Pecuária
PASTEJO ULTRA-ADENSADO CONQUISTA ESPAÇO EM ALAGOAS
Manejo garante ganho de peso e é bem recebido por não gerar custos adicionais


A técnica do pastejo ultra-adensado, cujo conceito teve origem no modelo de pastagem de animais selvagens, chegou ao Brasil pela região Centro-Oeste e começa a conquistar espaço também em Alagoas por ser um manejo que promove maior ganho de peso do rebanho no campo.
“Atualmente, a gente estima que em todo estado brasileiro existe alguém que utiliza o pastejo adensado. É uma tendência que não tem volta, quem começa não quer parar. A princípio, a gente pensa que é difícil, que é complicado, mas, na verdade, o pecuarista só precisa saber como funciona o contexto”, afirmou o criador Vinícius Cansanção.
De acordo com ele, diante dos resultados obtidos e por não apresentar custos ao produtor rural, o pastejo ultra-adensado tem boa aceitação.
No conceito, os animais, em manada, pastam em um determinado lote delimitado e, ao fazerem as necessidades fisiológicas, acabam adubando a área, contribuindo para a renovação do capim. “Com isso, os animais deixam a área em que estavam pastando pronta e são realocados para outro lote, onde farão o mesmo processo de manejo”, explicou o criador.
O pecuarista afirmou ainda que o grupo de animais passa, em média, 24 horas em uma determinada área cercada pastando. “Eles se condicionam e já sabem que devem mudar de local ao escutar o chamado do vaqueiro, seguindo para um pasto mais verde. A gente aprendeu tudo sobre essa tendência do pastejo ultra-adensado e agora chegou a hora de inovar. Com isso, para melhorar ainda mais a eficiência da técnica, estamos deixando os animais apenas pelo período de 12 horas em um determinado lote. Após atingir o peso ideal, eles seguem para o abate”, reforçou o criador, que utiliza cercas móveis para transferir os animais de uma área para outra.
CERCA
Outra técnica usada no manejo dos animais no processo do pastejo ultra-adensado é a cerca móvel eletrificada, cujo cabo, formado de eletroplástico ou de fibra de vidro, garante que o animal não ultrapasse a área delimitada para comer.
“Para formar a cerca, é usado um vergalhão para prender o fio com um isolador, onde a altura do cercado é regulada da forma que se achar necessária, limitando também a área que os animais têm para pastar. O importante é que todo lote tenha o mesmo padrão de adensamento”, destacou Cansanção, lembrando que outra ação importante é a transferência do cocho móvel de um lote para o outro.
Segundo ele, todo o manejo também contribui para deixar os animais mais dóceis, além de promover o bem-estar do rebanho.
A TÉCNICA
O pastejo ultra-adensado é um manejo intensivo de pastagens que utiliza uma altíssima taxa de lotação instantânea (até 2.000 UA/ha) em pequenas áreas por poucas horas, movendo o gado várias vezes ao dia. Utiliza cerca elétrica móvel para forçar o consumo uniforme, reduzir desperdícios, maximizar a adubação natural via esterco e urina e acelerar a recuperação do solo.
CARACTERÍSTICAS E VANTAGENS
Alta intensidade: O gado não escolhe o capim; ele consome de forma homogênea o que está disponível, reduzindo o desperdício (efeito “roçadeira”).
Melhoria do solo: O pisoteio controlado ajuda a incorporar matéria orgânica e distribuir fezes e urina, aumentando a fertilidade e a resistência à seca.
Altas lotações: Capaz de sustentar um número muito maior de animais por hectare, comparado a sistemas tradicionais, atingindo frequentemente altos índices de produtividade.
Manejo diário: Requer mudanças frequentes de piquete, podendo chegar a até oito trocas em um único dia.
PRÉ-REQUISITOS E CUIDADOS
Gestão ativa: Necessita de equipe dedicada ao manejo diário das cercas elétricas e acompanhamento da altura da pastagem.
Adubação: Exige reposição de nutrientes (ultra-adubação) para garantir a alta produção de forragem, pois a saída de nutrientes é rápida.
Ajuste de cerca: Cercas elétricas de alta potência são essenciais para conter o alto adensamento animal.
Nutrição: Recomenda-se fornecer sal ou ração antes da troca para evitar que o gado suje o próximo piquete com dejetos.
O método, frequentemente associado a conceitos de pecuária regenerativa (baseado no método Voisin), busca maximizar a colheita de forragem e o desempenho dos animais, sendo uma alternativa para intensificação em pequenas e grandes propriedades.

