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Confinamento coletivo

Boitel fortalece a economia circular na Cooperativa Pindorama

Primeiro confinamento coletivo de todo o Nordeste, iniciado em 2024, prepara ampliação da capacidade para quatro mil cabeças

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Boitel teve início em 2024 com pouco mais de 200 animais. O ganho de peso extra do animal confinado é dividido entre o criador, que fica com 25% do total, e a cooperativa, responsável pelo custeio da iniciativa
Boitel teve início em 2024 com pouco mais de 200 animais. O ganho de peso extra do animal confinado é dividido entre o criador, que fica com 25% do total, e a cooperativa, responsável pelo custeio da iniciativa | Foto: Divulgação

O primeiro confinamento coletivo de todo o Nordeste, o Boitel da Cooperativa Pindorama, iniciou suas atividades em 2024 e atualmente comporta mais de dois mil animais, operando com a perspectiva de ampliar sua capacidade para quatro mil cabeças. Os lotes, com até 60 bois cada um, estão distribuídos em uma área de dois hectares, onde a cooperativa cede o espaço, além de garantir toda a estrutura e a alimentação.

A iniciativa foi destacada pelo presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, como mais um projeto de sucesso da entidade. Segundo ele, o Boitel surgiu como alternativa para apoiar o pecuarista alagoano em períodos de estiagem e escassez de pastagem.

“A gente criou essa ideia com a intenção de oferecer uma oportunidade para o pecuarista em um período de mais seca e de pasto mais escasso, ofertando um refúgio. Estamos no segundo momento desse projeto. Quem participou da primeira fase teve crescimento e resolveu entrar nessa segunda temporada, o que demonstrou a eficácia desse tipo de negócio. A ideia é crescer cada vez mais”, declarou.

De acordo com o dirigente, a ampliação da estrutura física do confinamento já está em andamento e deve entrar em operação nos próximos meses. À medida que novos currais são construídos, a cooperativa avança na lista de criadores interessados em inserir seus animais no sistema.

“Está sendo rentável para a cooperativa, mas ainda mais interessante para os criadores, que ficam com 25% do peso que o boi ganha no confinamento. Tratamos os animais da melhor forma possível, com profissionais preparados, para gerar o máximo de resultado em termos de engorda”, reforçou.

Segundo Santos, se um animal chega ao Boitel com dez arrobas e ganha mais dez durante o confinamento, 25% desse ganho é incorporado ao peso inicial e fica com o criador, enquanto o restante é destinado à cooperativa para cobrir os custos fixos da operação.

“Um animal só sai do confinamento no ponto de abate após atingir, em média, 19 arrobas, acima de 580 quilos. Nesse sentido, a remuneração do capital do criador está segura. Vale muito a pena”, destacou.

O presidente da cooperativa ressaltou ainda que atualmente os animais apresentam maior regularidade e uniformidade de peso em relação ao primeiro ano do projeto.

“Hoje temos lotes bons e muito bons, mas não temos lotes fracos. O criador compra um animal bom e, ao colocá-lo aqui, em cerca de três meses já tem resultado, sem antecipar ou pagar diária. Permanecemos com esse animal até o acabamento final”, afirmou.

Para garantir o ganho de peso, os animais recebem continuamente uma ração especial à base de subprodutos como WDG, bagaço de cana, núcleo, melaço e gérmen de milho.

“É uma ração balanceada e equilibrada, formulada dentro de parâmetros energéticos e proteicos. O que antes era rejeito virou um coproduto nobre. Dependendo da genética, os animais podem ganhar até duas arrobas por mês. Vale destacar que cerca de 96% dessa ração, com exceção do núcleo, é produzida pela própria cooperativa”, explicou.

Após o processo de engorda, os dejetos dos animais são reaproveitados como esterco na cultura da cana-de-açúcar, reforçando o modelo de economia circular.

“O esterco é utilizado na adubação da cana junto com a torta de filtro e a borra da vinhaça. Esses três produtos podem substituir, dependendo do volume aplicado, até 100% do adubo químico. Quanto mais ampliamos o confinamento, mais resíduos retornam ao campo”, afirmou.

Diante desse modelo, a Cooperativa Pindorama reduz a compra de adubos químicos importados e mantém os recursos circulando internamente.

“Esse tem sido um trabalho permanente nosso: tentar manter o máximo possível dentro de casa. Primeiro veio a moeda, depois o Boitel, e outros projetos estão sendo pensados dentro desse mesmo conceito”, reforçou Santos.

COMPOSTAGEM

Fruto da mistura da borra da vinhaça, da torta de filtro e do esterco dos bovinos confinados no Boitel, a compostagem surge como um novo produto que vem sendo cada vez mais disputado pelos cooperados da Pindorama.

Segundo Danilo Wanderley, superintendente Agrícola da cooperativa, a proporção utilizada atualmente é de dois para um para um, sendo esta a primeira vez que o esterco bovino entra na mistura.

“Chegamos a essa proporção, mas ainda estamos avaliando se essa equalização será ideal ou se precisará de ajustes”, explicou.

A torta de filtro é originada da produção de açúcar, a borra da vinhaça da produção de etanol e o WDG, subproduto do etanol de milho, é utilizado na alimentação dos animais, que produzem o esterco.

“Com isso, fechamos o ciclo, e quem sai ganhando é o cooperado”, afirmou Danilo, destacando que a Pindorama é a única usina total flex do Nordeste, produzindo etanol tanto de cana quanto de milho.

Segundo ele, a tonelada do composto está sendo comercializada a R$ 70, valor que praticamente corresponde ao custo do processo. Até o momento, mais de 600 toneladas já foram destinadas aos cooperados.

“Não será possível atender aos mais de 14.500 hectares de cana. Por isso, o material será direcionado à área de renovação, estimada em 2.500 hectares, com aplicação de dez a 12 toneladas por hectare. Isso substitui cerca de 50% da adubação fosfatada e pode chegar a até 70% no plantio, reduzindo a adubação de fundação”, finalizou, ressaltando que o ganho pode chegar a até 15 toneladas a mais de cana por hectare.

Imagem ilustrativa da imagem Boitel fortalece a economia circular na Cooperativa Pindorama
| Foto: Divulgação

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