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Reação

Setor leiteiro de Alagoas reage com alta nos preços e novos investimentos

Litro do leite supera R$ 2,50 em parte do mercado, enquanto chegada de grandes indústrias reforça expectativa de expansão da produção

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Expansão da indústria deve estimular aumento da produção leiteira em Alagoas
Expansão da indústria deve estimular aumento da produção leiteira em Alagoas | Foto: BCCOM ASSESSORIA

Depois de um período de dificuldades marcado pela queda nos preços pagos ao produtor, o setor leiteiro de Alagoas vive um momento de reação. Com o litro do leite sendo comercializado acima de R$ 2,50 — e, em alguns casos, chegando a R$ 3,10 —, produtores voltam a enxergar perspectivas mais positivas para a atividade, impulsionadas também pela chegada de novas indústrias ao estado.

Segundo André Ramalho, produtor rural, presidente do Sindicato dos Produtores de Leite de Alagoas (Sindileite), diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) e integrante da Comissão Nacional da Bovinocultura de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o mercado segue um comportamento sazonal, com tendência de alta no primeiro semestre.

“Em geral, a partir de fevereiro o preço começa a subir até o meio do ano. Depois, entra em um movimento de retração. Isso está relacionado à sazonalidade da produção e ao comportamento do mercado”, explicou.

Apesar do movimento esperado, Ramalho pondera que fatores externos continuam pressionando a cadeia produtiva. Entre eles, o aumento da produção nacional sem crescimento proporcional do consumo, as dificuldades para exportação e a concorrência com o leite importado.

“A produção brasileira cresce, mas o consumo não acompanha no mesmo ritmo. Além disso, a exportação ainda é limitada e temos a concorrência das importações, que impactam diretamente o mercado interno”, afirmou.

Nesse cenário, o setor acompanha a tramitação de um processo de antidumping articulado pela CNA para conter práticas consideradas prejudiciais ao mercado nacional.

“Estamos tentando impedir que países exportem leite para o Brasil a preços abaixo do custo praticado nos seus próprios mercados. É um processo técnico e demorado, mas importante para equilibrar a concorrência”, disse.

Mesmo com os desafios, a melhora no preço reacende a confiança dos produtores. A valorização de derivados como a muçarela e o desempenho do leite UHT também são apontados como fatores determinantes para a recuperação da cadeia.

“Quando esses produtos têm boa saída, toda a cadeia responde melhor. O ideal é manter equilíbrio, com preço justo para o produtor, para a indústria e também para o consumidor”, destacou.

De acordo com Ramalho, o momento ainda representa recuperação de perdas acumuladas, mais do que ganho efetivo.

“Muitas vezes, esse preço melhor serve para recompor prejuízos anteriores e permitir algum reinvestimento. É justamente nesses momentos que o produtor precisa se estruturar melhor”, observou.

O cenário ganha reforço com a expansão da capacidade industrial no estado. A chegada de grupos como Natville, Piracanjuba e da parceria entre o Grupo Alvoar e a CPLA amplia a expectativa de fortalecimento da cadeia produtiva em Alagoas.

Para o superintendente do Sebrae-AL e presidente da Associação dos Criadores de Alagoas (ACA), Domício Silva, o novo ambiente industrial traz maior segurança ao produtor.

“A ampliação da capacidade de processamento cria mercado para a produção local, fortalece a concorrência entre indústrias e estimula o crescimento da atividade”, afirmou.

Segundo ele, o desafio agora é elevar não apenas a produção, mas também a produtividade, com investimentos em genética, boas práticas de manejo, conforto animal e eficiência produtiva.

“Existe um mercado consumidor relevante no Nordeste e espaço para crescimento. O caminho passa por gestão, tecnologia e profissionalização da cadeia”, concluiu.

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