Agroindústria canavieira
Pindorama abre a safra 2026/2027
Cooperativa foi a primeira unidade do polo agroindustrial canavieiro do Estado a iniciar a moagem. Diante do atual quadro climático, o Sindaçúcar-AL aposta que a moagem supere o ciclo passado
A safra da cana 2026/2027 começou oficialmente em Alagoas. A usina da Cooperativa Pindorama, localizada na região do Litoral Sul, foi a primeira unidade do polo agroindustrial canavieiro do Estado a entrar em operação no novo ciclo da cana.
Os primeiros caminhões chegaram à unidade industrial na manhã da última terça-feira, dia 18 de agosto, preservando a tradição da cooperativa de iniciar a moagem em Alagoas e também de ser uma das primeiras a iniciar a moagem na região Nordeste. “A nossa expectativa é de que tenhamos uma safra razoável. Eu não diria uma grande safra. O que se mostra até agora é que devemos ter uma moagem melhor em relação ao ciclo passado”, declarou o presidente da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos.
A previsão inicial apresentada pela cooperativa é de que a safra possa ter um crescimento que oscile entre 5% e 10%. Na safra anterior, Pindorama beneficiou mais de 809 mil toneladas de cana, além de ter registrado uma produção superior a 27 mil toneladas de açúcar e mais de 65 milhões de litros de etanol, sendo 41,5 milhões procedentes da cana e mais de 23,5 milhões de litros de cereal. Com isso, a cooperativa teve a segunda maior produção de biocombustível de Alagoas na safra 2025/2026.
“Para o ciclo atual, queremos ampliar a produção de etanol de cereal para 50 milhões de litros e de cana entre 40 e 50 milhões de litros. Com isso, a nossa estimativa é ter uma produção final que varie entre 90 e 100 milhões de litros”, afirmou Klécio Santos, informando que também teve início o ciclo da moagem dos grãos (sorgo) para a produção de biocombustível.
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CLIMA
De acordo com Klécio Santos, os números previstos para o ciclo que se inicia dependerão de fatores importantes, a exemplo do clima.
“Na verdade, tudo depende do verão, que determina exatamente o quanto a safra irá crescer. Teremos uma moagem maior, eu tenho essa percepção. Mas não dá para a gente dizer, com certeza, quanto será. Se tivermos um verão que dê algumas chuvadas boas, teremos uma grande safra. Com isso, os preços vão se reajustando com o mercado começando a sinalizar isso. Vamos trabalhar para ter uma safra melhor e totalmente diferente da passada, que foi horrível para todo o setor”, lembrou.
SINDAÇÚCAR-AL
Para o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, a safra passada teria frustrado um pouco a expectativa dos produtores alagoanos em função de terem sido surpreendidos por uma estiagem forte na segunda metade do ciclo, que se estendeu até a sua conclusão, comprometendo a cana que já estava sendo germinada para a colheita nesta próxima safra.
“Mas o comportamento climático melhorou sensivelmente a partir de dezembro e janeiro. A indicação é de que, na safra de 2026/2027, possamos ter uma recuperação, mais um crescimento na produção de cana. Terminamos a safra passada com 18,3 milhões de toneladas de cana processadas. Hoje, podemos pensar em mais de 19 milhões de toneladas, dado o comportamento chuvoso, que está bastante satisfatório”, destacou Nogueira. Alagoas conta com 15 unidades industriais no setor sucroenergético.
De acordo com o dirigente, “se continuar essa tendência de chuva não muito intensa, poderemos ter, inclusive, além do crescimento do volume de cana, uma melhoria da qualidade dessa cana, o que resultará em maior oferta de etanol e maior oferta de açúcar. Observando o comportamento climático verificado e o estágio da cana até agora, as indicações às nossas unidades são de que teremos a possibilidade de superar a produção da safra passada”, afirmou.