Resgate
Agricultores familiares apostam na retomada da cultura do café em AL
Cooperativa reúne produtores da região de União dos Palmares que decidiram investir no plantio do café, resgatando a cultura como mais uma alternativa de renda para o campo


Presente na Zona da Mata alagoana em décadas passadas, a cultura do café, que até então fazia parte da memória da região, começa a ser resgatada por um grupo de agricultores familiares. No Assentamento Bebidas, localizado na zona rural do município de União dos Palmares, a primeira safra deve ser colhida nos próximos meses.
“A gente chegou a ter o cultivo do café até cerca de sessenta anos atrás. Ele era usado de forma artesanal para o consumo das famílias. No ano passado, tivemos a ideia de começar a resgatar essa cultura e demos início ao plantio. Já temos dez produtores que estão fazendo parte desse projeto e que compraram mudas para o plantio. A laranja continua e, da mesma forma que ela foi pioneira na nossa região, o café também será”, contou Antônio Carlos, presidente da Cooperativa dos Plantadores de Laranja Lima e Café – Cooplal Café.
A proposta de retomar o plantio do café partiu do agricultor André Souza. Há 14 anos morando em Alagoas e natural do Espírito Santo, ele decidiu investir na cultura no estado, sendo responsável pela primeira safra da região após décadas sem cultivo, além de fornecer as mudas que irão ampliar a cafeicultura local. Cada unidade custa R$ 1,50.
“Estamos cultivando o café Arara, uma das variedades do tipo arábica. Este ano, se der tudo certo, vamos industrializar a produção e colocar o produto no mercado. Os agricultores que vêm conhecer o plantio ficam entusiasmados com os resultados que estão sendo registrados. A iniciativa deve ser ampliada e também poderá alcançar a região de Santana do Mundaú, onde o solo favorece o cultivo do café. Fizemos pesquisas antes de iniciar o projeto”, destacou.
De acordo com Antônio Carlos, mais de oito mil mudas foram encomendadas e estão sendo cultivadas na área do assentamento para plantio nas próximas semanas, com previsão de colheita em meados de 2027.
Segundo estimativas, entre três e quatro mil mudas podem ser plantadas em um hectare. “Temos um bom adensamento, com espaçamento de 2,5 metros entre as fileiras e até 80 centímetros entre plantas. Orientamos os agricultores a iniciar o plantio já prevendo irrigação. O custo é reduzido, pois a região tem bom regime de chuvas, sendo a irrigação necessária principalmente no verão. A cultura exige adubação e pulverização para evitar problemas fitossanitários, como ocorreu com a laranja-lima”, reforçou Antônio Carlos, destacando ainda a busca por apoio do Sebrae-AL e a parceria com a Unicafes-AL.
Favorável
Segundo André Souza, as condições de solo e clima são favoráveis ao cultivo. “Busquei uma variedade que suporta altitudes mais amenas. Moro em Alagoas há 14 anos e não entendia por que só havia cana plantada nessa região. Estamos realizando testes e pretendemos trazer outras variedades para avaliar a adaptação”, afirmou, acrescentando que o cultivo em áreas mais altas demanda menos cuidados do que em áreas mais baixas.
O produtor se prepara para colher a primeira safra em União dos Palmares e avalia positivamente os resultados iniciais. “Vai ser uma boa safra. O café está uniforme. É gratificante ver a lavoura produtiva. Essa primeira colheita já cobre os custos dos últimos dois anos”, disse, lembrando que a variedade cultivada pode render mais de 80 sacas de 60 kg por hectare em uma colheita anual.
Também produtor rural, Danclads Uchoa decidiu plantar três hectares como área de teste. “Minha atividade principal é cana e gado. Mas, se o café apresentar bom desempenho, posso ampliar a área. Um hectare de café pode gerar receita significativa. Para áreas de assentamento, é uma alternativa de renda. É uma lavoura exigente, mas com potencial econômico”, afirmou.
O agricultor Valdeci José da Silva também demonstrou interesse. “Tínhamos café aqui na época dos meus pais e era uma produção boa. Não sei por que deixou de ser cultivado. Quero plantar café. Ainda tenho laranja, mas já chegou ao limite”, declarou.


