Moagem
Safra de cana pode alcançar 18 milhões de toneladas com aumento na produção de etanol em Alagoas
Setor mantém ritmo do ciclo anterior e projeta 500 milhões de litros do combustível


Com quatro meses de moagem, a safra 2025/26 em Alagoas mantém a tendência de repetir os números do ciclo anterior, embora ainda haja expectativa de crescimento de até 3,4%, o que pode resultar no processamento de aproximadamente 18 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Até a primeira quinzena de dezembro, as usinas alagoanas já haviam processado mais de 9,5 milhões de toneladas de cana no ciclo atual. Os dados constam no Boletim Quinzenal nº 07, elaborado pelo Departamento Técnico do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol do Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL). Em comparação com o mesmo período da safra anterior, quando a produção acumulada superava 10,5 milhões de toneladas, foi registrada uma quebra de 9,6%.
De acordo com o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, o menor volume de cana processada em relação ao ciclo anterior decorre do início tardio da moagem. Segundo ele, a decisão das usinas de postergar o começo da safra teve como objetivo permitir um melhor amadurecimento da cana.
Pedro Robério destaca ainda que, diante do atual cenário de mercado, houve uma mudança na configuração dos produtos finais da cana, redefinindo as rotas de produção. “Tínhamos uma estimativa inicial de produzir 1,5 milhão de toneladas de açúcar. Vamos reduzir essa projeção para cerca de 1,1 milhão de toneladas, direcionando um maior volume de cana para a produção de etanol. Com essa mudança, poderemos chegar a aproximadamente 500 milhões de litros de etanol”, afirmou Nogueira.
Segundo o dirigente do setor sucroenergético alagoano, a ampliação da produção de etanol está relacionada à conjuntura atual dos preços do açúcar no mercado externo e do etanol no mercado interno, que hoje apresenta uma remuneração mais adequada quando comparada à do açúcar internacional. “Mesmo assim, os preços praticados estão abaixo dos observados na safra passada”, ressaltou o presidente do Sindaçúcar-AL.
Ele também lembrou a perda significativa de receita provocada pelo tarifaço dos Estados Unidos, “que reduziu as exportações para o mercado norte-americano e não pôde ser compensada por outros destinos”, destacou.
MIX DE PRODUÇÃO
De acordo com o boletim técnico do Sindaçúcar-AL, até a segunda quinzena de dezembro, as usinas haviam produzido 220,5 milhões de litros de etanol. No mesmo período de dezembro da safra passada, a produção acumulada era de 237,3 milhões de litros, o que representa uma variação negativa de 7% entre os dois ciclos.
Em relação ao açúcar, foram produzidas 760,1 mil toneladas dos tipos cristal e VHP (Very High Polarization), açúcar bruto de alta pureza, com teor superior a 99% de sacarose e coloração amarronzada. No mesmo período da safra anterior, até 15 de dezembro, a produção acumulada era de 981,0 mil toneladas, o que corresponde a uma redução de 22,5%.
NORTE E NORDESTE
A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste totalizou 32,5 milhões de toneladas até 30 de novembro, queda de 9,4% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando foram moídas 35,9 milhões de toneladas. O levantamento foi realizado pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Segundo o presidente da NovaBio, Renato Cunha, os números refletem uma safra mais curta e desafiadora, especialmente no Nordeste. “Apesar da retração na moagem e na produção de açúcar, o setor demonstra resiliência com o crescimento do etanol anidro, fundamental para a matriz energética e para as metas de descarbonização”, afirmou.
Na região Norte, a moagem caiu 10,9%, passando de 7,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas. No Nordeste, o recuo foi de 9,1%, totalizando 26,1 milhões de toneladas. A menor disponibilidade de cana impactou diretamente a produção de açúcar, que registrou queda de 24%, alcançando 1,66 milhão de toneladas.
A produção total de etanol nas duas regiões atingiu 1,38 milhão de metros cúbicos, redução de 7,8% em relação à safra passada. O etanol hidratado foi o mais afetado, com queda de 11,3%, enquanto o etanol anidro manteve relativa estabilidade, com retração de 2,0% no consolidado regional e crescimento de 5,1% no Nordeste. O resultado evidencia uma mudança no perfil produtivo, com maior foco no biocombustível destinado à mistura com a gasolina.
O Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana, também apresentou queda. O ATR médio por tonelada recuou 6,5% no consolidado das regiões, impactado principalmente pelo Nordeste, que registrou redução de 9,6%. Já a região Norte apresentou crescimento de 6,1% no indicador.
Até o fim de novembro, o setor havia alcançado 55% da moagem estimada para a safra 2025/26. O Norte apresentou avanço mais expressivo, com 88,3% da meta atingida, enquanto o Nordeste chegou a 50,4%. Na produção total de etanol, a execução atingiu 54,5%, com destaque novamente para o Norte, que já alcançou 96,4% da estimativa.
Os estoques de etanol também registraram queda significativa. Até 30 de novembro, o volume total armazenado nas regiões Norte e Nordeste somou 326,2 mil metros cúbicos, redução de 28,9% em relação aos 458,7 mil metros cúbicos registrados no mesmo período de 2024. O estoque de etanol anidro caiu 25,4%, enquanto o de etanol hidratado recuou 31,5%.
A NovaBio alerta que a continuidade da safra ainda depende de fatores climáticos e operacionais que podem influenciar os resultados. “O acompanhamento deve ser cauteloso, especialmente diante das oscilações de mercado e das condições de campo nesta reta final da safra”, concluiu Renato Cunha.

