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Do litoral ao Sertão

Agricultura familiar entra no roteiro do turismo com 2º Circuito de Feiras

O pontapé inicial será dado no município de Piranhas, no Sertão alagoano, no próximo dia 27

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A proposta é transformar o turista em consumidor recorrente dos produtos da agricultura familiar, fortalecendo um mercado que se mantém ativo para além do evento
A proposta é transformar o turista em consumidor recorrente dos produtos da agricultura familiar, fortalecendo um mercado que se mantém ativo para além do evento | Foto: Divulgação

Criado para ampliar horizontes de mercado e gerar novas oportunidades para cooperativas da agricultura familiar, associações e empreendimentos da economia solidária, o Circuito Regional de Feiras da Agricultura Familiar vai conectar quem produz, quem consome e quem visita Alagoas em 2026. Mais do que expor produtos, a iniciativa posiciona a agricultura familiar como parte da identidade do território e estabelece diálogo direto com o trade turístico, reposicionando o campo como ativo econômico, cultural e comercial.

Em 2026, o circuito avança com a proposta de explorar regiões de forte apelo turístico. A primeira etapa ocorre no próximo dia 27 de fevereiro, em Piranhas, município reconhecido nacionalmente pelo patrimônio histórico, pela integração com o Rio São Francisco e pelo turismo cultural e de natureza, que movimenta visitantes durante todo o ano.

A partir de Piranhas, o circuito percorre Alagoas com a proposta de consolidar economicamente a agricultura familiar, conectando produção, mercado e território. Nesta edição, as feiras ocorrerão em municípios selecionados pelo potencial produtivo e turístico. Integram o roteiro cidades como Piranhas, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema, Mar Vermelho, Penedo, Maragogi, Porto de Pedras e Murici, conectando diferentes territórios e vocações da agricultura familiar alagoana.

A iniciativa é realizada pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagri), com correalização da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes-AL), e reúne cooperativas, produtores, compradores e consumidores em um formato que combina comercialização, articulação institucional e construção de mercado. Cada etapa deve reunir, em média, cerca de 20 cooperativas.

De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Marcelo Melo, o cenário vai além da venda direta. Segundo ele, a feira evidencia avanços na organização das cooperativas, na qualificação da produção e na capacidade de atender mercados mais exigentes. Nesse contexto, a feira deixa de ser ponto final e passa a ser meio, articulando produção, consumo, negócios e políticas de desenvolvimento.

“Mais do que um calendário de eventos, o circuito se estrutura como uma política em movimento. Estamos criando ambientes que estimulam a produção, ampliam a competitividade e dão visibilidade à agricultura familiar. O circuito abre novos mercados, fortalece a participação nas compras públicas e amplia a inserção no mercado privado. É um processo contínuo, voltado para gerar oportunidades reais para quem produz”, afirma Marcelo Melo.

Após a realização do primeiro circuito regional, em 2025, e da 1ª Feira Estadual da Agricultura Familiar e Economia Solidária, em 2024, a iniciativa avança em 2026 com maior escala, definição territorial estratégica e foco no principal desafio do setor: o acesso permanente ao mercado.

Para o presidente da Unicafes Alagoas, Antonino Cardozo, os resultados observados em edições anteriores incluem contratos firmados, ampliação de canais de venda, acesso à merenda escolar e consolidação de produtos no mercado regional e estadual.

“Esse circuito evidencia a força e a relevância das cooperativas para a economia dos municípios. Estamos falando de produção sustentável, viável economicamente e com impacto social. As cooperativas são fundamentais para manter o campo produtivo e promover a inclusão produtiva de milhares de famílias. O impacto se reflete diretamente na renda das famílias, na permanência no campo e na viabilidade econômica das cooperativas”, destaca.

Segundo ele, a feira assume papel estratégico ao deixar de ser apenas um espaço pontual de comercialização. “Estamos falando de um instrumento de consolidação de mercados e de fortalecimento do cooperativismo como modelo de desenvolvimento local”, ressalta.

Para o secretário executivo da Agricultura Familiar da Seagri, Ronaldo Targino, o diferencial do circuito está na integração entre produção, assistência e mercado, com atenção especial ao diálogo com o turismo.

“Manter o agricultor estimulado exige oferecer condições completas, tanto no campo quanto no acesso ao mercado. Isso envolve assistência técnica, projetos executáveis e uma visão da atividade como negócio. Selecionamos municípios com potencial turístico e vamos realizar rodadas de negócios durante as feiras, aproximando hotéis, bares e restaurantes das cooperativas e capacitando os produtores para atender esse público que visita Alagoas”, explica.

Além da feira, cada etapa contará com rodas de conversa, palestras e encontros direcionados ao trade turístico local, criando oportunidades de relacionamento contínuo. A proposta é transformar o turista em consumidor recorrente dos produtos da agricultura familiar, fortalecendo um mercado que se mantém ativo para além do evento.

Sem perder o caráter cultural, o circuito também valoriza a identidade dos territórios. Gastronomia regional, artesanato e produtos elaborados por mulheres e jovens cooperados aproximam o público urbano da origem dos alimentos e reforçam a lógica do preço justo, da qualidade e da valorização da produção local. A expectativa é que mais de 60 cooperativas passem pelo circuito ao longo do ano, chegando fortalecidas à próxima Feira Estadual da Agricultura Familiar.

Imagem ilustrativa da imagem Agricultura familiar entra no roteiro do turismo com 2º Circuito de Feiras
| Foto: Divulgação

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