMPO
Com uso de material de baixo custo, construção de equipamento pode demandar até R$ 2 mil; dois modelos, instalados por agricultores do Sertão de Alagoas, apresentam resultados animadores
Em busca de melhores condições de vida para o homem do campo, o Senar-AL, por meio do programa Agronordeste, investe em novas tecnologias no meio rural. Uma delas é o biodigestor para geração de gás metano, uma novidade que vem mudando o dia a dia de famílias no município de Santana do Ipanema.
O equipamento, de baixo custo para construção, que a depender do modelo pode chegar a R$ 2 mil, reduz as despesas das famílias com o consumo de gás de cozinha, atendendo a demanda da propriedade.
De acordo com o técnico do Senar-AL Wilson Lira Junior, o processo do biodigestor funciona de forma aeróbica, sendo o modelo mais simples do equipamento uma adaptação do desenvolvido na Índia. “Aqui, ele foi apelidado de biodigestor sertanejo. O equipamento funciona em três etapas, que são: a carga, que alimenta o biodigestor, e o equipamento em si que é a câmara de fermentação, além da descarga, onde saem os dejetos prontos para serem usados na lavoura”, explicou.
Segundo o técnico, o modelo mais simples consegue digerir até 6.400 quilos de matéria orgânica, por mês. “O processo de fermentação vai gerar vários tipos de gases, principalmente o metano, que é o que nós queremos desse processo. No biodigestor há 60% de metano, 35% de dióxido de carbono e 5% de outros gases que passam por um sistema de filtragem anexado ao equipamento. Afinal, o que nós queremos é o metano puro”, afirmou Wilson Junior.
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A novidade foi recebida com entusiasmo pelo agricultor Antônio Damasceno, que resolveu apostar na construção de um biodigestor no formato mais simples, estando há um ano sem comprar botijões de gás para a casa. “Meu próprio filho construiu. Neste ano, o nosso trabalho é apenas abastecer a cada oito dias ou mais. Nunca falta gás e atende a demanda da casa. Os antigos botijões, que eram usados no fogão, foram aposentados”, declarou o agricultor.
Além do biodigestor mais básico, um segundo tipo de equipamento, que tem uma capacidade maior de produção de gás metano, também foi implantado no município. Denominado lagoa coberta, o biodigestor tem capacidade de processar, por mês, de 12 até 15 mil litros de esterco, sendo considerado um modelo mais moderno e de maior eficiência de produção.
“É um sistema 100% fechado que consegue aproveitar quase todo o gás produzido. Tem capacidade de armazenar 15 mil metros cúbicos de gás, equivalente de seis a sete botijões por mês. Com isso, a proposta é que, além de ser usado na cozinha, seja aplicado também em um projeto de irrigação com motores de combustão, adaptados a gás, gerando alimento para os animais, fechando o ciclo”, reforçou Wilson Brito.
O produtor rural Abel Teles também resolveu apostar na iniciativa, aprovando o resultado obtido já no primeiro mês de funcionamento do equipamento. “Estou gostando muito do resultado que estamos tendo. A promessa é boa e acredito que será uma opção que vai gerar economia para nós do campo. Esse equipamento atende minha casa e posso também levar o gás para os meus filhos que moram próximos de mim”, afirmou.
O supervisor Romagdo Lima destacou a importância do trabalho executado pelo Senar-AL juntos aos produtores rurais do Estado. “Inserimos novas tecnologias junto ao produtor, no manejo, trazendo conhecimento na atividade, gerando lucro. Trabalhamos gestão, planejamento, assistência técnica de campo, a exemplo do biodigestor, aumento lucro e reduzir os custos. Neste caso, o dinheiro antes gasto com a compra do gás, agora pode ser investido em outra atividade dentro da propriedade”, finalizou.