Produtividade
Sistema de limpeza a seco aumenta eficiência no processamento da cana
Técnica amplia retirada de resíduos, como areia e palha, que chegam junto à cana e que depois retornam ao campo como adubo


O aumento da produtividade aliado à redução de custos, sem deixar de lado a sustentabilidade, é uma constante no setor produtivo, seja no campo ou na indústria. Nesse contexto, um novo equipamento vem sendo adotado por unidades industriais do setor sucroenergético alagoano: a mesa de limpeza de cana a seco.
O equipamento promove a limpeza da cana que chega do campo à indústria antes do início do processo de beneficiamento para produção de açúcar e etanol, sem a utilização de água.
Pioneira no uso da tecnologia, a Usina Serra Grande utiliza a mesa de limpeza que opera em duas etapas, realizando a peneiração de resíduos minerais e vegetais que chegam junto com a cana.
“Na primeira etapa, temos uma mesa com uma queda de 38 graus, onde ocorre a primeira fase de retirada de impurezas. Em seguida, a cana é direcionada para outra mesa de 45 graus, onde também acontece o processo de peneiração e limpeza. Os dois processos se complementam para alcançar o resultado de remoção das impurezas”, explicou Miguel Bezerra, diretor da Serra Grande.
De acordo com ele, os resíduos — como areia e palha — provenientes dos dois processos de limpeza a seco caem em uma grelha e seguem por uma esteira transportadora, sendo coletados por caçambas para a destinação final. “Em média, a cada hora sai um caminhão carregado. Outro ponto importante é que o equipamento pode ser utilizado tanto na cana inteira quanto na cana picada, proveniente da colheita mecanizada”, destacou.
Daniel Bezerra acrescentou que o equipamento já está há três safras em funcionamento na usina. “Nossa inspiração para o uso da mesa a seco veio da Usina São José dos Pinheiros, em Sergipe. É um equipamento que opera muito bem, retira uma grande quantidade de impurezas e tem apresentado resultados muito positivos para a nossa usina”, afirmou.
Segundo ele, por safra, a unidade industrial chega a recolher cerca de 30 mil toneladas de impurezas por meio da mesa de limpeza a seco, o que representa aproximadamente 3% do volume de cana processado.
Miguel Bezerra destaca ainda a eficiência do equipamento em comparação ao processo tradicional de lavagem. “Quando utilizávamos a lavagem da cana, enfrentávamos várias dificuldades. Não se retirava tanta terra quanto na limpeza a seco, além da questão da água utilizada, que depois precisava ser tratada. Na lavagem com água, também ocorre perda de parte da sacarose da cana. A água é um recurso indispensável e cada vez mais escasso, e há também a preocupação ambiental. Diante dos resultados obtidos, foi um investimento que deu certo e que recomendamos. A mesa a seco surgiu como uma alternativa que muitas usinas estão adotando, além de promover redução no consumo de energia, já que as bombas de lavagem tinham vazão muito alta”, explicou.
EXEMPLO
A exemplo da Serra Grande, a Usina Copervales, localizada no município de Atalaia, também investiu na limpeza da cana a seco.
“Chegávamos a utilizar 1,5 milhão de litros de água por hora no processo de lavagem da cana. Agora utilizamos o sistema a seco. As impurezas, após a cana passar por um sistema de grelhas, chegam a um coletor e retornam ao campo como adubo”, afirmou Américo Santana, gerente industrial da unidade.
Segundo ele, no equipamento, por meio do processo de queda da cana na grelha, as impurezas se desprendem e caem no coletor. “Não existe motor nem uso de água. Nesse processo, conseguimos extrair até mais de 25% de impurezas da cana”.
A técnica vem sendo utilizada pela unidade industrial há duas safras. “É um sistema ambientalmente mais adequado. Ele promove uma economia significativa de água, sendo uma ação importante para o meio ambiente. Deixamos de retirar água dos mananciais e também reduzimos o consumo de energia, já que as bombas de água deixam de ser acionadas”, destacou.
Segundo ele, a limpeza a seco também contribui para reduzir o desgaste das caldeiras e das moendas. “Quando a cana era lavada, muita impureza ainda seguia no processo. A limpeza a seco é um sistema muito mais eficiente”, concluiu.
