Agricultura biossalina
Uso de água salobra pode ampliar produção no Semiárido
Estimativa aponta cerca de 140 mil poços perfurados na região, muitos com água salobra ou salina
Em grande parte do Semiárido brasileiro, a água disponível no subsolo apresenta níveis de salinidade que dificultam seu uso direto na produção agrícola. Para enfrentar esse desafio, a Embrapa desenvolve, há décadas, alternativas voltadas ao aproveitamento de águas salobras e salinas em sistemas produtivos adaptados.
Nesse contexto, a chamada agricultura biossalina surge como uma alternativa viável para ampliar a produção em áreas de sequeiro. A proposta é integrar modelos produtivos capazes de conviver com a salinidade, reduzindo a dependência exclusiva das chuvas.
O potencial de uso desse recurso é significativo. Estima-se que existam cerca de 140 mil poços perfurados no Semiárido, muitos deles com água salobra ou salina. Embora nem todos sejam adequados para a irrigação convencional, podem ser aproveitados em sistemas adaptados, como na produção de forragem, grãos e em modelos integrados.
“A Embrapa já desenvolveu sistemas que integram diferentes atividades com o uso dessas águas. Um exemplo é a combinação entre a criação de tilápia, a produção de ração e a irrigação agrícola”, explica o pesquisador aposentado da Embrapa Everaldo Porto, um dos responsáveis técnicos pelo Projeto Sal da Terra.
Outro campo promissor é a produção de forragem irrigada com água salina. Durante os períodos de estiagem, a vegetação da Caatinga sofre redução significativa de biomassa, o que compromete a alimentação dos rebanhos.
Estudos da Embrapa apontam que algumas culturas apresentam bom desempenho nessas condições, como erva-sal, gliricídia e capim-elefante. Essas espécies podem ampliar a oferta de alimento para os animais, especialmente nos períodos mais críticos de seca.