Programa
Ridesa faz liberação regional de novos cultivares de cana RB
Solenidade destaca três novas variedades da Ufal e reforça a liderança de Alagoas, com 90% do canavial coberto por RB
A Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), promoveu a liberação regional de 19 novos cultivares de cana da variedade República do Brasil (RB).
A ação, que reuniu representantes das dez universidades que integram a Rede, fez parte da programação do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas, realizado entre os dias 7 e 10 de julho, no Centro de Convenções de Maceió.
Nacional
Em outubro do ano passado, em Ribeirão Preto (SP), a Ridesa realizou a liberação nacional dessas 19 variedades RB, definindo que cada universidade também promovesse a liberação em nível regional. As ações já ocorreram nos estados do Paraná, São Paulo e Pernambuco.
Em Alagoas, a exemplo dos demais estados, a solenidade de liberação contou com a participação das coordenações da Ridesa, cujos pesquisadores apresentaram as potencialidades de cada uma das variedades desenvolvidas em suas respectivas regiões.
Dos 19 cultivares desenvolvidos pelo PMGCA — programa estratégico voltado ao desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar da série RB —, três são resultado do trabalho da Universidade Federal de Alagoas (Ufal): a RB0764, que se destaca pela alta produtividade agrícola, boa brotação de socarias, uniformidade de colmos e resistência às ferrugens marrom e alaranjada; a RB07814, que apresenta precocidade, alto teor de açúcar, PUI longo e baixa cor de caldo; e a RB991532, que reúne alta produtividade agrícola, hábito de crescimento ereto, excelente sanidade, elevada longevidade e boa colheitabilidade.
“É importante destacar que, apesar de essas três variedades terem sido desenvolvidas pela equipe da Ufal, as outras 16 tiveram as sementes obtidas junto à Ufal, na Serra do Ouro. Temos um acordo de cooperação entre as universidades, que promove o intercâmbio de materiais genéticos. A Ufal desenvolve a semente e a distribui para as unidades da Ridesa. Cada uma passa a ter um programa próprio de melhoramento genético para que, no prazo de dez a 15 anos, possa surgir uma nova variedade. Em determinada etapa da pesquisa, há um intercâmbio entre os materiais genéticos (clones), que são finalizados em cada universidade”, destacou o coordenador do PMGCA/Ufal, Geraldo Veríssimo.
De acordo com dados da Ridesa, atualmente quase 60% da área cultivada com cana-de-açúcar no Brasil utiliza variedades originadas do Programa de Melhoramento Genético desenvolvido na Serra do Ouro, em Alagoas.
“Mas, em Alagoas, contamos com uma cobertura de 90% de variedades RB no canavial. É uma marca que nos orgulha muito”, ressaltou Veríssimo.
A Ridesa conta com uma equipe formada por cerca de 200 profissionais, entre professores universitários, pesquisadores, técnicos administrativos e agrícolas, além de pessoal operacional e de apoio. Além da Serra do Ouro, a Rede possui outra estação de cruzamentos localizada em Devaneio, em Pernambuco.
“Todos os anos são realizados esses cruzamentos. Vale destacar que, na década de 1970, o setor percebeu a importância desse trabalho e começou a investir e estruturar programas de melhoramento”, destacou o coordenador-geral da Ridesa, Hermann Hofmann.
Atualmente, a Rede contabiliza 134 variedades liberadas no Brasil. Dessas, 115 foram desenvolvidas pelas universidades da Ridesa e 19 pelo extinto Planalsucar. A instituição conta ainda com mais de 340 empresas conveniadas, no Brasil e no exterior, autorizadas a cultivar as variedades RB.