loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 6274
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Rural

Pecuária

PASTEJO ULTRA-ADENSADO CONQUISTA ESPAÇO EM ALAGOAS

Manejo garante ganho de peso e é bem recebido por não gerar custos adicionais

Ouvir
Compartilhar
Grupo de animais passa, em média, de 12 a 24 horas em uma determinada área cercada pastando
Grupo de animais passa, em média, de 12 a 24 horas em uma determinada área cercada pastando | Foto: BCCOM ASSESSORIA

A técnica do pastejo ultra-adensado, cujo conceito teve origem no modelo de pastagem de animais selvagens, chegou ao Brasil pela região Centro-Oeste e começa a conquistar espaço também em Alagoas por ser um manejo que promove maior ganho de peso do rebanho no campo.

“Atualmente, a gente estima que em todo estado brasileiro existe alguém que utiliza o pastejo adensado. É uma tendência que não tem volta, quem começa não quer parar. A princípio, a gente pensa que é difícil, que é complicado, mas, na verdade, o pecuarista só precisa saber como funciona o contexto”, afirmou o criador Vinícius Cansanção.

De acordo com ele, diante dos resultados obtidos e por não apresentar custos ao produtor rural, o pastejo ultra-adensado tem boa aceitação.

No conceito, os animais, em manada, pastam em um determinado lote delimitado e, ao fazerem as necessidades fisiológicas, acabam adubando a área, contribuindo para a renovação do capim. “Com isso, os animais deixam a área em que estavam pastando pronta e são realocados para outro lote, onde farão o mesmo processo de manejo”, explicou o criador.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

O pecuarista afirmou ainda que o grupo de animais passa, em média, 24 horas em uma determinada área cercada pastando. “Eles se condicionam e já sabem que devem mudar de local ao escutar o chamado do vaqueiro, seguindo para um pasto mais verde. A gente aprendeu tudo sobre essa tendência do pastejo ultra-adensado e agora chegou a hora de inovar. Com isso, para melhorar ainda mais a eficiência da técnica, estamos deixando os animais apenas pelo período de 12 horas em um determinado lote. Após atingir o peso ideal, eles seguem para o abate”, reforçou o criador, que utiliza cercas móveis para transferir os animais de uma área para outra.

CERCA

Outra técnica usada no manejo dos animais no processo do pastejo ultra-adensado é a cerca móvel eletrificada, cujo cabo, formado de eletroplástico ou de fibra de vidro, garante que o animal não ultrapasse a área delimitada para comer.

“Para formar a cerca, é usado um vergalhão para prender o fio com um isolador, onde a altura do cercado é regulada da forma que se achar necessária, limitando também a área que os animais têm para pastar. O importante é que todo lote tenha o mesmo padrão de adensamento”, destacou Cansanção, lembrando que outra ação importante é a transferência do cocho móvel de um lote para o outro.

Segundo ele, todo o manejo também contribui para deixar os animais mais dóceis, além de promover o bem-estar do rebanho.

A TÉCNICA

O pastejo ultra-adensado é um manejo intensivo de pastagens que utiliza uma altíssima taxa de lotação instantânea (até 2.000 UA/ha) em pequenas áreas por poucas horas, movendo o gado várias vezes ao dia. Utiliza cerca elétrica móvel para forçar o consumo uniforme, reduzir desperdícios, maximizar a adubação natural via esterco e urina e acelerar a recuperação do solo.

CARACTERÍSTICAS E VANTAGENS

Alta intensidade: O gado não escolhe o capim; ele consome de forma homogênea o que está disponível, reduzindo o desperdício (efeito “roçadeira”).

Melhoria do solo: O pisoteio controlado ajuda a incorporar matéria orgânica e distribuir fezes e urina, aumentando a fertilidade e a resistência à seca.

Altas lotações: Capaz de sustentar um número muito maior de animais por hectare, comparado a sistemas tradicionais, atingindo frequentemente altos índices de produtividade.

Manejo diário: Requer mudanças frequentes de piquete, podendo chegar a até oito trocas em um único dia.

PRÉ-REQUISITOS E CUIDADOS

Gestão ativa: Necessita de equipe dedicada ao manejo diário das cercas elétricas e acompanhamento da altura da pastagem.

Adubação: Exige reposição de nutrientes (ultra-adubação) para garantir a alta produção de forragem, pois a saída de nutrientes é rápida.

Ajuste de cerca: Cercas elétricas de alta potência são essenciais para conter o alto adensamento animal.

Nutrição: Recomenda-se fornecer sal ou ração antes da troca para evitar que o gado suje o próximo piquete com dejetos.

O método, frequentemente associado a conceitos de pecuária regenerativa (baseado no método Voisin), busca maximizar a colheita de forragem e o desempenho dos animais, sendo uma alternativa para intensificação em pequenas e grandes propriedades.

Vinícius Cansanção destaca os resultados obtidos pela técnica, que não exige custos
Vinícius Cansanção destaca os resultados obtidos pela técnica, que não exige custos | Foto: Divulgação

Relacionadas