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Preocupação

Produtores de cana afirmam que setor passa por momento crítico

Dados indicam que fornecedores acumulam uma redução média de 15,2% na produção agrícola, enquanto as perdas financeiras já passam de 28%, reflexo direto da combinação entre quebra de produção, recuo d

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Diante das dificuldades, fornecedores vivem dilema para conseguir manter os canaviais e executar os tratos culturais da plantação
Diante das dificuldades, fornecedores vivem dilema para conseguir manter os canaviais e executar os tratos culturais da plantação | Foto: Divulgação

Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Estado de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, a situação atual dos fornecedores diante da crise instalada no setor é preocupante.

“É a maior ou uma das maiores crises da história do setor sucroalcooleiro de Alagoas. E os fornecedores de cana têm sentido muito mesmo porque essa situação pegou todo mundo, perto do início da safra, desprevenido. Os preços caíram abruptamente de um mês para o outro. Aí, se você colocar a ATR do campo e a redução de safra, chega a mais de 50% de prejuízo financeiro de uma safra para outra”, afirmou.

Segundo Antunes, o cenário atual forma “a tempestade perfeita”. “Afinal, todos os fatores negativos que não poderiam acontecer em uma safra aconteceram nesta. A ATR do campo ruim, queda da produtividade, redução de safra e queda abrupta do preço da ATR para o fornecedor e do açúcar no mercado internacional, do etanol, para os industriais. Então, a conta não fechava nem para as usinas, nem para os produtores”, reforçou.

De acordo com o presidente da Asplana, “muitas unidades industriais, principalmente na região Norte, estão com dificuldade de pagamento, pelas contas não estarem fechando, parcelando os saldos dos fornecedores. Muitas sextas-feiras sem recebimento, com os fornecedores realmente desesperados. Com isso, estão sendo forçados a fazer algumas escolhas: se mantêm o investimento na cana ou se mantêm suas famílias”, alertou.

Apesar de um cenário difícil, Edgar Antunes afirma que a expectativa é que o ano que vem seja melhor. “O etanol já está reagindo, porque tem muito açúcar no mercado. Então, o índice de estoque de etanol está baixo e faz com que o preço suba. A expectativa é que o etanol reaja para que no ano que vem a gente tenha uma safra melhor, mas o grande desafio é chegar à próxima safra, principalmente mantendo o canavial adubado, com os tratos culturais em dia. Afinal, muitos fornecedores, a maioria deles, não terão condições de comprar os insumos neste ano, por conta desse preço horrível e dessa redução de safra que chega a 30% na região Sul e, na região Norte, com 10%, 15% e 20% também de redução”, detalha.

“É uma situação muito preocupante, mexe com a economia do estado, diminui o giro do dinheiro, diminui os empregos, diminui a geração de renda. É uma situação, realmente, que fazia muitos e muitos anos que não era vista”, finalizou Edgar.

COOPERVALES

Para o diretor da Cooperativa de Crédito Rural dos Plantadores de Cana de Alagoas (Coplan) e cooperado da Cooperativa dos Produtores Rurais do Vale do Satuba (Copervales), Henrique Acioly, o clima foi um dos fatores que culminaram no agravamento da crise na safra 2025/2026.

“A gente pegou um ano que veio de uma estiagem muito pesada no período seco até meados de fevereiro do ano passado. Tivemos chuva em fevereiro, mas depois elas ficaram abaixo da média. Já em março e abril, que era uma época essencial e muito importante no desenvolvimento do canavial, a gente não teve chuva regular. A chuva só foi cair mesmo em maio do ano passado. Então, atrasou demais o desenvolvimento do canavial”, afirmou.

“Hoje, na Copervales, estou falando da minha realidade de Atalaia e região Centro-Norte (Murici, Atalaia, Capela), onde a redução da grande maioria ficou entre 15%, 20%, 25% ou até 30% na safra. Fora a redução de 20% a 25% no valor do preço pago pela tonelada de cana. Então, foi uma queda muito grande no faturamento do fornecedor, o cooperado. Considerando também as usinas, no caso da nossa cooperativa, foi uma redução muito grande no faturamento, chegando a 30% ou 40% de redução no faturamento bruto. Isso é muito grave para o setor da cana-de-açúcar, setor produtivo como um todo”, alertou Acioly.

O fornecedor de cana destacou ainda que, além do período seco que veio do verão 2024/2025 e que se estendeu até meados de maio do ano passado, houve a queda de preço já perto da safra. “Essa redução de preço da cana, do ATR como um todo, prejudicou demais a gente. Em números, foi de 20% a 25% de redução no valor da cana, do produto, e de 15% a 20%, 25% e até 30% de redução de safra. Então, culminou nessa tempestade perfeita. Foi um ano muito complicado de se esquecer para o fornecedor de cana como um todo”, declarou.

AÇÚCAR

De acordo com Acioly, a redução de preço da cana resultou de um superávit mundial de açúcar, com sobra de cerca de seis milhões de toneladas no mercado mundial. “Então, jogou o preço do produto lá para baixo no mercado externo, no mercado mundial. Teve uma superprodução na Ásia, Índia, Indonésia e Tailândia e também a inversão de uma safra alcooleira no Centro-Sul para a safra açucareira. Então, por mais que tenha tido redução na safra do Centro-Sul brasileiro, que é o grande x da questão da produção mundial de cana, a produção foi açucareira. Na primeira vez na história, ela inverteu de alcooleira para açucareira, pelo preço de etanol que estava muito ruim. Isso acabou se juntando também com essa superprodução na Ásia. A Índia jogou mais açúcar no mercado externo, por mais que tenha um grande consumo. Juntando com essa supersafra no Centro-Sul, que também jogou mais açúcar no mercado externo, gerou esse superávit e essa redução no preço do produto no mercado mundial”, explicou.

Henrique reforça que o fornecedor sente a redução do valor do ATR, que acaba resultando em redução do preço da matéria-prima, a cana-de-açúcar. “Então, essa é a realidade atual. A gente espera que, daqui para a frente, tenhamos horizontes melhores, que a gente consiga manter nossa produção, fazer os tratos culturais, conseguir manter o padrão para manter a safra. Com isso, quando vier um ano melhor, com preço melhor, a gente poderá conseguir recuperar o que foi perdido neste ano”, finalizou.

ASPROVAC

Para o vice-presidente da Associação dos Plantadores de Cana-de-Açúcar da Região do Vale do Coruripe (Asprovac), Aloísio César Misquita, o ciclo 2025/2026 está sendo considerado uma safra desafiadora para o produtor de cana.

“Para o fornecedor, apertou muito as contas. A gente já vinha de um ano atrás que teve uma baixa na produtividade. Neste ano, a gente juntou três fatores que foram um desastre para a classe: preço ruim, baixa produtividade e o ATR de campo. Foi criado um cenário muito crítico, tendo fornecedor que não está conseguindo pagar as contas, mas a Asprovac está dando esse apoio, tentando minimizar os custos do produtor, dando as mãos e procurando os parceiros, esperando que a próxima safra seja melhor. A cultura da cana é cíclica. A gente tem anos bons e anos ruins. A dificuldade dessa safra foi a questão dos três piores cenários que a gente pode imaginar em um só. Isso dificultou bastante a vida do produtor de cana, a vida do fornecedor”, declarou.

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