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Valorização

Pecuária de corte vive expectativa de valorização da arroba

Mercado projeta possível alta no preço do boi gordo e do bezerro com demanda aquecida e recuperação do setor

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Mercado projeta nova valorização da arroba do boi gordo com possível redução da oferta no segundo semestre
Mercado projeta nova valorização da arroba do boi gordo com possível redução da oferta no segundo semestre | Foto: Divulgação
Imagem ilustrativa da imagem Pecuária de corte vive expectativa de valorização da arroba
| Foto: Divulgação
Imagem ilustrativa da imagem Pecuária de corte vive expectativa de valorização da arroba
| Foto: Divulgação

Com a arroba do boi gordo variando entre R$ 340 e R$ 360 em Alagoas, a pecuária de corte atravessa um momento de expectativa diante de fatores de mercado e clima que influenciam diretamente a formação dos preços. No cenário atual, a tendência também alcança o mercado de reposição, com valorização do bezerro impulsionada pela redução de estoques no estado e pelos preços praticados em polos fornecedores como Tocantins e Maranhão.

“Esses dois estados sempre foram grandes fornecedores de bezerros para Alagoas. Como a arroba está mais cara por lá, o mercado começa a girar mais aqui. A competição pelo gado em pé aumenta. O bezerro macho está cotado entre R$ 430 e R$ 450, enquanto a fêmea varia entre R$ 340 e R$ 380”, afirma o consultor Marcelo Araújo.

Segundo ele, embora ainda exista estoque de animais em nível nacional, a tendência é de ajuste no mercado nos próximos meses. O cenário internacional também entra na conta, considerando que Brasil, Austrália e Estados Unidos concentram protagonismo no fornecimento global de carne bovina.

“No momento, ainda há estoque de gado em nível nacional, mas a perspectiva é de redução dessa oferta. Quem define é o mercado. Acredito que, próximo ao segundo semestre, teremos uma recuperação ainda maior nos preços”, avaliou.

O consultor também cita fatores que tradicionalmente movimentam o consumo, como grandes eventos de alcance nacional e internacional, como a Copa do Mundo e o calendário eleitoral, que tendem a ampliar a circulação de renda e estimular a demanda por proteína animal.

No início do ano, a arroba do boi gordo girava em torno de R$ 300. Com os valores atuais, o mercado registra recuperação importante, permitindo recomposição parcial das perdas acumuladas pelos produtores nos últimos ciclos.

CICLO PECUÁRIO

Marcelo Araújo lembra que a pecuária opera em ciclos e que o atual momento representa uma fase de recuperação para quem já está consolidado na atividade.

“Existe um ciclo pecuário que se repete, em média, a cada cinco anos. Esse momento mais favorável começou há cerca de um ano e meio. Para quem já está no setor, é hora de aproveitar a recuperação. Mas para quem quer começar agora, talvez não seja o melhor timing”, ponderou.

Segundo ele, a valorização precisa ser analisada com cautela. Corrigindo valores históricos, a arroba ainda estaria abaixo de patamares equivalentes aos de anos anteriores.

“Se pegarmos os preços de 2022 e atualizarmos para os valores atuais, precisaríamos de uma arroba perto de R$ 400 para equiparar. Então, é importante manter expectativa, mas com responsabilidade”, observou.

GESTÃO E PRODUTIVIDADE

Mais do que acompanhar oscilações do mercado, especialistas apontam que a eficiência dentro da propriedade é determinante para a rentabilidade da atividade.

“A terra é um bem finito. O pecuarista do futuro precisa criar andares na fazenda, melhorar a utilização da pastagem e investir em manejo nutricional e sanitário”, destacou Marcelo Araújo.

Segundo ele, propriedades com estratégias bem estruturadas conseguem multiplicar resultados. Há casos em que o lucro por hectare varia de R$ 853 a quase R$ 4 mil, a depender da gestão adotada.

O Sebrae também reforça a importância do gerenciamento técnico das propriedades. Para o gerente de Competitividade da instituição em Alagoas, Henrique Soares, produtividade e rentabilidade exigem controle preciso dos custos.

“A sensação de lucro não pode ficar no achismo. O produtor precisa saber exatamente quanto ganha por animal e por hectare. Com gestão, tecnologia aplicada com equilíbrio e planejamento, é possível ampliar significativamente os resultados”, afirmou.

A avaliação do setor é de que o Nordeste consolida espaço como nova fronteira da pecuária de corte, impulsionado por tecnologia, profissionalização e melhor aproveitamento das áreas produtivas.

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