loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 10/04/2026 | Ano | Nº 6200
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Rural

Estudo

Bactérias beneficiam o cultivo de pimenta-do-reino e podem reduzir uso de químicos

Resultados indicam aumento de até 75% no crescimento das plantas e 333% na massa das raízes

Ouvir
Compartilhar
Uso de bactérias pode melhorar a formação de mudas e ampliar a produtividade da pimenta-do-reino
Uso de bactérias pode melhorar a formação de mudas e ampliar a produtividade da pimenta-do-reino | Foto: RONALDO ROSA

Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas — microrganismos que vivem naturalmente no interior das plantas — com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino, cultura de grande importância econômica e social no país.

O estudo aponta que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 são capazes de estimular o crescimento das plantas e o enraizamento de estacas utilizadas na propagação da pimenteira-do-reino.

A técnica de estaquia, baseada na retirada de pequenos galhos (estacas) que dão origem a novas mudas, é amplamente utilizada na cultura. No entanto, um dos principais desafios, especialmente na agricultura familiar, é o baixo índice de “pegamento” das raízes, que compromete o desenvolvimento das plantas.

Nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), estacas da variedade Singapura foram tratadas com soluções contendo as bactérias. Os resultados foram expressivos.

A linhagem Priestia sp. T2.2 promoveu aumento de até 75% na altura das plantas e de 136% na massa seca da parte aérea, em comparação com plantas não tratadas. Já a Lysinibacillus sp. C5.11 apresentou desempenho ainda mais significativo no sistema radicular, com crescimento de até 333% na massa seca das raízes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, também demonstrou efeitos positivos, embora em menor escala.

Os ganhos estão relacionados à capacidade dessas bactérias de produzir ácido indolacético (AIA), hormônio vegetal que regula o crescimento, além de sideróforos, compostos que capturam ferro no ambiente e aumentam sua disponibilidade para as plantas.

Os testes foram realizados em laboratório e em casas de vegetação, que simulam condições naturais. A próxima etapa da pesquisa será a validação em áreas de produção, incluindo outras variedades de pimenteira-do-reino.

A descoberta é considerada estratégica, especialmente para pequenos produtores, responsáveis por grande parte da produção nacional. Além de melhorar o desempenho das mudas, o uso de microrganismos benéficos pode reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, tornando a cadeia produtiva mais sustentável.

“Isso ocorre porque as bactérias promovem a solubilização dos nutrientes do solo, tornando-os mais disponíveis para absorção pelas raízes”, explica a pesquisadora.

Relacionadas